8/03/2010
TSE PODE ACEITAR DEBATES SEM RESTRIÇÕES PELA INTERNET



O Tribunal Superior Eleitoral poderá adotar posição mais liberal nas eleições deste ano.

Após ensaiar rigor com a campanha na internet, com ameaça de tirar blogs e sites do ar, os ministros deverão reconhecer, de maneira geral, o ambiente de liberdade de opinião na rede mundial de computadores. Essa é uma nova tendência, que segue as determinações da reforma eleitoral, aprovada no ano passado.

Todavia, os casos específicos de abusos poderão levar à aplicação de multas, e a prática ostensiva de ofensas poderá justificar a retirada do site do ar. Os ministros do TSE entendem que a rede é um ambiente livre, mas sujeito a punições, como nos casos mencionados.

A possibilidade do uso da internet em campanha eleitoral já vinha sendo ensaiada desde 2008, quando o tribunal chegou a discutir meios para regulamentar todo o ato de campanha na rede. Porém, acabou prevalecendo, naquela ocaião, o entendimento de que a campanha na internet deveria ser, em tese, aberta, pois seria muito difícil verificar abusos e aplicar punições. O tribunal acabou optando por não especificar os casos de punição, na esperança de o Congresso fazer essa tarefa com uma nova lei.

A lei aprovada, no ano passado, acabou funcionando para dar aos ministros os parâmetros básicos para que eles possam decidir a respeito de possíveis abusos de campanha.

Com a aprovação da nova lei, a tendência é a de os ministros aceitarem debates sobre os candidatos nos ambientes da rede. Os debates no rádio e na televisão, por exemplo, devem seguir alguns requisitos, como a participação de candidatos adversários. Na internet, não há essa restrição.

A  campanha, que deverá começar oficialmente em 6 de junho, vai trazer novas questões no campo da internet. A censura prévia é um deles. A nova lei proíbe a censura sobre a propaganda eleitoral a ser veiculada na internet. Por outro lado, a Justiça terá de verificar os casos ilegais, como ofensas, e decidir sobre o direito de resposta que, neste ano, deverá ser julgado com prioridade pelo TSE para todos os meios de comunicação.


 

 Autor: Itamaury Teles, com agências noticiosas
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6/03/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (06.03.2010)





LICITAÇÃO DO SUS GERA INSATISFAÇÃO

 

Os maiores laboratórios de análises clínicas de Montes Claros foram preteridos, na licitação concluída ontem, pela secretaria municipal de saúde.

A insatisfação reina no setor, pois a Prefeitura reduziu bastante as cotas dos maiores laboratórios – justamente os que são mais bem estruturados.

As cotas retiradas dos grandes e mais antigos laboratórios da cidade foram redistribuídas entre oito novos contratados.

Segundo um diretor de um desses grandes laboratórios, em contato com a coluna, a situação e’ de “calamidade”, pois se estruturaram para o atendimento ao SUS, com investimentos no atendimento e até na certificação ISO, com alto custo fixo, “ e agora puxam o nosso tapete”. E concluiu, revoltado: “não sabemos o que fazer para  recuperar; foi péssimo, politicagem feia.”

Cabe agora `a secretaria vir a público para esclarecer a situação.

COMIDA DI BOTECO 2010

Na noite da última quinta-feira, membros dos diversos órgãos  de imprensa de Montes Claros fizeram um périplo por três dos quinze bares locais que participam da versão 2010 do Comida di Boteco – jornada gastronômica que começou ontem e que vai até o dia 21 de março.

Estivemos no Guaxo, no Quintal e no Armação. Pelos tira-gostos provados nesses locais, da’ para se antever o alto nível do certame deste ano.

Além dos bares visitados, também participam o Chacal,  o Du Crepe, o Mangueira, a Cantina do Léo, o Elton’s Bar, Empório Canadá,  Mapa de Minas, Sabor Saúde, Zoo Bar, Muci, Rei dos Caldos e Pampulha’s Sport Bar.

Ao final, clientes e jurados escolherão os três melhores tira-gostos deste concurso considerado “ o mais saboroso do Brasil”.

 

MINANDO AS BASES DO SERRA

 

Por três vezes, os gritos de “Aécio Presidente” ecoaram na solenidade de inauguração da Cidade Administrativa presidente Tancredo Neves, nova sede do governo mineiro, projetada por Oscar Niemeyer, em Belo Horizonte.

O clamor partiu de boa parte das mais de 6 mil pessoas que compareceram à cerimônia, na última quinta-feira, 4. "O que eu vi foi uma festa linda, emocionante", contemporizou o constrangido governador José Serra, sem querer passar recibo.

Aécio, por sua vez, disse aos jornalistas que "estava tão concentrado que não ouvi nada".

Os comentários eram praticamente unânimes, ao final da festa: tudo fora armado com cara de lançamento de candidatura presidencial.

Próceres tucanos ainda acham que o Aécio – embora tenha dito não ser mais candidato ao Palácio do Planalto – seria um candidato mais fácil de carregar que o Serra.

As bases estão sendo minadas, pouco a pouco. E como em política tudo e’ possível, enquanto os prazos não se esgotam, ainda há tempo de novidades nessa corrida presidencial.

 

 SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

 

BONSUCESSO/MONTES CLAROS e’ como passará a chamar o jovem e vitorioso time de vôlei masculino de Montes Claros. O Banco Bonsucesso, que já patrocina o time de futebol do Cruzeiro, deliberou ajudar também  a equipe montes-clarense. A nova camisa do time será apresentada oficialmente na segunda, dia 8, na partida contra o Cimed, no Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves.

ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRAS convocando seus “ imortais” para reunião ordinária em sua sede, no Centro Cultural, na próxima quinta-feira, dia 11, `as 20 horas.

DÁRIO COTRIM, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, convoca os membros da entidade para reunião dia 15/03, `as 20 horas, na sede da Academia Montes-clarense. Na pauta, revista no. 5, registro da entidade e o seu reconhecimento como de utilidade pública, além de prestação de contas.

 

CARTAS & E-MAILS

Agradecimento

Grande Itamaury! Muito obrigado pela nota que publicou a respeito do meu filho, músico, Matheus Duarte, que está fazendo sucesso no Paraná. Volta e meia lembro-me dos bons tempos do Mais Lido, O Jornal de Montes Claros, onde iniciamos. Nós e tantos outros grandes nomes do jornalismo - Robson Costa, Carlos Lindenberg, Paulo Narciso, Reginauro Silva, Flávio Pinto, Waldemar Brandão, Humberto e Adalberto Versiani, Adroaldo, Haroldo Lívio, Lazinho Pimenta, entre outros. Bons tempos aqueles, quando O Jornal de Montes Claros era na Rua Dr. Santos. Não sei se foi do seu tempo, mas na garagem da casa (...), o jornal fez uma casinha de madeira para abrigar o ex-escravo Tuia. Ele pousava ali, mas o dia inteiro perambulava pelas ruas da cidade, os pés descalços, os dedos esparramados no chão, chapéu de palha na cabeça, beiços caídos, sempre empunhando uma vara que lhe servia de apoio e de arma para afastar quem o incomodasse. Para mim, Tuia era uma espécie de anjo e demônio. (...) Grande abraço, Alberto Sena (albertobatista@superig.com.br  - Belo Horizonte – MG)

*Não há de que, Alberto. É sempre prazeroso para nós montes-clarenses - de nascimento e de coração - ver os conterrâneos ou seus descendentes brilharem aqui e alhures. Você bem sabe disso, divulgador que foi das coisas e "gentes" da nossa região, quando trabalhava no Estado de Minas. Não cheguei a conhecer o Tuia. Quando aportei em Montes Claros, no final de 1969, ele já virara estrela. Abraços fraternais, amigo.

 


 Autor: Itamaury Teles
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4/03/2010
A mesma não suportou o mesmo



 

Trabalho como operário das letras faz mais de 40 anos. Comecei fazendo jornais estudantis, pouco antes de ingressar, como repórter, n’O Jornal de Montes Claros. Isso no longínquo ano de 1970.

Daquela ditosa época a esta parte, venho tentando aprender com meus mestres como escrever com objetividade e clareza. Louca e árdua tarefa. Neste particular, lembro-me do Waldyr de Senna Batista, austero e exigente redator-chefe do “JMC”. Nem sempre paciente e lhano no trato, Waldyr forjou uma geração de jornalistas que hoje muito lhe devem.

Implacável copidesque (revisor de textos), não admitia muletas linguísticas, tipo “como se sabe”, no inicio das frases. Nessas ocasiões, chamava os focas (repórteres neófitos) e faziam-nos perceber da desnecessidade daquela expressão, dizendo em alto e bom som, que “se todos já sabem, a noticia é velha”...

Quando substituí o Alberto Senna, na editoria de policia, Waldyr atribuiu-me nova incumbência diária: ler a página policial do Jornal do Brasil. Queria que a nossa tivesse o mesmo talhe discreto do JB. A bem da verdade, muitas vezes tive dificuldade de encontrar a referida página naquele jornal carioca, em função do elegante texto, em nada parecido com as elaboradas por jornais sensacionalistas.

Como consequência natural desse aprendizado, passamos a observar textos alheios com o mesmo rigor, em busca do passível de ser melhorado.  Mas se não nos policiarmos nessa tarefa, estaremos fadados a nos transformar em autênticos chatos de galochas.

Por isso, o que nos move, aqui e agora, é a intenção de colaborar, de alguma forma, por uma maior equalização de conhecimentos. Longe deste pobre mortal, portanto, querer menosprezar ou ridicularizar quem se aventura nessa difícil seara das letras.

Feito esse intróito, um tanto extenso, vamos ao que nos interessa comentar. Trata-se do uso do pronome demonstrativo “mesmo” e “mesma”, desacompanhado de substantivo, para substituir ele(a) ou este(a). Apesar de constituir-se erro crasso e deixar o texto confuso, até mesmo o velho Machado de Assis cometeu tal escorregão, apontado por Aires da Mata Machado, após asseverar não haver igualdade entre ele e mesmo (“Apareceu um relatório contra os mesmos e contra outros”).

Assim, quandoque bonus dormitat Homerus ou, traduzindo do latim, o bom Homero às vezes cochila, como nos ensinou o Professor Jésus, na Faculdade de Direito. Noutras palavras, até o sábio às vezes se engana...

Por esses dias, pincei uma manifestação de leitor, publicada em jornal,  que dá bem a dimensão do problema. Reclamava da fragilidade das tampas das denominadas “bocas-de-lobo” instaladas em Montes Claros, e do perigo que representavam. E testemunhava: “Na Rua Correa Machado, próximo ao Centro Regional de Saúde, já vi carros serem danificados ao estacionar porque as mesmas não resistiram ao peso dos mesmos e olha que foram carros pequenos, imagine os de maior porte.”

Na capital paulista, da mesma forma, há uma lei municipal que vem sendo alvo de chacotas. Prevê a afixação de aviso ao lado das portas dos elevadores, nos seguintes termos: "Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar".  Depois disso, demonstrando que o paulistano também tem verve, várias comunidades surgiram nos sítios de relacionamento na internet – no Orkut, em especial – sob o título  “eu tenho medo do mesmo”.  Como se o “mesmo” fosse um bicho-papão que assusta criancinhas e que estaria por perto, de tocaia, para abocanhar os incautos usuários do elevador...

                        (*) jornalista e escritor

                        e-mail: itamaury@hotmail.com


 Autor: Itamaury Teles (*)
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2/03/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (02.03.2010)





 

 

FUMACÊ INOPORTUNO

 

Que a dengue já se transformou em epidemia em Montes Claros, todo mundo sabe. Os hospitais e clínicas vêm sendo muito procurados por pessoas infectadas e a secretaria municipal de saúde tem divulgado números alarmantes de novos casos a cada dia.

A bem da verdade, essa guerra não será ganha sem o apoio da população, que precisa eliminar, na medida do possível, os focos residenciais. Praticamente em todas as famílias montes-clarenses há casos da doença, o que denota certo descaso.

Agora, por mais grave que seja a epidemia, nada justifica o denominado veículo do fumacê pulverizar inseticida sobre as pessoas, como aconteceu na popularmente chamada Avenida do Cooper (Mestra Fininha), na tarde da última terça-feira.

O carro trafegava na direção centro-bairro e o jato de inseticida foi jogado – por duas vezes - diretamente nas centenas de pessoas que ali praticavam caminhada ou corrida. Todos tiveram de se proteger daquele cheiro “agoiabado”, utilizando-se das próprias vestes. Um desrespeito.

Pareceu-me pirotecnia gratuita, para mostrar que algo está sendo feito para controlar a epidemia. Mas precisava ser `aquela hora? E’ pouco provável que o mosquito da dengue – o famoso Aedes aegypti – venha a picar quem esteja em movimento.

Bom senso é o que às vezes está faltando...

 

PROFESSOR PODE CURAR ´FERIDA´ NA SERRA

 

Uma carta publicada nesta coluna, há duas semanas, pode ser a solução para aquele desmatamento que desfigurou as encostas da Serra do Ibituruna, promovido pela entidade católica Arautos do Evangelho, com autorização do poder público.

O Professor Ivo das Chagas tenta, faz algum tempo, avistar-se com o Prefeito Luiz Tadeu Leite, com o objetivo de expor a ele um interessante projeto. Pretende criar no município, sem qualquer ônus para os cofres públicos, viveiros de plantas nativas do nosso rico cerrado.

Ora, como aquela área devastada pertence agora ao município, permutada que fora por outro, por que não permitir ao Professor Ivo implantar ali  o referido viveiro, com o compromisso de, a médio prazo, replantar as árvores dali extirpadas?

Fica registrada a sugestão.

 

PREVENÇÃO E COMBATE À CORRUPÇÃO

 

Solenidade de apresentação dos projetos de prevenção e combate à corrupção acontecerá amanhã, quarta-feira, dia 3 de março, às 17h30, no auditório da OAB em Montes Claros (rua Walter Ferreira Barreto, 154 – Ibituruna).

O convite é da OAB/MG (Subseção de Montes Claros), Ministério Público de Minas Gerais e da Arquidiocese de Montes Claros.

Depois da prisão do Governador Arruda, do Distrito Federal – cujo impeachment deverá ser votado hoje, terça-feira – não custa nada acreditar que novos ares de respeito à coisa pública passem a envolver este nosso grande e espoliado país.

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

 

MARIA DA CONSOLAÇÃO FIGUEIREDO COWEN, uma montes-clarense conhecida pelos conterrâneos como Mary Figueiredo, acaba de aposentar-se. O Instituto de Educação da Universidade de Londres e a Embaixada do Brasil, na Inglaterra, mandaram-nos convite para recepção, que aconteceu na tarde-noite da última terça-feira, dia 23, na Galeria 32, em Londres. Ela exercia os cargos de “lektor”, na Universidade, e de Coordenadora Regional para Programas Sul-Americanos, na Embaixada. Mary e’ sócia-honorária da Academia Montes-clarense de Letras.

A CREDIMONTES E O CDL- Câmara de Dirigentes Lojistas – promovem, nos dias 4 e 5 de março, a  10ª edição do Seminário da Mulher Empresária. O objetivo do encontro é  reconhecer a importância da atuação da mulher no comércio varejista, por meio de programação toda voltada para o público alvo, como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher, que ocorre no dia 8.

ZEZINHA DA LOTERIA estava colérica, na última quarta-feira, no Café Galo. Segundo ela, alguns vendedores de bolões da mega-sena, enciumados com o bom conceito de que desfruta junto aos freqüentadores do famoso “ point” montes-clarense, andaram espalhando inverdades a seu respeito. Como não gosto de injustiças, em especial contra pessoas trabalhadeiras como Zezinha, registro aqui a minha indignação com o que falam dessa laboriosa mãe de família. De fato, “só se atiram pedras em árvores que dão frutos...” Vá em frente, Zezinha.

RECEBIDO AGORA NO MEU TWITTER, diretamente do Supremo Tribunal Federal:Ministro Gilmar Mendes anunciou que, dos cerca de 100 mil processos que tramitam na Corte, apenas 1,7% tem mais de quatro anos.” Tenho um lá, com quase essa idade, concluso ao Ministro Joaquim Barbosa...

 

HORA DO RECREIO

 

Pragmatismo filosófico da ação policial

Uma jornalista perguntou a um coronel do BOPE (polícia de elite do Rio de Janeiro) se seria capaz de perdoar os traficantes que derrubaram o helicóptero da PM matando três policiais.
A resposta foi rápida:
 - Eu creio que a tarefa de perdoá-los cabe sempre a Deus. A nossa tarefa é a de promover esse encontro...

 

CARTAS & E-MAILS

Sobre a crônica” Palavras da moda: pura falácia”

1) Ótimo. Muito bom. Uma crônica diferenciada. Mas tem razão. São palavras recorrentes com a falta de objetividade. Parabéns. Simone Simon Paz (Curitiba – PR)

2) Ao denunciar as palavras-clichês você tomou uma "atitude altamente diferenciada”, ‘dando o melhor de si'( tá na moda), 'enfrentando de frente' (Fátima Bernardes JN) a conjuntura desfavorável à prática blá blá blá!". Fraternalmente. J. Estanislau Filho (Contagem – MG)

*Agradeço aos leitores pelos comentários

(PUBLICAÇÃO SOMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS") 

 

 


 Autor: Itamaury Teles
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21/02/2010
O que foi feito da minha Havana?



Faz algumas semanas, escrevi crônica falando da cachaça Havana, de Salinas, e o que aconteceu quando um caminhoneiro solicitou ao “seu” Zé dos Passarim, lá no Brejo, um limão para espremê-lo sobre uma dose daquele preciosíssimo líquido.

Naquela oportunidade – como o meu espaço no jornal é limitado a uma lauda e meia -, prometi contar depois o que acontecera com a Havana que o “seu” Anísio Santiago me presenteara, fazia mais de quinze anos.

Confesso que havia me esquecido da promessa. Todavia, lendo a revista Veja, no último fim de semana, o assunto veio a lume. É que a Havana, hoje comercializada com a marca Anísio Santiago, ocupa o primeiro lugar no “ranking” que a referida revista semanal acaba de divulgar, entre as cachaças envelhecidas. Este fato é motivo de orgulho para Minas Gerais e, em especial, para a região norte-mineira, mesmo porque a segundo colocada também é de Salinas: a Canarinha. Isso num universo de mais de 4 000 marcas dessa bebida, hoje sinônimo de Brasil.

A Havana, além de ser considerada, de há muito, a melhor cachaça do Brasil, é também a mais cara, sendo o seu preço de comercialização maior que o dos melhores whiskeys.

Pois bem. Eu era gerente da Agência Cidade Jardim, do Banco do Brasil, em Belo Horizonte. Naquela época, a agência funcionava em prédio alugado da ABO – Associação Brasileira de Odontologia. Na diretoria da ABO havia um dentista de Salinas (Dr. Murilo), que sempre visitava a cidade natal. E de lá sempre voltava sobraçando preciosa carga: garrafas e mais garrafas de cachaça, para distribuir aos amigos.

Encomendei a ele uma caixa de Havana. Ele me alertara que aquilo era uma missão impossível. O sistemático Anísio Santiago nunca vendia tanta cachaça para um só comprador. Mas ficou de ver o que conseguia...

Na volta, o Dr. Murilo trouxe apenas uma garrafa para mim. E o mais importante: nada me cobrou, porque nada pagara. O “seu” Anísio resolvera presentear aquele gerente quase conterrâneo, de Porteirinha, tão-somente porque meu pai – que também possuíra caminhão e fora um “expert” em mecânica e eletricidade de automóveis -, tinha sido seu velho amigo, desde quando pessoalmente distribuía a sua cachaça pelas cidades da região, em seu Chevrolet Leadmaster 1947.

Guardei a garrafa de Havana que ganhara em local especial, longe do sol e do calor. Sempre que podia, ia ver “como ela estava passando”, em minha modesta adega. Nessas ocasiões, aproveitava para retirar a poeira da garrafa, sacudi-la para contemplar o belo “rosário” de pequenas bolhas que se formavam no gargalo e a guardava novamente, esperando uma data especial para degustá-la com amigos.

Com a ascensão do prestígio social da cachaça, passei a acompanhar a cotação da Havana, em Belo Horizonte. No Mercado Central, havia sempre uma garrafa em exposição numa vitrine e eu lá passava quinzenalmente para ver o preço. Quando superou a casa dos 500 reais, resolvi conferir a garrafa que repousava em meu apartamento. E, péssima surpresa, não mais a encontrei...

Indignado com o desaparecimento da garrafa de Havana, abri sindicância domiciliar, para apurar o paradeiro daquele precioso néctar dos deuses...

Suspeitei da empregada doméstica, mas logo a tirei do rol de possíveis envolvidos naquele “crime”, quando soube que era evangélica e nem sequer pegava em garrafa de cachaça.

Depois de muito investigar, cheguei à conclusão do fim a que deram à minha Havana.

Um dos meus filhos fizera uma farra com colegas de faculdade, no terraço do edifício. Acabada a cerveja, resolveram inovar com uma bebida mais forte. Como nada entendiam de cachaça, pegaram a que acharam disponível no meu estoque – logo a caríssima Havana -, e a misturaram com muito limão, açúcar e água filtrada...

Assim, fizeram com a Havana a mais cara caipirinha do Brasil. Para a alegria deles e para a minha profunda tristeza...

                    e-mail: itamaury@hotmail.com

 


 Autor: Itamaury Teles
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21/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (20.02.2010)


Ilhabela é o paraíso dos veleiros. O vento forte e constante é um convite à prática de esportes náuticos a vela.



Montanhas, florestas, rios, cachoeiras, mar e veleiros: o paraíso é aqui...


DIÁRIO DE BORDO: ILHABELA

 

No dia 30 de janeiro, após navegar 850 milhas náuticas desde Punta Del Este (Uruguai), nosso navio foi ancorado em Ilhabela, no litoral paulista.  Por volta das 10h30, vislumbramos à nossa esquerda a ilha “Laje de Santos”. Aproximadamente ao meio dia, a Ilha de Alcatraz tornou-se visível à nossa direita. A partir das 13h30, iniciamos a navegação turística ao longo do canal de São Sebastião, que divide a cidade homônima da ilha à direita. Às 15 horas, ancoramos em frente à cidade de Ilhabela.

Como acontecera na cidade uruguaia, aqui também o desembarque foi realizado por meio de lanchas de bordo.

Permanecemos na ilha até as 21h30, quando saiu a última lancha em direção ao navio.

 

UMA BELA ILHA

 

Situada na Ilha de São Sebastião, Ilhabela merece o nome que tem. Muitos quilômetros de praia e centenas de cachoeiras que deságuam no Oceano Atlântico transformaram o lugar num dos mais belos do nosso litoral, razão pela qual foi incluída no roteiro dos vários cruzeiros marítimos.

Aqui, o vento sopra com força. Por isso mesmo, os esportes náuticos em barcos a vela são aqui muito praticados.

 

RIO DE JANEIRO: ACORDE, MAS NÃO ERA SONHO

O último trecho do nosso cruzeiro foi em direção ao porto do Rio de Janeiro. Distante 133 milhas náuticas de Ilhabela, a Cidade Maravilhosa foi nosso destino final, após 9 dias e 8 noites de viagem.

Sãos e salvos, desembarcamos com uma certeza: voltaremos, se Deus quiser...

 

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

 

O TWITTER agora é minha nova mania na internet. Não sou um William Bonner da vida, mas já tenho alguns seguidores...

ALDO PEREIRA, talvez o único montes-clarense que viva de teatro na cidade – na condição de ator, autor, diretor e professor no seu Grupo Oficinato -, aniversaria no próximo dia 23, terça-feira. Faço coro com suas filhas Hellen e Emanuelly, desejando ao amigo muita saúde, sorte e sucesso em seus projetos, quando completa 52 anos.

MATHEUS DUARTE, filho do jornalista Alberto Senna Batista (meu ex-colega n’O Jornal de Montes Claros), foi destaque em reportagem de capa na Gazeta do Povo, em Curitiba. Ele é músico, produtor e publicitário, e faz parte do grupo Trivolve.

·         Segundo o autor da matéria, 

Matheus “chegou mineiramente a Curitiba e, aos poucos, vai tomando conta do pedaço. Já com a experiência de bandas e trabalhos anteriores, desembarcou aqui trazendo sua veia de compositor que une rock e MPB, coisa que os mineiros sempre fizeram tão bem.” 

MARIA LUIZA SILVEIRA TELES, nossa confreira na Academia Montes-clarense de Letras, acaba de lançar, pela Editora Vozes, o livro “Filosofia para o ensino médio”. E recebeu elogios rasgados da editora, pela excelente obra, que possivelmente terá lançamento na capital de São Paulo. Parabéns, prima...

 

CARTAS & E-MAILS

Sobre o “Diário de Bordo”

Hummm...muito legal... Estive em Buenos Aires também, mas não fui ao cemitério...
Lembra-se quando foi lá, pela primeira vez, em 1975? Mandou-me um postal que deixou minha mãe levitando rsrsrsrs Você disse que nossa lua-de-mel seria em Buenos Aires... Lembra???
O bom de ver as fotos é acompanhar com o texto. Estou viajando com você, de certa forma... Beijos!!!
M. De Caux (Belo Horizonte – MG)

*Lembro-me bem. Mas o mundo dá tantas voltas, nas patas do meu cavalo...


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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17/02/2010
Madamite aguda



Esconder o que sinto não seria justo com aqueles que me dão a honra de ler meus textos. Embora tenha me manifestado nesse sentido algumas vezes, não custa repetir:  Gosto de receber comentários dos leitores, quer sejam de forma direta, olho no olho,  por cartas – cada vez mais raras – ou por meio eletrônico, via internet – cada vez mais corriqueiro. Elogiando, criticando, sugerindo. Tanto faz.

A bem da verdade, e sem falsa modéstia, com muita freqüência sou agraciado por abordagens pessoais que muito me afagam o ego. Também recebo boa quantidade de correspondência de leitores, oriunda de diversas partes do Brasil, e até de Moçambique, porquanto meus textos – crônicas, em especial – são publicados também em alguns sítios na internet, como no “minaslivre.com”, no “autores.com” e no “recanto das letras”, dentre outros, o que facilita, sobremaneira, a divulgação deles aqui e alhures.

Essas correspondências propiciam verdadeira interação entre leitor-escritor e talvez sejam o principal combustível a por em marcha nossa capacidade criativa, por nos gratificar com a certeza de que não lançamos palavras ao vento, nem pérolas aos porcos...

Agora mesmo, recebi correio eletrônico da leitora Filomena Prates, de Montes Claros, a propósito de “causos médicos” escritos por mim. Conheço-a faz muito tempo. Desde minha época de menino em Porteirinha, quando ela lá chegou, acompanhando seu marido, o Dr. Adão Múcio de Rezende Prates, que fora designado Juiz de Direito da comarca.

Irmã do Monsenhor Alencar e do Francisco Alencar – que transmite uma missa como ninguém – Filomena, esta cearense do Crato, que adotou o norte de Minas como se sua terra fosse, traz, em sua missiva, um novo “causo médico” ocorrido nos anos 60 do século passado.

É com prazer que transcrevo, na íntegra, pela sua objetividade e clareza, o relato da amiga Filomena Prates,  imortal da recém-criada Academia Feminina de Letras de Montes Claros: Ita:  Acabo de ler teu artigo e lembrei-me de um fato que me ocorreu na nossa querida Porteirinha, quando Múcio foi nomeado juiz de lá. Nessa época, eu estava amamentando minha filha de 4 meses. Como não havia banco de leite e a menina não dava conta , comecei  a ter febre sem saber da origem. Chamei a minha amiga Palmyra Telles e ela bem mais experiente falou para Múcio que a febre poderia ser causada pelo excesso do leite retido, mas era conveniente chamar um médico. Múcio saiu correndo e veio sem demora trazendo o Esculápio. Sem me examinar, foi logo diagnosticando que se tratava de um mal que atacava a toda esposa de juiz que  era designado para Porteirinha. As madames, não se acostumando ao desconforto de cidade pequena, arranjavam um meio de sair, inventando uma doença. Múcio explicou para ele, que, sendo eu uma "nordestina" não me aconteceria esse "mal". Foi aí que o sábio discípulo de Hipócrates no alto da sua "competência médica" falou: " Nesse caso, Doutor, é bom ela tomar dois comprimidos de Cibalena e  dois comprimidos de Sonrisal dissolvidos em meio copo d´agua". Múcio riu e falou baixinho ao meu ouvido: "vamos entender essa medicina moderna..."

É isso aí meu amigo, mais "um causo" para tua coleção.   

Com o meu abraço amigo: 
                 Filomena Prates “.

Essa “doença” é a que se poderia classificar de “madamite aguda”, Filomena. Os tempos são outros, felizmente. Seria trágico, não fosse cômico...


 Autor: Itamaury Teles
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9/02/2010
Extremos do sorriso



 

       Repassando os diversos exemplares de escritores montesclarenses expostos na “Barraca do Livro”, na Praça da Matriz, no último domingo, deparei-me com o livro “Extremos do Sorriso” de Edson Ferreira Andrade. Ele é professor, escritor, poeta, teatrólogo (diretor e ator), membro da Academia Montesclarense de Letras. Em “Extremos do Sorriso”, edição autônoma, ele nos deleita com poemas, contos e crônicas. O professor Edson Andrade é autor de “Lidorio e o Papiá”, em literatura de cordel, “Versosvida”, páginas de poesias, e “O momento e eu”, crônicas de viagens.

            Da biografia, apresentada por João Antônio Versiani Filho, extrai-se que o professor Edson Andrade é natural de Montes Claros, graduado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da FUNM, tendo lecionado na Escola Estadual Prof. Plínio Ribeiro, no Colégio São Norberto, no Colégio Padrão e na Aliança Francesa, acumulando as funções de presidente da Associação dos Professores de Francês do Norte de Minas.

            Do Prefácio, por ele mesmo escrito, datado de Recife/PE (05/07/1984), ele, na subjetividade do seu eu, nos diz que “o poeta de si mesmo nada pode dizer de real”. Todavia, ele mesmo afirma que os poetas e as musas são um misto de sonho e de realidade. A poesia, na visão de Sílvio Prado, é “um universo imaginário” e para Alphonsus de Guimaraens Filho a vida do poeta “é mais real que a realidade”. Observa Edson Andrade que “nos não vivemos da poesia, mas também não existiríamos sem ela. É a mulher ruim, infiel e ingrata, néctar porém do nosso corpo e do nosso espírito, amante sem igual, melodia suave a transportar-nos para fora de nós mesmos”. Mas, é ele mesmo quem afirma que “o amor é chama, mas as reminiscências perpetuam-no, na medida em que simbolizam feições e nomes...”

            Suas poesias têm um “que” de Vinicius de Morais, todas são belas. Algumas foram escritas em Paris, outras em Recife, em Maceió, em Montes Claros. Quando se debruça sobre a “Fotografia” ele estava no Museu do Louvre, em Paris, com certeza.

            Comungo com o professor Edson Andrade quando ele afirma que “o modesto é aquele que sofre de uma patologia crônica e incurável, denominada ausência absoluta de personalidade. Se não sou capaz de apreciar minha própria obra, quem o fará por mim? (...) Acredito que poucos leitores têm idéia das dificuldades existentes no campo editorial. Acham muitos que é fácil, levar a público um trabalho de criação própria. Enganam-se. Neste  país, conseguir editar um livro, por menor que seja, torna-se hoje, feito heróico.”

            Os contos “Casal Vinte”, “O Pioneira da Liberdade”, “Verdes Vidas”, “Um certo João Caveira”, “Amor Maior” e “Infernos Particulares” integram e complementam o livro. São narrativas que excitam e emocionam o leitor.

            Suas crônicas são variadas, valendo transcrever parte de “O ato de escrever”. Observa o professor Edson Andrade que:

            “Muito mais do que uma higiene mental, o ato de escrever é o que eu chamaria “pressão do impulso vocacional”. O escritor, o poeta, esses trabalhadores braçais da edificação de construções através e em consequência do signo, só se entregam ao duro labor, quando estão (e isso os diferencia dos demais trabalhadores braçais) inspirados. A inspiração, essa queda livre da vontade de extravasar o muitas vezes inefável e inútil, é a responsável pela insônia e pela agitação do poeta, quando vem trazer à tona de sua imaginação criativa, e por isso mesmo suspeita, alguns fios pendentes de uma meada ainda inexistente, real somente no futuro, caso o ato de escrever se concretize. Uma vez esvaziado o manancial vocabulário e temático, o escritor respira aliviado e enigmático, consciente e iludido da certeza de ter realizado proeza de valor insetimável, o que, por extensão de consequência, “o tornará imortal”, posto que legou ao mundo momentos de sublime e profunda introspecção. Completa-se pois o ato de escrever, que, a título de definição, é a extração ou a libertação de incômoda e ao mesmo tempo agradável tendência donativa. Não se nasce com a aurora harmoniosa do dia, se não se atende ao apelo irredutível da palavra”.

            E complementa dizendo que:

            “Para o escritor, vida significa puxar mistérios para o papel, ora exaltando, ora protestanto, ora fotografando para reportar, ora tomando partido de representação, ora chorando dores sociais, ou simplesmente, e sempre, em todos os minutos e segundos, significa perder-se no horizonte de sua criação, para legar ao mundo, em prosa ou em verso, toda a sua riqueza interior e todo o seu amor pelas causas nobres que perpetuam e justificam a eterna procura.”.

 

           


 Autor: Petrônio Braz
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9/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (09.02.2010)


Pórtico do cemitério da Recoleta (oto Itamaury Teles)

Luxuosos apartamentos circundam o famoso cemitério portenho.

O túmulo da Evita Peron está no mausoléu da Família Duarte e é o mais visitado por argentinos e turistas estrangeiros.

Após quase 60 anos da morte de Evita, as homenagens dos argentinos continuam até hoje...

São muitas as placas afixadas no túmulo de Evita.

As estretas ruas do cemitério contrastam com as largas avenidas portenhas.

Na saída, nova mensagem latina...

"El Caminito" atrai sempre muitos turistas

Poetas e compositores manifestam seus amores pelo local em mensagens nas paredes.



O colorido do casario do “Caminito” chama a atenção dos turistas

Aproveitei a lua quarto crescente e tosei a vasta cabeleira em um "peluqueiro" em La Boca.

O estádio do Boca Júniors, o famoso "La Bombonera" aparece imponente por detrás das casas de La Boca. Não estava aberto a visitações.


DIÁRIO DE BORDO

 

O nosso navio permaneceu atracado no porto fluvial de Buenos Aires até as 17 horas do dia 27 de janeiro.  Durante os dois dias de estadia, aproveitamos para visitar muitos pontos turísticos. Como era minha segunda visita àquela cidade – a primeira fora em 1975, quando o General Jorge Rafael Videla estava no poder – já tinha ideia do que ver e rever.

 

CEMITÉRIO DA RECOLETA

Como ainda não conhecia o famoso Cemitério da Recoleta, fui visitá-lo na tarde do dia 26. O que mais nos chamou a atenção foi o fato de o cemitério estar localizado num dos bairros mais nobres de Buenos Aires. É o mais antigo e aristocrático da cidade.

Incluindo os jardins que o circundam, o campo santo tem quase sessenta mil metros quadrados de área, onde estão sepultados heróis da independência, presidentes da República, militares de alta patente, artista e cientistas.

Contudo, o túmulo mais visitado ali é, sem dúvida, o de Eva Duarte Peron – a pranteada Evita Peron, ex-primeira dama da Argentina, falecida em 1952, de câncer. Descansa no mausoléu da família Duarte. Para achá-lo, tivemos que recorrer ao mapa disponível no hall de entrada do cemitério, já que não havia guia disponível quando lá cheguei.

O cemitério e o bairro têm este nome em decorrência do convento de freis recoletos que ali existiu, até 1822, quando houve reforma geral da Ordem Eclesiástica e consequente expulsão dos monges. A partir de então,  o horto do convento foi transformado em cemitério.

Hoje, ali existem mais de 70 mausoléus que foram declarados  Monumentos Históricos Nacionais.

Muitas urnas funerárias ficam insepultas, dentro dos mausoléus de portas envidraçadas – muitas vezes empilhadas umas sobre as outras -, atiçando a curiosidade dos que passam por suas ruas, avenidas e praças. Cena macabra, para olhos pouco acostumados.

Mas vale a pena conhecer este diferente cemitério, o mais puro amálgama de morte,  praça e museu a céu aberto.

 

LA BOCA E CAMINITO

Fui novamente ao bairro La Boca e contemplamos o colorido do casario no Caminito. Quase todas as casas foram construídas com restos de embarcações de imigrantes italianos. De longe, vimos o La Bombonera, estádio do Boca Júnior, que não fica aberto a visitações. E, como era lua quarto-crescente, aprovei para procurar um “peluqueiro” e tosar minha vasta cabeleira...

 

CARTAS & E-MAILS

Procura-se um buriti

Oportuno o seu interesse [por mudas de buriti]. O professor Ivo das Chagas está pretendendo criar um viveiro de árvores do cerrado aqui em Montes Claros, sem ônus para a Prefeitura, mas não consegue falar com o prefeito Luiz Tadeu Leite, embora já tenha feito inscrição junto ao seu chefe de gabinete por quatro vezes.

Petrônio Braz (petroniobraz@hotmail,com) – Montes Claros.

* A idéia do Prof. Ivo é ótima. Fica registrado o seu apelo, Petrônio. Já consegui algumas mudas.


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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6/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (06.02.2010)


Parada no bairro Recoleta, para refrescar-me do calor argentino de 35 graus.

A Plaza San Martin e seu entorno revelam um pouco da arquitetura portenha.

Mausoléu de José San Martin – libertador da Argentina, do Peru e do Chile -, na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. No dia 25 de maio deste ano, a República Argentina comemorará 200 anos de independência.


DIÁRIO DE BORDO: BUENOS AIRES

 

No dia 26 de janeiro, por volta das 6 da manhã, horário local (uma hora a mais que o horário de verão brasileiro), atracamos no porto fluvial de Buenos Aires, às margens do Rio da Prata.

O nosso primeiro contato em terra foi com a Defensoria do Turista, no hall do próprio porto, onde buscamos informações sobre a capital portenha. Ali, recebemos mapas da parte central da cidade e a localização dos principais pontos turísticos. Também, informações acerca das novas cédulas de 10, 20, 50 e 100 pesos argentinos e dos cuidados para não sermos ludibriados com notas falsas.

Dali, partimos de táxi para a Calle Florida, principal rua de compras em pleno coração da cidade, não muito longe do porto. No primeiro pagamento efetuado ao taxista, este quis nos ludibriar com troco errado em pesos. Depois de nossa reclamação, pagou-nos a diferença sem reclamar.

Embora nossa moeda esteja valorizada em relação ao peso argentino, na proporção de 2 por 1 real, os preços  em Buenos Aires, pelo menos por onde circulam os turistas, não são muito convidativos. Uma cerveja, de 900 ml, é vendida por 30 pesos, ou 15 reais, no bairro Recoleta.

 

ARQUITETURA E METRÔ

 

A capital argentina é uma bela cidade e considerada a mais européia das urbes sul-americanas. Os majestosos edifícios antigos, com arquitetura rica em detalhes externos, fazem-nos lembrar de Londres e de Paris. As avenidas são largas e limpas, como a 9 de julho, considerada a mais larga do mundo, com seu imponente obelisco, na confluência com a Avenida Roque Sáenz Peña.

Embora seja uma das grandes cidades do continente, o movimento de carros e de pessoas não é muito significativo na superfície. O metrô de Buenos Aires –  aqui conhecido por SUBTE (de subterrâneo) – é a causa desse aparente despovoamento. A primeira estação do trem metropolitano foi inaugurada no ano de  1913, sendo a primeira na  America Latina, e uma das mais antigas do mundo.

 

 

CEMITÉRIO DE RECOLETA

 

Na próxima coluna, mostrarei fotos de um dos mais inusitados cemitérios, incrustado no mais luxuoso bairro de Buenos Aires, o Recoleta. Ali, visitamos o túmulo de Eva Duarte Peron, a pranteada ex-primeira-dama Evita Peron. 

 

CARTAS & E-MAILS

NETA DE ZEZINHO DA VIOLA

Itamaury: Estou tentando entrar em contato com a neta de Zezinho da Viola, Anna Patrícia Dias Silva, e não tenho tido sucesso. Estou apelando aos montes-clarenses para me ajudar. Li uma reportagem de Augusto Vieira na internet sobre ele e sobre a neta, como também não consigo encontrá-lo peço socorro a você, quem sabe me dá uma luz. Queria muito encontrá-los para matar um pouco da saudade da Vargem Grande. Agradeço sua atenção. Ana Maria Prates (amhec@uol.com.br).

* Não a conheço, Ana Maria. Mas publico a mensagem, na esperança de que alguém apareça com informações.

 

 


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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5/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (05.02.2010)


No décimo-primeiro andar do MSC Lirica ficam as piscinas, restaurantes, bares, boate e solarium (Foto Itamaury Teles)

Bela tarde carioca. O Pão de Açúcar visto do alto do décimo-segundo andar do MSC Lirica, tendo ao fundo o Corcovado com o Cristo Redentor (Foto Itamaury Teles).


DIÁRIO DE BORDO

 

Escrevo a bordo do MSC Lirica, um enorme transatlântico de bandeira panamenha. O comandante Antônio Siviero, um velho lobo do mar italiano, está no ápice de um organograma que contempla 700 tripulantes. Somos mais de 2000 passageiros – muitos cariocas e mineiros, inclusive montes-clarenses -, por eles denominados de hóspedes, já que este navio é um verdadeiro hotel 5 estrelas, com 12 andares, onde você encontra de tudo: restaurantes, boates, pubs, pizzarias, cyber café, academia de ginástica, piscinas, bares, sorveteria, cassino, teatros, lojas, centro médico, banco, free shop etc, etc. Uma verdadeira cidade flutuante.

 

A SAÍDA

Saímos do Porto do Rio de Janeiro no sábado, 23 de janeiro. A âncora foi levantada às 17 horas e deixamos à esquerda a cidade de Niterói. Já na Baía de Guanabara, um deslumbrante show da Natureza, com o Pão de Açúcar e o Corcovado – com o Cristo Redentor – se alternando como foco das câmeras fotográficas. Também as praias de Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado e Barra da Tijuca encantaram a todos nós, pela beleza plástica, vista de um ponto inusitado para a maioria.

ALTO MAR

Após sair do Rio de Janeiro, tomamos o rumo de Buenos Aires, distante 1010 milhas náuticas. Antes mesmo de o sol se por, fomos convocados para o Exercício de Emergência Geral, pela Ponte de Comando, por meio do serviço de alto-falante. Fomos orientados a ler os procedimentos de emergência, afixados na parte interna das portas das cabines e a seguir, devidamente paramentados com bóias salva-vidas, para o ponto de reunião. Ali, recebemos instruções de como proceder em caso de emergência.

Os dias 24 e 25 de janeiro foram passados em alto mar. Alguns poucos passageiros sentiram ligeira indisposição com o balançar, quase imperceptível, do navio. Nesses dias, entraram em ação os animadores muito profissionais, que transformaram o nosso confinamento em algo parecido a um sonho. Vários shows se sucederam no luxuosíssimo Broadway Theatre. O sentimento geral era de que estávamos havia muito tempo no navio. Dias e noites se fundiam num ritmo frenético, com todos querendo participar de tudo, inclusive das cinco lautas refeições servidas diariamente. Regime de engorda plena...

BUENOS AIRES

No dia 26 de janeiro, por volta das 6 da manhã, horário local (uma hora a mais que o horário de verão brasileiro), atracamos no porto fluvial de Buneos Aires, às margens do Rio da Prata.

A estadia do navio e a nossa permanência na Capital Portenha serão enfocadas na próxima crônica.

See you later...

 CARTAS & E-MAILS

Sobre a crônica “Hóspedes alados”

1)      Amei tua crônica. Sempre pensei que "o rio precisa ser visitado e vez em quando, as árvores gostam que alguém suba nelas, as flores querem ouvir gritos de alegria e palavras de encantamento...", os pássaros também elegem aqueles que querem por perto e nesse estudo que ambos fizeram um do outro, certamente na próxima estação, ele retornará. Quem é eleito por afinidade com um pássaro, "é eternamente responsável por aquilo que cativa".., risos. Obrigada pela leitura, gostei demais. Abraços, Rê. (Rejane Savegnago - Cachoeira do Sul – RS)

2)      Belíssima crônica com sentimentos alados... Beijoss (Rosi Finco – São Paulo – SP)

*Agradeço às leitoras pelas gentis manifestações.

 


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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2/02/2010
Botinas & dentaduras



Ganhei o primeiro dia deste ano ouvindo os causos da Laia, uma corjesuense de fina verve, que poucos conhecem como Maria Eulália Lafetá.  Isso aconteceu sob a sombra de um caramanchão, que recebe os bafejos generosos da aragem brejeira, lá pras bandas da Vaca Brava, pertinho do meu querido Brejo das Almas.

Para recontar um dos seus causos, preciso fazer breve explicação sobre certos costumes impostos pela pobreza à gente humilde sertaneja, em passado não muito remoto. Eram poucos os que tinham dinheiro para comprar um par de sapatos. Viam-se muitas pessoas descalças, com calcanhares rachados pela inclemência do sol abrasador, que atingia a pele grossa dos pés estropiados por tropicões mil.

Outro fato revelador do nosso pauperismo era a falta de dentes. Os dentistas eram poucos no norte de Minas. Além disso, a maioria exercia a profissão como prático, sem qualquer instrução acadêmica, sabendo apenas extrair dentes. Por isso, os banguelas abundavam na região. Havia até quem vendesse dentaduras – novas e usadas, pasmem! -, saindo com um saco cheio delas pela zona rural. O caboclo ia experimentando, uma a uma e vendo se formava um par, mais ou menos ajustado à sua cavidade oral.

Em Montes Claros, um conhecido comerciante vendia de tudo para as pessoas da zona rural: botinas ringideiras, dentaduras, arreios, grampo de cerca, foices, canivetes etc. Pois foi nessa famosa casa comercial que Totonho, vindo de Coração de Jesus, resolveu equipar-se, para participar de uma procissão religiosa. Ele havia vendido uma junta de bois carreiros e deliberou enfeitar pés descalços e boca murcha com botinas e dentaduras.

O vendedor, muito solícito, mostrou ao Totonho as botinas ringideiras  que tanto queria. Experimentando a nova indumentária, Totonho reclamou que elas estavam o apertando nos calcanhares e no dedo mindinho. Como havia poucos pares disponíveis, o vendedor, espertamente, quis garantir a venda:

            - Mas ela lasseia logo. Fica igual uma luva depois de amaciada. Se ficar muito tempo sem uso, é só encher de milho com um pouco d’água. No lugar do dedinho, é só fazer uma cruz com o canivete que alivia. Fica uma beleza!

Resolvida a compra da botina, Totonho quis experimentar as dentaduras. Foi-lhe trazido um saco cheio delas. O vendedor olhou o tamanho da sua boca e o que lhe restara de gengiva e, com prática naquele ramo, escolheu para o Totonho um belo par de dentaduras, com incrustações a ouro.

Totonho pôs na boca, mas achou que estavam apertadas. E o vendedor, para empurrar mais aquele produto, arquitetou nova artimanha, com prontidão:

            - Isso é igual chifre, “seu” Antônio. Só dói no início. Pode levar que o senhor se acostuma logo, logo. Estas são as dentaduras mais bonitas que nós temos...

Assim, Totonho saiu da loja devidamente apetrechado. Mas andava com dificuldades, embora procurasse dissimular que as botinas comiam-lhe o calcanhar, e as dentaduras torturavam-lhe a boca.

No fim da tarde, depois de carregar o andor na procissão, capengava feito um coxo. Era deplorável seu estado físico. Resolveu, então, voltar pra casa na primeira oportunidade.

No pau-de-arara, não abriu a boca nem para mostrar os dentes novos. Remoia-se de dor, num canto da carroceria.  Mas, foi só chegar ao seu destino, tomou uma decisão irrevogável. Foi até o quintal, retirou as botas e as dentaduras torturantes e as jogou no mato, maldizendo o mundo:

- Cês gosta é de cumê, então fica aí cumeno umasanzôta. Meus pé e minha boca, não, suas infusada!

                        (*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Urubu de Gravata” e “Noturno para o sertão”. Já no prelo, “Doce Prejuízo”, a ser lançado em março...

           


 Autor: Itamaury Teles (*)
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21/01/2010
HÓSPEDES ALADOS



Já fui menino de estilingue no pescoço, implacável caçador de passarinhos. Mas hoje, não. Sou chegado a uma relação mais amistosa com os bichos e com a Natureza (com N maiúsculo). Talvez essa minha mudança comportamental tenha sido causada pelo filme russo-japonês “Dersu Uzala”, do diretor Akira Kurosawa, que infundiu em mim profundo respeito à Natureza. Sou outro, depois de tê-lo assistido algumas vezes.

Faz seis meses, mais ou menos, voltei a habitar minha antiga casa em Montes Claros, depois de havê-la reformado. No quintal, algumas transformações deixaram a denominada “área de lazer” mais agradável. Fiz questão de lá afixar um armador de rede, para o meu balangar contemplativo.

Pois bem. Sempre que ali estava, um pássaro vinha se mostrar, todo exibido, cantando do alto da cumeeira da casa do meu vizinho Murilo Maciel. Sei que ele me via e trinava para mim. E eu nem mesmo sabia o seu nome, embora gostasse do seu canto.

Numa ida recente à praia de Itacaré, na Bahia, com um grupo montes-clarense, ouvi um canto que me lembrou do pássaro exibido de Montes Claros. Coincidência ou não, estava na boa companhia do Zé Carlos Maciel, irmão do meu vizinho Murilo. E foi ele, do alto de sua sapiência passarinheira, que me disse o nome daquela canora ave: era um sabiá.

Quando voltei a Montes Claros, o passarinho exibido agora tinha nome. Mas não cantava ainda nas minhas palmeiras – como na Canção do exílio, do Gonçalves Dias -, já que os buritis que plantei agora têm pouco mais de um metro de altura. O sabiá voltou a mostrar-se gorjeando bela melodia, no alto do poste de energia elétrica, em frente à minha casa. Peguei a filmadora e passei a registrar aquele canto. Aí é que ele estufava o peito e trucilava... Parecia querer conquistar-me.

Pois faz quinze dias, estando no meu filosofar vespertino, a bordo da rede cearense, noto certo alvoroço do sabiá no meu entorno. Espiava-me do alto da calha, dava sobrevoos rasantes por cima da rede, pousava no madeiramento do telhado e me fitava ameaçador. Estranhei aqueles novos modos nada amistosos do meu velho conhecido. Mas pude notar que carregava algo no bico. Percebi que, de alguma forma, eu devia estar ameaçando o “seu” território em minha própria casa.

Será que seu ninho estaria por ali e ele precisava alimentar seus filhotes?

Como não me assustei com o seu olhar intimidatório, o sabiá voou até o alto da coluna, onde estava instalado um dos ganchos da rede, e dali vieram piados de filhotes. De fato, eu era um intruso, naquele momento. Peguei minhas coisas e os deixei à vontade para aquela frugal refeição vespertina.

Nos dias seguintes, ao aparar meu cavanhaque, do banheiro sempre ouvia o chilrado dos filhotes, e até as aulas de canto do velho sabiá. Eram apenas quatro notas, talvez para identificar aquela ninhada...

Assim, de uma hora pra outra, minha casa foi invadida por filhotes de sabiá. Um, debaixo do carro na garagem, sempre me espiava quando assistia ao jornal televisivo matinal, com atitude destemida e olhar triste, com a plumagem amarronzada brotando viçosa. Outro, mais atrevido, foi encontrado sobre a mesa de passar roupas, demonstrando que ainda não havia adquirido educação bastante para controlar seu esfíncter anal. Sujara várias camisas lavadas, com o seu estrume ácido.

Ainda bem que são hóspedes fugazes. Procurei-os no ninho, ainda há pouco, e já haviam partido em retirada, para encher de canto o Jardim São Luiz.


 Autor: Itamaury Teles
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17/01/2010
Caleidoscópio: Juízo falso em literatura



 

            Em palestra no Quarteirão do Povo, próximo ao Café Galo, com José Luiz Rodrigues e Ronaldo José de Almeida, na última sexta-feira, por lá passou Mário Mendes de Queiroz, entusiasmado com a publicação de seu livro “Sobrevivência e Fé”, selo da Editora UNIMONTES, mas logo se retirou.

Na conversa, lembrei-me haver lido em Graciliano Ramos ou em Jorge Amado, que nos vapores do rio São Francisco, nos tempos da navegação, jogavam os mortos no rio, fato inverídico e do meu próprio conhecimento, uma vez que vivi os tempos áureos da navegação a vapor pelas águas do Velho Chico, além de injustificável.

Sabe-se que na Índia é costume jogar as cinzas e até mesmo os corpos dos mortos nas águas do Rio Ganges, rio por eles considerado sagrado, como também ocorria em alto mar, nos tempos da navegação a vela e princípios da navegação a vapor, por carência de meios de conservação dos cadáveres.

 Estava quase certo não ter sido em Graciliano Ramos porque ele, em “Vidas Secas” não descreve viagem de flagelados pelo rio São Francisco. A dúvida foi afastada pelo José Luiz Rodrigues, que se lembrou ter sido em “Seara Vermelha”, de Jorge Amado.

Em “Seara Vermelha” Jorge Amado afirma que os corpos dos flagelados mortos, por diarreias e outras doenças, eram jogados no rio para as piranhas comerem. Afirmação inverídica. Todos os dias os vapores passavam por uma cidade e sempre ancoravam em um porto-de-lenha.

Em passagem outra ele afirma que a bordo dos vapores era servido peixe com abundância e muito gorduroso, que provocava diarreias. A bordo dos vapores as refeições eram sempre: arroz, feijão aguado, macarrão, carne cozida, batatinha e, muito raramente, peixe. Como sobremesa uma fatia transparente de goiabada. Durante as viagens não ocorriam pescarias e, nas cidades era sempre mais fácil comprar carne nos açougues, que forneciam recibos. Como os vapores navegavam pelo do rio, Jorge Amado pode ter deduzido ser mais fácil a alimentação com peixe. Ideia de quem não viajou pelo rio, mas não deve ter havido intenção de enganar.

Nas margens do São Francisco e nas próprias embarcações, os barcos a vapor são conhecidos como “vapor” ou “gaiola”, nunca como “navio”, mas Jorge Amado, em “Seara Vermelha”, fala sempre em “navio”, pelo que se conclui que ele não deve ter navegado pelo São Francisco antes de escrever o livro, nem teve o necessário cuidado de pesquisa, para bem informar. Navio é no mar, no rio é vapor ou gaiola.

Três juízos falsos de valores, que não deveria ocorrer, tendo em vista que o escritor é um formador de cultura.

Inverdades são ditas a todo instante. No dia-a-dia da vida ouvimos constantemente as mentiras institucionalizadas dos políticos em tempos de eleições ou das autoridades constituídas, que afirmam sempre que “toda corrupção será apurada” e outras tantas. Há pessoas que mentem descaradamente, até mesmo por hábito. Existem mentiras institucionalizadas, patológicas ou fisiológicas, cabendo ao psiquiatra a solução.

Sherazade inventava histórias para sobreviver. Mas convenhamos que Santo Agostinho declarou que “quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”.

Em razão de suas convicções ideológicas, é possível que Jorge Amado tenha feito estas afirmações para reforçar a sua posição doutrinária ou como mecanismo de conveniência e de estratégia de sucesso, ou mesmo como planejamento político. Valeu a intencionalidade. O propósito dele pode ter sido reforçar a mostra das desigualdades sociais.

A literatura, a leitura de bons livros, tem fundamental importância no processo de aprendizagem. Ela se constitui no conjunto de produções literárias de um país ou de uma determinada época.

Independente dos conceitos ideológicos individualizados, como esclarece Graciliano Ramos, “o artista deve procurar dizer a verdade. Não a grande verdade, naturalmente. Pequenas verdades, essas que são nossas conhecidas."

Todavia, o poeta e ensaísta Marcos Shiffer, observa que “de um escritor, espera-se que ele somente pegue sua caneta, sente-se, concentrado e escreva, desinteressando-se pelo que pensam ou deixam de pensar... tanto dele como do que ele escreveu."


 Autor: Petrônio Braz
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17/01/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (16.01.2010)





GENTILEZA URBANA

 

Há certas atitudes que revelam a educação de um povo ou mesmo a falta dela. Normalmente, ambas saltam aos olhos dos forasteiros, não acostumados com as diferenças comportamentais.

No Rio de Janeiro, por exemplo, quando se anda pelos bairros da Zona Sul, é muito comum sermos surpreendidos com um bom dia dado por um gari ou por um vendedor ambulante. Não estamos acostumados a receber cumprimentos de estranhos, mas ficamos agradavelmente surpresos com o gesto que revela boa educação.

Em Brasília, chama a atenção dos mortais que a visitam a educação dos motoristas, que sempre dão preferência aos pedestres, quando estes querem atravessar uma via pública, como acontece, aliás, nos países de primeiro mundo.

Em Montes Claros, lamentavelmente, o que temos presenciado é o caos urbano. Vamos nos limitar, agora, a falar apenas da deseducação de alguns dos nossos motoristas. Estes jogam o carro sobre pedestres que estão atravessando a rua, na faixa própria;  não observam as placas de parada obrigatória nos cruzamentos; trafegam em velocidade incompatível com o que seria sensato nas vias públicas, colocando em risco a vida humana, principalmente nas avenidas onde os cidadãos procuram praticar a caminhada.

Além dessas evidências de falta do que poderíamos chamar de gentileza urbana, há os motoristas que trafegam com o som no último volume, incomodando os circunstantes. Outros, da mesma tribo, nem sequer se dignam a descer do carro para apertar uma campainha: ficam buzinando freneticamente nas portas, à espera que alguém apareça. O sossego da vizinhança que se dane...

Se todos passassem a respeitar mais o direito dos outros, a situação poderia ser bastante amenizada. Como as mudanças culturais requerem tempo para serem consolidadas, bom seria se cada um de nós fizesse a sua parte. A cidade seria outra, e passaria a ser reconhecida como referência de povo educado, em todos os seus sentidos.

Só depende de nós...

 

IRONIA E ANONIMATO

 

Recebi mensagem eletrônica do leitor “Julio.reb”. Não o conheço e tudo indica estar se utilizando de pseudônimo para ironizar comentário que fiz na semana passada, em defesa da preservação do nosso patrimônio natural, no caso a Serra do Ibituruna, que teve as suas encostas desmatadas.

Ele se manifesta nos seguintes termos: Oh! defensor do patrimônio de Montes Claros. Como não te vi aqui defendendo o antigo Colégio Imaculada, que foi demolido na gestão da atual, onde você estava? Ou a construção daquele elefante branco  (camelódromo) no antigo futuro bosque urbano, onde você estava, defensor do patrimônio? Fala sério. Ou na destruição do parque Guimarães Rosa, para construir a avenida sanitária, onde você estava? Ao meu lado não tava, brigando contra os já e os falastões (sic), assessorados pelo atual sec. planejamento. Parece que tem olhando pro montes claros só recentemente. Olhe de verdade os montes claros.

E ainda a destruição de parte da praça de esportes pra construir aquele camelódromo, onde  estavam? Ou o Hospital Santa Terezinha? Ou seja, há muito Montes Claros se perde, e os defensores são poucos. Um abraço.”

Ao “Júlio.reb” só posso dizer que estava e estou ao lado dos que defendem nosso patrimônio histórico, arquitetônico e natural. Escrevo esta coluna faz pouco mais de um ano, mas sempre manifestei minha opinião neste sentido, em artigos publicados na imprensa. De peito aberto e sem me utilizar de pseudônimos ou do anonimato. Nos meus livros há vários deles, que comprovam a minha luta.

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

PAULINHO ABREU, o novo rei da noite montes-clarense, satisfeito com o excelente movimento na inauguração da nova casa noturna da cidade: a Firebull, no trevo do Aeroporto. O que merece aplauso é a sua preocupação com o sossego da vizinhança. Investiu muito no tratamento acústico e na refrigeração do ambiente. Que seu exemplo seja seguido. Empresário inteligente, que pensa grande, respeita a cidade onde se instala.

UM LOTE NA RUA CRISTÓVÃO COLOMBRO continua sendo usado como local de bota-fora de entulhos. Agora, até a Escola Estadual, ali em frente, aproveitou o local para depositar o resultado da poda de suas árvores. Péssimo exemplo...

AULAS DE IOGA E ATIVIDADES AERÓBICAS vêm sendo ministradas, gratuitamente, todas as tardes no início da Avenida do Cooper. A Secretaria de Esportes e da Juventude acertou em cheio com a iniciativa, que agrada e reúne um número cada vez maior de adeptos. Parabéns.

O TIME DE VÔLEI DO FUNABEM é a grande revelação da Superliga. Nossa cidade vem conquistando excelentes dividendos na mídia, que a projeta nacionalmente. O desempenho do time surpreende aos mais otimistas...

HORA DO RECREIO

Para a sua reflexão:

 

        - Se alguém  chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o  Samurai.
        - A quem  tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
        - O mesmo vale  para a inveja, a raiva, e os  insultos. Quando  não são aceitos,  continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz  interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir. Assim, quem oferece coisas boas colhe coisas boas e quem oferece
coisas ruins desperdiça a própria vida – concluiu o mestre.

 

CARTAS & E-MAILS

 

Palavras da moda

1)    Só espero que a crescente oferta de itens diferenciados não retire do mercado aquelas "coisinhas comuns" que todos gostam de ter. A modernidade pode trazer diversos estilos diferenciados e interessantes, mas alguns retrôs continuam imbatíveis. Além do mais, acredito que o "diferenciado" esteja mais presente no título do que na essência. Desconfio que estamos é pagando um pouco mais por isso... Muito bom seu texto. (Juliana Patrício - Belo Horizonte – MG).

2)    Muito legal! E mostrou ser um bom leitor... Entre palavras e expressões da moda, não gosto do uso excessivo do gerúndio, tão repetitivo e de forma errada... E, por ser bom leitor, que tal se você lesse um trabalho meu? De filosofia... (Marília Borborema – Montes Claros – MG).

* Agradeço-lhes pelas manifestações. Quanto ao trabalho de filosofia, já o estou lendo. Depois darei minha opinião.

 (PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS")


 Autor: Itamaury Teles
Comentários(3)
 


 

Que tal?

- A gente ter um espaço democrático, aberto e sem censura, para a expor nossas idéias, expressar nossos sentimentos?
- A gente emitir e compartilhar opiniões, sem sentimento de culpa, usando essa tribuna livre para criticar, aplaudir, contestar?
- A gente, com a certeza do dever cumprido, contribuir de qualquer forma pela formação das idéias, do caráter e da opinião das pessoas?
- A gente, enfim, viver a generosa dádiva da existência e sorver cada gota com o prazer indescritível de que podemos desfrutar?

Esta é, em síntese, a Certidão de Nascimento do MINASLIVRE.COM.

 
 
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