6/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (06.02.2010)


Parada no bairro Recoleta, para refrescar-me do calor argentino de 35 graus.

A Plaza San Martin e seu entorno revelam um pouco da arquitetura portenha.

Mausoléu de José San Martin – libertador da Argentina, do Peru e do Chile -, na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. No dia 25 de maio deste ano, a República Argentina comemorará 200 anos de independência.


DIÁRIO DE BORDO: BUENOS AIRES

 

No dia 26 de janeiro, por volta das 6 da manhã, horário local (uma hora a mais que o horário de verão brasileiro), atracamos no porto fluvial de Buenos Aires, às margens do Rio da Prata.

O nosso primeiro contato em terra foi com a Defensoria do Turista, no hall do próprio porto, onde buscamos informações sobre a capital portenha. Ali, recebemos mapas da parte central da cidade e a localização dos principais pontos turísticos. Também, informações acerca das novas cédulas de 10, 20, 50 e 100 pesos argentinos e dos cuidados para não sermos ludibriados com notas falsas.

Dali, partimos de táxi para a Calle Florida, principal rua de compras em pleno coração da cidade, não muito longe do porto. No primeiro pagamento efetuado ao taxista, este quis nos ludibriar com troco errado em pesos. Depois de nossa reclamação, pagou-nos a diferença sem reclamar.

Embora nossa moeda esteja valorizada em relação ao peso argentino, na proporção de 2 por 1 real, os preços  em Buenos Aires, pelo menos por onde circulam os turistas, não são muito convidativos. Uma cerveja, de 900 ml, é vendida por 30 pesos, ou 15 reais, no bairro Recoleta.

 

ARQUITETURA E METRÔ

 

A capital argentina é uma bela cidade e considerada a mais européia das urbes sul-americanas. Os majestosos edifícios antigos, com arquitetura rica em detalhes externos, fazem-nos lembrar de Londres e de Paris. As avenidas são largas e limpas, como a 9 de julho, considerada a mais larga do mundo, com seu imponente obelisco, na confluência com a Avenida Roque Sáenz Peña.

Embora seja uma das grandes cidades do continente, o movimento de carros e de pessoas não é muito significativo na superfície. O metrô de Buenos Aires –  aqui conhecido por SUBTE (de subterrâneo) – é a causa desse aparente despovoamento. A primeira estação do trem metropolitano foi inaugurada no ano de  1913, sendo a primeira na  America Latina, e uma das mais antigas do mundo.

 

 

CEMITÉRIO DE RECOLETA

 

Na próxima coluna, mostrarei fotos de um dos mais inusitados cemitérios, incrustado no mais luxuoso bairro de Buenos Aires, o Recoleta. Ali, visitamos o túmulo de Eva Duarte Peron, a pranteada ex-primeira-dama Evita Peron. 

 

CARTAS & E-MAILS

NETA DE ZEZINHO DA VIOLA

Itamaury: Estou tentando entrar em contato com a neta de Zezinho da Viola, Anna Patrícia Dias Silva, e não tenho tido sucesso. Estou apelando aos montes-clarenses para me ajudar. Li uma reportagem de Augusto Vieira na internet sobre ele e sobre a neta, como também não consigo encontrá-lo peço socorro a você, quem sabe me dá uma luz. Queria muito encontrá-los para matar um pouco da saudade da Vargem Grande. Agradeço sua atenção. Ana Maria Prates (amhec@uol.com.br).

* Não a conheço, Ana Maria. Mas publico a mensagem, na esperança de que alguém apareça com informações.

 

 


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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5/02/2010
POR DETRÁS DO MEU RAYBAN (05.02.2010)


No décimo-primeiro andar do MSC Lirica ficam as piscinas, restaurantes, bares, boate e solarium (Foto Itamaury Teles)

Bela tarde carioca. O Pão de Açúcar visto do alto do décimo-segundo andar do MSC Lirica, tendo ao fundo o Corcovado com o Cristo Redentor (Foto Itamaury Teles).


DIÁRIO DE BORDO

 

Escrevo a bordo do MSC Lirica, um enorme transatlântico de bandeira panamenha. O comandante Antônio Siviero, um velho lobo do mar italiano, está no ápice de um organograma que contempla 700 tripulantes. Somos mais de 2000 passageiros – muitos cariocas e mineiros, inclusive montes-clarenses -, por eles denominados de hóspedes, já que este navio é um verdadeiro hotel 5 estrelas, com 12 andares, onde você encontra de tudo: restaurantes, boates, pubs, pizzarias, cyber café, academia de ginástica, piscinas, bares, sorveteria, cassino, teatros, lojas, centro médico, banco, free shop etc, etc. Uma verdadeira cidade flutuante.

 

A SAÍDA

Saímos do Porto do Rio de Janeiro no sábado, 23 de janeiro. A âncora foi levantada às 17 horas e deixamos à esquerda a cidade de Niterói. Já na Baía de Guanabara, um deslumbrante show da Natureza, com o Pão de Açúcar e o Corcovado – com o Cristo Redentor – se alternando como foco das câmeras fotográficas. Também as praias de Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado e Barra da Tijuca encantaram a todos nós, pela beleza plástica, vista de um ponto inusitado para a maioria.

ALTO MAR

Após sair do Rio de Janeiro, tomamos o rumo de Buenos Aires, distante 1010 milhas náuticas. Antes mesmo de o sol se por, fomos convocados para o Exercício de Emergência Geral, pela Ponte de Comando, por meio do serviço de alto-falante. Fomos orientados a ler os procedimentos de emergência, afixados na parte interna das portas das cabines e a seguir, devidamente paramentados com bóias salva-vidas, para o ponto de reunião. Ali, recebemos instruções de como proceder em caso de emergência.

Os dias 24 e 25 de janeiro foram passados em alto mar. Alguns poucos passageiros sentiram ligeira indisposição com o balançar, quase imperceptível, do navio. Nesses dias, entraram em ação os animadores muito profissionais, que transformaram o nosso confinamento em algo parecido a um sonho. Vários shows se sucederam no luxuosíssimo Broadway Theatre. O sentimento geral era de que estávamos havia muito tempo no navio. Dias e noites se fundiam num ritmo frenético, com todos querendo participar de tudo, inclusive das cinco lautas refeições servidas diariamente. Regime de engorda plena...

BUENOS AIRES

No dia 26 de janeiro, por volta das 6 da manhã, horário local (uma hora a mais que o horário de verão brasileiro), atracamos no porto fluvial de Buneos Aires, às margens do Rio da Prata.

A estadia do navio e a nossa permanência na Capital Portenha serão enfocadas na próxima crônica.

See you later...

 CARTAS & E-MAILS

Sobre a crônica “Hóspedes alados”

1)      Amei tua crônica. Sempre pensei que "o rio precisa ser visitado e vez em quando, as árvores gostam que alguém suba nelas, as flores querem ouvir gritos de alegria e palavras de encantamento...", os pássaros também elegem aqueles que querem por perto e nesse estudo que ambos fizeram um do outro, certamente na próxima estação, ele retornará. Quem é eleito por afinidade com um pássaro, "é eternamente responsável por aquilo que cativa".., risos. Obrigada pela leitura, gostei demais. Abraços, Rê. (Rejane Savegnago - Cachoeira do Sul – RS)

2)      Belíssima crônica com sentimentos alados... Beijoss (Rosi Finco – São Paulo – SP)

*Agradeço às leitoras pelas gentis manifestações.

 


 Autor: Itamaury Teles (texto e fotos)
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2/02/2010
Botinas & dentaduras



Ganhei o primeiro dia deste ano ouvindo os causos da Laia, uma corjesuense de fina verve, que poucos conhecem como Maria Eulália Lafetá.  Isso aconteceu sob a sombra de um caramanchão, que recebe os bafejos generosos da aragem brejeira, lá pras bandas da Vaca Brava, pertinho do meu querido Brejo das Almas.

Para recontar um dos seus causos, preciso fazer breve explicação sobre certos costumes impostos pela pobreza à gente humilde sertaneja, em passado não muito remoto. Eram poucos os que tinham dinheiro para comprar um par de sapatos. Viam-se muitas pessoas descalças, com calcanhares rachados pela inclemência do sol abrasador, que atingia a pele grossa dos pés estropiados por tropicões mil.

Outro fato revelador do nosso pauperismo era a falta de dentes. Os dentistas eram poucos no norte de Minas. Além disso, a maioria exercia a profissão como prático, sem qualquer instrução acadêmica, sabendo apenas extrair dentes. Por isso, os banguelas abundavam na região. Havia até quem vendesse dentaduras – novas e usadas, pasmem! -, saindo com um saco cheio delas pela zona rural. O caboclo ia experimentando, uma a uma e vendo se formava um par, mais ou menos ajustado à sua cavidade oral.

Em Montes Claros, um conhecido comerciante vendia de tudo para as pessoas da zona rural: botinas ringideiras, dentaduras, arreios, grampo de cerca, foices, canivetes etc. Pois foi nessa famosa casa comercial que Totonho, vindo de Coração de Jesus, resolveu equipar-se, para participar de uma procissão religiosa. Ele havia vendido uma junta de bois carreiros e deliberou enfeitar pés descalços e boca murcha com botinas e dentaduras.

O vendedor, muito solícito, mostrou ao Totonho as botinas ringideiras  que tanto queria. Experimentando a nova indumentária, Totonho reclamou que elas estavam o apertando nos calcanhares e no dedo mindinho. Como havia poucos pares disponíveis, o vendedor, espertamente, quis garantir a venda:

            - Mas ela lasseia logo. Fica igual uma luva depois de amaciada. Se ficar muito tempo sem uso, é só encher de milho com um pouco d’água. No lugar do dedinho, é só fazer uma cruz com o canivete que alivia. Fica uma beleza!

Resolvida a compra da botina, Totonho quis experimentar as dentaduras. Foi-lhe trazido um saco cheio delas. O vendedor olhou o tamanho da sua boca e o que lhe restara de gengiva e, com prática naquele ramo, escolheu para o Totonho um belo par de dentaduras, com incrustações a ouro.

Totonho pôs na boca, mas achou que estavam apertadas. E o vendedor, para empurrar mais aquele produto, arquitetou nova artimanha, com prontidão:

            - Isso é igual chifre, “seu” Antônio. Só dói no início. Pode levar que o senhor se acostuma logo, logo. Estas são as dentaduras mais bonitas que nós temos...

Assim, Totonho saiu da loja devidamente apetrechado. Mas andava com dificuldades, embora procurasse dissimular que as botinas comiam-lhe o calcanhar, e as dentaduras torturavam-lhe a boca.

No fim da tarde, depois de carregar o andor na procissão, capengava feito um coxo. Era deplorável seu estado físico. Resolveu, então, voltar pra casa na primeira oportunidade.

No pau-de-arara, não abriu a boca nem para mostrar os dentes novos. Remoia-se de dor, num canto da carroceria.  Mas, foi só chegar ao seu destino, tomou uma decisão irrevogável. Foi até o quintal, retirou as botas e as dentaduras torturantes e as jogou no mato, maldizendo o mundo:

- Cês gosta é de cumê, então fica aí cumeno umasanzôta, suas fidumaégua. Ni mim, não!

                        (*) Jornalista e escritor. Autor dos livros “Urubu de Gravata” e “Noturno para o sertão”. Já no prelo, “Doce Prejuízo”, a ser lançado em março...

           


 Autor: Itamaury Teles (*)
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21/01/2010
HÓSPEDES ALADOS



Já fui menino de estilingue no pescoço, implacável caçador de passarinhos. Mas hoje, não. Sou chegado a uma relação mais amistosa com os bichos e com a Natureza (com N maiúsculo). Talvez essa minha mudança comportamental tenha sido causada pelo filme russo-japonês “Dersu Uzala”, do diretor Akira Kurosawa, que infundiu em mim profundo respeito à Natureza. Sou outro, depois de tê-lo assistido algumas vezes.

Faz seis meses, mais ou menos, voltei a habitar minha antiga casa em Montes Claros, depois de havê-la reformado. No quintal, algumas transformações deixaram a denominada “área de lazer” mais agradável. Fiz questão de lá afixar um armador de rede, para o meu balangar contemplativo.

Pois bem. Sempre que ali estava, um pássaro vinha se mostrar, todo exibido, cantando do alto da cumeeira da casa do meu vizinho Murilo Maciel. Sei que ele me via e trinava para mim. E eu nem mesmo sabia o seu nome, embora gostasse do seu canto.

Numa ida recente à praia de Itacaré, na Bahia, com um grupo montes-clarense, ouvi um canto que me lembrou do pássaro exibido de Montes Claros. Coincidência ou não, estava na boa companhia do Zé Carlos Maciel, irmão do meu vizinho Murilo. E foi ele, do alto de sua sapiência passarinheira, que me disse o nome daquela canora ave: era um sabiá.

Quando voltei a Montes Claros, o passarinho exibido agora tinha nome. Mas não cantava ainda nas minhas palmeiras – como na Canção do exílio, do Gonçalves Dias -, já que os buritis que plantei agora têm pouco mais de um metro de altura. O sabiá voltou a mostrar-se gorjeando bela melodia, no alto do poste de energia elétrica, em frente à minha casa. Peguei a filmadora e passei a registrar aquele canto. Aí é que ele estufava o peito e trucilava... Parecia querer conquistar-me.

Pois faz quinze dias, estando no meu filosofar vespertino, a bordo da rede cearense, noto certo alvoroço do sabiá no meu entorno. Espiava-me do alto da calha, dava sobrevoos rasantes por cima da rede, pousava no madeiramento do telhado e me fitava ameaçador. Estranhei aqueles novos modos nada amistosos do meu velho conhecido. Mas pude notar que carregava algo no bico. Percebi que, de alguma forma, eu devia estar ameaçando o “seu” território em minha própria casa.

Será que seu ninho estaria por ali e ele precisava alimentar seus filhotes?

Como não me assustei com o seu olhar intimidatório, o sabiá voou até o alto da coluna, onde estava instalado um dos ganchos da rede, e dali vieram piados de filhotes. De fato, eu era um intruso, naquele momento. Peguei minhas coisas e os deixei à vontade para aquela frugal refeição vespertina.

Nos dias seguintes, ao aparar meu cavanhaque, do banheiro sempre ouvia o chilrado dos filhotes, e até as aulas de canto do velho sabiá. Eram apenas quatro notas, talvez para identificar aquela ninhada...

Assim, de uma hora pra outra, minha casa foi invadida por filhotes de sabiá. Um, debaixo do carro na garagem, sempre me espiava quando assistia ao jornal televisivo matinal, com atitude destemida e olhar triste, com a plumagem amarronzada brotando viçosa. Outro, mais atrevido, foi encontrado sobre a mesa de passar roupas, demonstrando que ainda não havia adquirido educação bastante para controlar seu esfíncter anal. Sujara várias camisas lavadas, com o seu estrume ácido.

Ainda bem que são hóspedes fugazes. Procurei-os no ninho, ainda há pouco, e já haviam partido em retirada, para encher de canto o Jardim São Luiz.


 Autor: Itamaury Teles
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17/01/2010
Caleidoscópio: Juízo falso em literatura



 

            Em palestra no Quarteirão do Povo, próximo ao Café Galo, com José Luiz Rodrigues e Ronaldo José de Almeida, na última sexta-feira, por lá passou Mário Mendes de Queiroz, entusiasmado com a publicação de seu livro “Sobrevivência e Fé”, selo da Editora UNIMONTES, mas logo se retirou.

Na conversa, lembrei-me haver lido em Graciliano Ramos ou em Jorge Amado, que nos vapores do rio São Francisco, nos tempos da navegação, jogavam os mortos no rio, fato inverídico e do meu próprio conhecimento, uma vez que vivi os tempos áureos da navegação a vapor pelas águas do Velho Chico, além de injustificável.

Sabe-se que na Índia é costume jogar as cinzas e até mesmo os corpos dos mortos nas águas do Rio Ganges, rio por eles considerado sagrado, como também ocorria em alto mar, nos tempos da navegação a vela e princípios da navegação a vapor, por carência de meios de conservação dos cadáveres.

 Estava quase certo não ter sido em Graciliano Ramos porque ele, em “Vidas Secas” não descreve viagem de flagelados pelo rio São Francisco. A dúvida foi afastada pelo José Luiz Rodrigues, que se lembrou ter sido em “Seara Vermelha”, de Jorge Amado.

Em “Seara Vermelha” Jorge Amado afirma que os corpos dos flagelados mortos, por diarreias e outras doenças, eram jogados no rio para as piranhas comerem. Afirmação inverídica. Todos os dias os vapores passavam por uma cidade e sempre ancoravam em um porto-de-lenha.

Em passagem outra ele afirma que a bordo dos vapores era servido peixe com abundância e muito gorduroso, que provocava diarreias. A bordo dos vapores as refeições eram sempre: arroz, feijão aguado, macarrão, carne cozida, batatinha e, muito raramente, peixe. Como sobremesa uma fatia transparente de goiabada. Durante as viagens não ocorriam pescarias e, nas cidades era sempre mais fácil comprar carne nos açougues, que forneciam recibos. Como os vapores navegavam pelo do rio, Jorge Amado pode ter deduzido ser mais fácil a alimentação com peixe. Ideia de quem não viajou pelo rio, mas não deve ter havido intenção de enganar.

Nas margens do São Francisco e nas próprias embarcações, os barcos a vapor são conhecidos como “vapor” ou “gaiola”, nunca como “navio”, mas Jorge Amado, em “Seara Vermelha”, fala sempre em “navio”, pelo que se conclui que ele não deve ter navegado pelo São Francisco antes de escrever o livro, nem teve o necessário cuidado de pesquisa, para bem informar. Navio é no mar, no rio é vapor ou gaiola.

Três juízos falsos de valores, que não deveria ocorrer, tendo em vista que o escritor é um formador de cultura.

Inverdades são ditas a todo instante. No dia-a-dia da vida ouvimos constantemente as mentiras institucionalizadas dos políticos em tempos de eleições ou das autoridades constituídas, que afirmam sempre que “toda corrupção será apurada” e outras tantas. Há pessoas que mentem descaradamente, até mesmo por hábito. Existem mentiras institucionalizadas, patológicas ou fisiológicas, cabendo ao psiquiatra a solução.

Sherazade inventava histórias para sobreviver. Mas convenhamos que Santo Agostinho declarou que “quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”.

Em razão de suas convicções ideológicas, é possível que Jorge Amado tenha feito estas afirmações para reforçar a sua posição doutrinária ou como mecanismo de conveniência e de estratégia de sucesso, ou mesmo como planejamento político. Valeu a intencionalidade. O propósito dele pode ter sido reforçar a mostra das desigualdades sociais.

A literatura, a leitura de bons livros, tem fundamental importância no processo de aprendizagem. Ela se constitui no conjunto de produções literárias de um país ou de uma determinada época.

Independente dos conceitos ideológicos individualizados, como esclarece Graciliano Ramos, “o artista deve procurar dizer a verdade. Não a grande verdade, naturalmente. Pequenas verdades, essas que são nossas conhecidas."

Todavia, o poeta e ensaísta Marcos Shiffer, observa que “de um escritor, espera-se que ele somente pegue sua caneta, sente-se, concentrado e escreva, desinteressando-se pelo que pensam ou deixam de pensar... tanto dele como do que ele escreveu."


 Autor: Petrônio Braz
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17/01/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (16.01.2010)





GENTILEZA URBANA

 

Há certas atitudes que revelam a educação de um povo ou mesmo a falta dela. Normalmente, ambas saltam aos olhos dos forasteiros, não acostumados com as diferenças comportamentais.

No Rio de Janeiro, por exemplo, quando se anda pelos bairros da Zona Sul, é muito comum sermos surpreendidos com um bom dia dado por um gari ou por um vendedor ambulante. Não estamos acostumados a receber cumprimentos de estranhos, mas ficamos agradavelmente surpresos com o gesto que revela boa educação.

Em Brasília, chama a atenção dos mortais que a visitam a educação dos motoristas, que sempre dão preferência aos pedestres, quando estes querem atravessar uma via pública, como acontece, aliás, nos países de primeiro mundo.

Em Montes Claros, lamentavelmente, o que temos presenciado é o caos urbano. Vamos nos limitar, agora, a falar apenas da deseducação de alguns dos nossos motoristas. Estes jogam o carro sobre pedestres que estão atravessando a rua, na faixa própria;  não observam as placas de parada obrigatória nos cruzamentos; trafegam em velocidade incompatível com o que seria sensato nas vias públicas, colocando em risco a vida humana, principalmente nas avenidas onde os cidadãos procuram praticar a caminhada.

Além dessas evidências de falta do que poderíamos chamar de gentileza urbana, há os motoristas que trafegam com o som no último volume, incomodando os circunstantes. Outros, da mesma tribo, nem sequer se dignam a descer do carro para apertar uma campainha: ficam buzinando freneticamente nas portas, à espera que alguém apareça. O sossego da vizinhança que se dane...

Se todos passassem a respeitar mais o direito dos outros, a situação poderia ser bastante amenizada. Como as mudanças culturais requerem tempo para serem consolidadas, bom seria se cada um de nós fizesse a sua parte. A cidade seria outra, e passaria a ser reconhecida como referência de povo educado, em todos os seus sentidos.

Só depende de nós...

 

IRONIA E ANONIMATO

 

Recebi mensagem eletrônica do leitor “Julio.reb”. Não o conheço e tudo indica estar se utilizando de pseudônimo para ironizar comentário que fiz na semana passada, em defesa da preservação do nosso patrimônio natural, no caso a Serra do Ibituruna, que teve as suas encostas desmatadas.

Ele se manifesta nos seguintes termos: Oh! defensor do patrimônio de Montes Claros. Como não te vi aqui defendendo o antigo Colégio Imaculada, que foi demolido na gestão da atual, onde você estava? Ou a construção daquele elefante branco  (camelódromo) no antigo futuro bosque urbano, onde você estava, defensor do patrimônio? Fala sério. Ou na destruição do parque Guimarães Rosa, para construir a avenida sanitária, onde você estava? Ao meu lado não tava, brigando contra os já e os falastões (sic), assessorados pelo atual sec. planejamento. Parece que tem olhando pro montes claros só recentemente. Olhe de verdade os montes claros.

E ainda a destruição de parte da praça de esportes pra construir aquele camelódromo, onde  estavam? Ou o Hospital Santa Terezinha? Ou seja, há muito Montes Claros se perde, e os defensores são poucos. Um abraço.”

Ao “Júlio.reb” só posso dizer que estava e estou ao lado dos que defendem nosso patrimônio histórico, arquitetônico e natural. Escrevo esta coluna faz pouco mais de um ano, mas sempre manifestei minha opinião neste sentido, em artigos publicados na imprensa. De peito aberto e sem me utilizar de pseudônimos ou do anonimato. Nos meus livros há vários deles, que comprovam a minha luta.

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

PAULINHO ABREU, o novo rei da noite montes-clarense, satisfeito com o excelente movimento na inauguração da nova casa noturna da cidade: a Firebull, no trevo do Aeroporto. O que merece aplauso é a sua preocupação com o sossego da vizinhança. Investiu muito no tratamento acústico e na refrigeração do ambiente. Que seu exemplo seja seguido. Empresário inteligente, que pensa grande, respeita a cidade onde se instala.

UM LOTE NA RUA CRISTÓVÃO COLOMBRO continua sendo usado como local de bota-fora de entulhos. Agora, até a Escola Estadual, ali em frente, aproveitou o local para depositar o resultado da poda de suas árvores. Péssimo exemplo...

AULAS DE IOGA E ATIVIDADES AERÓBICAS vêm sendo ministradas, gratuitamente, todas as tardes no início da Avenida do Cooper. A Secretaria de Esportes e da Juventude acertou em cheio com a iniciativa, que agrada e reúne um número cada vez maior de adeptos. Parabéns.

O TIME DE VÔLEI DO FUNABEM é a grande revelação da Superliga. Nossa cidade vem conquistando excelentes dividendos na mídia, que a projeta nacionalmente. O desempenho do time surpreende aos mais otimistas...

HORA DO RECREIO

Para a sua reflexão:

 

        - Se alguém  chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o  Samurai.
        - A quem  tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
        - O mesmo vale  para a inveja, a raiva, e os  insultos. Quando  não são aceitos,  continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz  interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir. Assim, quem oferece coisas boas colhe coisas boas e quem oferece
coisas ruins desperdiça a própria vida – concluiu o mestre.

 

CARTAS & E-MAILS

 

Palavras da moda

1)    Só espero que a crescente oferta de itens diferenciados não retire do mercado aquelas "coisinhas comuns" que todos gostam de ter. A modernidade pode trazer diversos estilos diferenciados e interessantes, mas alguns retrôs continuam imbatíveis. Além do mais, acredito que o "diferenciado" esteja mais presente no título do que na essência. Desconfio que estamos é pagando um pouco mais por isso... Muito bom seu texto. (Juliana Patrício - Belo Horizonte – MG).

2)    Muito legal! E mostrou ser um bom leitor... Entre palavras e expressões da moda, não gosto do uso excessivo do gerúndio, tão repetitivo e de forma errada... E, por ser bom leitor, que tal se você lesse um trabalho meu? De filosofia... (Marília Borborema – Montes Claros – MG).

* Agradeço-lhes pelas manifestações. Quanto ao trabalho de filosofia, já o estou lendo. Depois darei minha opinião.

 (PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS")


 Autor: Itamaury Teles
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9/01/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (09.01.2010)





OLHAI BEM OS MONTES CLAROS

 

Pela terceira vez, faço uso deste título em crônica/artigo na imprensa. Nas vezes anteriores, reclamei do descaso com o patrimônio histórico e arquitetônico da cidade, em virtude da então iminente derrubada do antigo prédio do Ginásio Diocesano e com a transformação do edifício do Cine e Teatro Fátima em loja de departamentos, desfigurando sua bela fachada frontal – quando reunia plenas condições de abrigar o nosso tão acalentado Teatro Municipal.

Não bastassem essas aberrações, agora agridem o nosso patrimônio natural, mutilando as encostas da Serra do Ibituruna, para lá construir um templo católico, sob os auspícios da Associação Arautos do Evangelho.

O assunto vem sendo alvo de acaloradas discussões. Umas giram em torno de quem teria dado autorização para a referida obra: se na administração do ex-Prefeito Athos Avelino ou se na atual, do Prefeito Luiz Tadeu Leite. Outras enfocam o aspecto legal, porquanto buscam amparo  para justificar o ato administrativo  que autorizou fosse feita  terraplanagem em suposta área de preservação ambiental, com supressão de vegetação em que incluía sete aroeiras.

O que se percebe, pela análise dos documentos trazidos ao conhecimento público, é que há um jogo de empurra, cada órgão querendo dar uma de Pilatos, lavando as próprias mãos, para livrar-se do malfeito.

Conquanto a documentação para a terraplanagem feita esteja aparentemente em conformidade com as exigências legais, isso não basta. Necessário se torna o exame do ato administrativo em si, para verificar-se o cumprimento dos seus requisitos básicos, principalmente o da competência. Isso porque, nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para tal. A competência, como se sabe, resulta de lei. Se existe o poder, ele é vinculado ao que está expresso em lei ou discricionário, dentro de certos limites impostos pela norma legal? Tudo precisa ser examinado...

Neste particular, bom seria o órgão do Ministério Público manifestar-se sobre o assunto, porquanto todo ato emanado de agente incompetente (sem poder legal) ou realizado além do limite de que dispõe a autoridade competente é inválido.

Não deixa de ser uma esperança para vermos esse abominável ato administrativo  ser considerado nulo, por não objetivar o interesse público. 

E será que há interesse público nessa agressão aos nossos “Montes Claros”, passível de provocar desmoronamentos que ceifarão vidas?

Lembrem-se: Angra dos Reis ainda enterra seus mortos...

 

RECADASTRAMENTO PROVOCA CORRIDA

 

Os Cartórios Eleitorais de Montes Claros têm recebido nos últimos dias um significativo número de questionamentos dos eleitores sobre a propaganda do recadastramento biométrico que vem sendo veiculada pelas emissoras de rádio e TV. Isso se deve ao fato de a propaganda não fazer a devida ressalva, para indicar que se trata de um projeto envolvendo apenas quatro municípios mineiros: Curvelo, Pará de Minas, ponte Nova e São João Del Rey.

Nesta primeira etapa – que contempla 51 municípios brasileiros -, haverá revisão do eleitorado, com identificação biométrica, visando à atualização dos dados, com a coleta de fotografia e impressão digital do eleitor.

Sem dúvida, tal recadastramento contribuirá para uma maior segurança na identificação do eleitor no momento do voto, evitando-se possíveis fraudes.

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

 

UMBERTO PAULINO COLARES, funcionário aposentado do Banco do Nordeste, acaba de lançar o livro “Riacho dos Machados: recanto de sonhos, saudades e poesias”, que me chega às mãos, com gentil dedicatória. Resultado de pesquisa e de vivência do autor, um grão-mogolense cujo coração sempre pertenceu a Riacho...

ECO DO SILÊNCIO  é o terceiro romance da lavra ilustrada do meu amigo escritor Ronaldo José de Almeida, em que mescla fatos reais com ficção, retratando a violência da Guerrilha do Araguaia. A seguir nesse ritmo, Ronaldo se tornará o mais prolífico romancista desta parte do Estado. Por puro mérito. Parabéns, amigo.

ADMIRO o trabalho corajoso do jornalista investigativo Fábio Oliva. A história de Januária poderá ser contada antes e depois do Fábio, que é como um cão-de-guarda em defesa dos interesses públicos. Se o prefeito não andar na linha, ele denuncia, com firmeza e responsabilidade...

MÁRIO MALVEIRA, ou simplesmente Marinho, era amigo fraternal. Dormiu e não mais acordou. Alma boníssima, morreu mansa e placidamente, como Deus reserva aos justos. Fiquei triste com a perda. Descanse em paz, amigo.

 

HORA DO RECREIO

A riqueza depois dos 40

"Nunca pensei que a partir dos 40 pudéssemos ter uma riqueza tão
grande! Prata nos cabelos, ouro nos dentes, pedras nos rins, açúcar no sangue,
chumbo nos pés, ferro nas articulações... e uma fonte inesgotável de gás
natural! “

(Recebido  de um leitor, que pediu anonimato)

 

CARTAS & E-MAILS

Assunto: PALAVRAS DA MODA

Prof. Itamaury,

Achei interessante o seu artigo sobre "Palavras da moda: pura falácia".
Coincidentemente, na mesma edição, a matéria" - Mata Seca - "TRATAMENTO DIFERENCIADO", confirma sua opinião sobre o uso cansativo do adjetivo diferenciado. Só para seu conhecimento, clubes de futebol só contratam jogadores diferenciados. Segundo fiquei sabendo, em Porteirinha você era um craque diferenciado. Outra palavra muito usada pelos tecnocratas de plantão é: PARADIGMA.
Um abraço.
Gerson R. Duarte (
gerson-duarte@ig.com.br – Belo Horizonte – MG)

* Gostei, Gérson.

Vamos ver se a gente colocando o "dedo na ferida" as pessoas dão descanso ao nosso ouvido...

Abraços, amigo.

 


 Autor: Itamaury Teles
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9/01/2010
Cozinhar, lavar, passar, varrer...



 

Li, recentemente, interessante artigo de autoria de Marília Novais da Mata Machado, belo-horizontina doutora pela Universidade de Paris, em que destaca paradoxo na luta feminista: “à medida que (...) [a mulher] se torna auto-suficiente, mais ela se aproxima do fracasso, presa na teia de sua incapacidade de obter ajuda, tão senhora de si parece ser.”

Os tempos estão mudando. Nota-se, de forma discreta, movimento contrário ao “women’s Lib”, que feministas de sovaco cabeludo e barba por fazer defendiam, portando estandartes pelas ruas movimentadas das capitais européias e norte-americanas. Os problemas e reivindicações daquelas mulheres são bem diferentes dos elencados pelas brasileiras.

Talvez em razão dessa constatação, as mulheres tupiniquins vêm chegando à conclusão de que a denominada libertação feminina está, na realidade, as escravizando, porquanto continuam com as tarefas domésticas antigas e mais as novas, ombreando com os homens no concorrido mercado de trabalho, que as estressam e nelas vêm provocando doenças coronarianas.

Digo isso porque a crônica que escrevi, intitulada “Prosaicas academias”- atestando que antes as mulheres tinham os corpos naturalmente torneados nas academias domésticas, socando pilão, atalhando frango, lavando e passando roupa, encerando o piso, vasculhando tetos e retirando água de cisternas – não teve a reação irada que eu esperava do público feminino. Claro que sabia ser o tema bastante polêmico e, por isso, fiz intróito preparando o espírito daquelas que pudessem se insurgir contra mim, nesse pantanoso terreno.

Com efeito, a leitora e amiga Carmem Lúcia Antunes Marques, de Montes Claros, mandou-me comentário que de certa forma tranqüilizou-me, na medida em que dizia haver eu conseguido “falar de tema tão ‘contraditório’ sem que nos sintamos ofendidas com o “machismo entre linhas...”. Além disso, concordou comigo, afirmando que “antes ‘a gente era feliz e não sabia...’  Tínhamos o exemplo de nossas mães, avós e tias,  que não viveram esse culto a beleza nas academias de hoje! Eu sou suspeita pra falar, porque detesto... ufa!! Mas ainda não fiz da caminhada um hábito. Gostei, mas vai ter gente contra isso. Isso vai!! “.

De São Paulo – SP, recebi outro comentário, da escritora Santiago, colega do site “Autores.com”, que considerou a crônica “muito boa” e ratificou ser “pura verdade que assim era há alguns anos atrás”, mas pondera ser “agora melhor”. E finaliza: “E quanto aos homens pedalarem a nova engenhoca [uma bicicleta com dínamo, que carrega bateria e permite assistir às novelas com a energia acumulada; e a bicilavadora, que funciona à base de pedaladas em bicicleta sem rodas] é uma maravilha. Pelo menos não vão ficar sentados nas poltronas pedindo cervejinha e petisquinhos pra assistirem a chatice do futebol.”

O único homem a manifestar-se foi Fernando Giomo, de Campinas-SP, que considerou o texto “muito bom” e concluiu: “Vê-se que você conhece do riscado, do presente e do passado”.

Agora, o que mais me tranqüilizou nesse ensaio foi a leitura de uma entrevista na revista VEJA, de 4.11.2009 – quinze dias após a publicação da minha crônica. Nela,  a repórter Sandra Brasil conversa com a paranaense Kesiah Visioli, 33 anos, casada, mãe de um menino de 5 anos, eleita “a dona de casa mais bonita do Brasil”em um concurso de TV.

Perguntada como consegue “manter esse corpão”, Kesiah respondeu sem vacilar: “Meu único exercício é trabalhar em casa: cozinho, lavo, passo roupa e varro. Faço tudo sozinha.”

Mas, para que não me rotulem de machista – ou macho chauvinista -, o que vale para as mulheres prevalece também para os homens, que estamos cada vez mais obesos.

E como as mulheres reclamam por fazerem tudo sozinhas, por que não dividir com elas certas tarefas domésticas? Principalmente as mais pesadas, para tornear nossos bíceps e tríceps?    Eu fico com o socar pilão e tirar água da cisterna...

 

 


 Autor: Itamaury Teles
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4/01/2010
Cachaça com limão



A nossa cachaça vem conquistando o status de bebida destilada mais saborosa do mundo. Tipicamente brasileira, é a única que pode – pelo seu bom paladar - ser degustada “in natura”, sem qualquer aditivo. O que não acontece com a tequila mexicana – que requer sal e limão –, com o whisky escocês ou com a vodka russa, que pedem generosos acréscimos de gelo ou outras substâncias capazes de torná-los palatáveis.

Não falo, evidentemente, das fubúias da vida, das “curraleiras” ou das “babadinhas” tão a gosto de bebuns inveterados, para os quais todas são boas. Estes, dependendo das circunstâncias, tomam até perfume ou desodorante, por conterem álcool.

Falo das cachaças de qualidade, elaboradas sob rigoroso controle do processo. Essas são muito boas e estão conquistando o mundo, embora nossa produção seja incipiente. Para se ter idéia, Minas Gerais – terra da cachaça de qualidade – é Estado importador, pois consome muito mais cachaça do que consegue produzir.

Como cachaçólogo militante, pois cachaceiro é termo pejorativo, ando colecionando causos ligados à cachaça, que é uma das palavras recordistas em sinônimos na língua portuguesa – são exatos 422, no Dicionário Houaiss. Desde aquela-que-matou-o-guarda, passando por assovio-de-cobra, arrebenta-peito, cobertor-de-pobre, faz-xodó, engasga-gato, maçaranduba, isbelique, apaga-tristeza, lágrima-de-virgem, salsaparrilha-de-brístol, urina-de-santo até  zuninga. E olhe que não consta nem fubúia nem babadinha...

Falando em cachaça, lembrei-me de “seu” Zé dos Passarim, um bodegueiro do nosso querido Brejo das Almas, quando lá morei em 1974. Naquela época, o Sr. Anísio Santiago – saudoso fabricante da hoje famosa cachaça Havana, de Salinas – entregava, pessoalmente, a sua produção aos pontos de venda, dirigindo o seu velho caminhão Chevrolet Leadmater 1947. “Seu” Zé dos Passarim tinha prazer em servir aquela bebida de qualidade aos fregueses do seu botequim. A Havana ainda não tinha a fama que tem. Era apenas uma das boas cachaças salinenses.

Um dia, entra um caminhoneiro na venda do “seu” Zé e pede uma “da boa”. Para agradar o forasteiro, que precisava sair dali com a melhor das impressões, “seu” Zé o serviu com uma generosa dose da Havana. Com o copo de fundo grosso servido, o cliente fez uma solicitação que desgostou o sistemático dono do boteco:

            - Me dê um limão aí, “seu” Zé...

“Seu” Zé dos Passarim não falou nada. Apenas agiu, em respeito àquele precioso líquido amarelo-ouro, envelhecido em tonéis de madeiras especiais. Pegou o copo e devolveu o líquido para a garrafa, sob o olhar assustado do cliente.

            - Que é isso, “seu” Zé?

            - Se você quiser tomar cachaça com limão, vá tomar noutro lugar. Nesta Havana aqui, não admito mistura – retrucou furioso o “seu” Zé.

E foi assim que a Havana ficou famosa. De boca em boca, espraiou fama pelo mundo afora...


 Autor: Itamaury Teles
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27/12/2009
Doce melodia do Cine Fátima



Quando escrevi sobre as matinês do Cine Fátima, recordei, saudoso, do prefixo musical que antecedia o início das projeções cinematográficas. Aliás, cometi aquela crônica – como o faço agora – embalado  pelo som dolente de um piano grave, acompanhado por percussão suave e dizia, então, que a melodia chamava-se “Doucement”.

Depois de publicado referido texto, no livro “Noturno para o sertão”, algumas pessoas procuraram-me solicitando cópia do CD, que afirmara haver recebido de presente do amigo e escritor Ronaldo José de Almeida. Diziam querer a cópia tão-somente para recordar daquela canção que nos marcou a todos, naquele momento mágico da transformação do ambiente de iluminado para escuro, passando por tênues nuances coloridas oriundas das arandelas  laterais e dos “spots” localizados acima da cortina que cobria a grande tela em dimensão cinemascope.

Recentemente, recebi mensagem dando conta que a leitora Maria Clara Figueiredo achara um erro no meu livro, justamente na crônica sobre as matinês do Cine Fátima. Segundo ela, o nome da melodia do prefixo não era “Doucement”, mas sim “La petit fleur”...

Fiquei intrigado e voltei à minha fonte de informações: o próprio Ronaldo. Este, do Café Galo mesmo, ligou para sua mulher e pediu-lhe que olhasse o nome do prefixo, na capa do LP (Long Play), de Jean Paques... Logo a seguir, veio nova informação. Não era “La petit fleur”, mas sim “Vous que passez sanz me voir”...

De posse dos dois novos nomes, voltei pra casa com um só objetivo: pesquisar as duas melodias no YouTube (um site de busca de imagens e  clips musicais, na internet). Encontrei as duas canções, mas nenhuma era o famoso prefixo do Cine Fátima, como eu o conhecia...

Voltei ao Ronaldo e ele, novamente, ligou para sua casa. De lá veio uma nova informação: chamava-se “Safety melody”.  Pesquisei novamente no YouTube, sem sucesso. Não havia registro algum de música com este nome, mesmo pesquisando em conjunto com o nome do autor do Long Play, Jean Paques...

Mas, como não sou de deixar tema de tamanha importância de lado, continuei procurando... E eis que, estando numa noite festiva na casa da amiga Cléia Drummond, vendo sua coleção de LPs, encontro o famoso disco que continha o prefixo do Cine Fátima. Sofregamente, virei a capa e lá estava o nome exato: “Sweet melody”. 

Agora, é oficial:  quem quiser deleitar-se com a  doce melodia (em tradução literal), sentindo-se naquele ambiente especial que era o do Cine Fátima – hoje  transformado em Casas Bahia –, ficou mais fácil. Pesquisando “Sweet melody” e “Jean Paques”, no Google, você poderá conseguir um LP a preço acessível, em sebos. Como nem todos hoje têm toca-discos  (talvez a maioria nem saiba do que se trata),  há outra opção: pesquise “Jean Paques” no YouTube. Vai aparecer a capa do LP “Doucement” com duas opções: “Side” (lado) A ou B. Escolha o lado B. “Sweet melody” é a última  que toca (inicia em 7:29”).

Assim, devidamente apetrechado, programe uma sessão nostalgia, para rever, no “DVD player”, filmes clássicos como “Dio come ti amo”, “Love Story”, “Romeu e Julieta” e “Ben Hur”.  Mas toque a “doce melodia” antes. Será um gostoso mergulho no túnel do tempo.

Pena que a namoradinha, que dividia conosco um drops Dulcora, muitas vezes só exista em nossas ternas lembranças de um passado inesquecível...

                                 


 Autor: Itamaury TELES
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22/12/2009
Saturação



 

            Saturação, todos sabem, é o estado de uma solução em que a concentração do soluto é a máxima compatível com as condições de temperatura e pressão da solução. Isto é ensinado nas escolas.

            Pois, é!

            No Brasil, na atualidade, o nível de saturação da população como um todo chegou ao máximo de tolerância, em presença da permanente comprovação de corrupção, que se tornou oficializada.

Millôr Fernandes lançou um desafio através de uma pergunta:

- Qual a diferença entre político e ladrão?

Chamou muita atenção a resposta enviada por um leitor:

- Caro Millôr, após longa pesquisa cheguei a esta conclusão: a diferença entre o político e o ladrão é que um eu escolho, o outro me escolhe. Estou certo? Fábio Viltrakis, Santos/SP.

Eis a réplica do Millôr:

- Puxa, Viltrakis, você é um gênio... Foi o único que conseguiu achar uma diferença!

Mas, não é por aí. A corrupção no Brasil atual não se circunscreve ao político, mas está presente em todas as classes governantes, em todos os Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

Todavia, em todas as esferas de governo existem pessoas honestas, no exercício de cargos ou funções públicas, e ainda são muitas, felizmente.

Várias têm sido as reações em busca de uma solução, pelo menos satisfatória, para minorar o estado permanente de insatisfação da Nação, que já não confia nas ações dos órgãos do Estado.

Pessoalmente cheguei a um estado de repulsa aos noticiários transmitidos pela imprensa escrita ou televisionada, já que o rádio não integra mais o cotidiano de minha vida. No carro prefiro ouvir música. As notícias, em geral, destilam sangue ou informam corrupção. Todavia, como não posso ficar afastado da realidade, sou levado a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e inteirar-me do que está ocorrendo. Nas novelas não há necessidade de ver todos os capítulos para acompanhar o desenvolvimento do enredo. Também os noticiários não precisamos ser lidos ou ouvidos todos os dias. Eles se repetem num sequência igualitária e assustadora.

Começo a perguntar-me, com certa dose de pessimismo e de frustração, se ainda existe alguma esperança.

Voltou um pouco acima para rever a resposta de Fábio Viltrakis: “um eu escolho, o outro me escolhe”. Não temos como deixar de sermos escolhidos no momento de um assalto, mas temos o dever de saber escolher na hora de votar. Verdade que somente escolhemos os políticos, por não serem eletivos os cargos e as funções do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Hoje, embora afastado das lides políticas, não posso quedar-me indiferente diante da realidade, não só pela minha condição de cidadão (desobrigado de votar), mas também porque tenho uma numerosa família, com membros (filhos e netos) atuando na vida em busca de uma afirmação.

Tenho visto e às vezes sentido a corrupção onde menos era de se esperar. No entanto, ainda existem cidadãos (será?!) que afirmam ser idiota quem tenha oportunidade de roubar os cofres públicos e não rouba. São os analfabetos políticos deste País, que são a grande maioria, infelizmente.

Políticos, declaradamente ladrões, ainda continuam se exercitando nos meio do eleitorado, com suporte partidário, e são considerados eleitoralmente imbatíveis. Aqui sou levado a questionar: Não será o eleitor o maior corrupto?

Convenhamos em um ponto. A grande maioria dos brasileiros não paga impostos diretamente, daí não valorizarem o dinheiro público. Não sabem eles que diariamente pagam tributos até mesmo quando tomam um cafezinho em um bar.

 


 Autor:  Petrônio Braz
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20/12/2009
Palavras da moda: pura falácia



Tenho por hábito ler muito. De catálogo telefônico a bula de remédio, leio tudo, de cabo a rabo. Em decorrência dessa minha compulsão, é natural que passe a observar a constante repetição de algumas palavras, pois são  usadas à exaustão pelos operadores das letras.  Essas palavras tornam-se tão onipresentes quanto aquelas pessoas  que  estão em todas as festas e em todos os lugares.

Com as pessoas podemos ter um dedo de prosa amiga e alertá-las do perigo iminente desse desgaste ao seu “status” e à sua imagem, enfim. Mas pela própria natureza inerte das palavras, isso se torna impossível. Elas dependem de tutores que as defendam desse risco da exposição excessiva pelo uso desregrado. Talvez por isso aborde este tema, em defesa desses vocábulos que, pelo desmesurado uso, vêm necessitando de  aposentadoria. Lembro-me de alguns nessa situação contemplativa, que hoje só andam balangando rede ou de pijamas na frente da TV: “know-how”, “desenvolvimento sustentável” e “altamente”...

Uma palavra quase no ostracismo é o substantivo atitude. A mídia, de uma maneira geral, e os publicitários, em particular, não davam sossego a ela. Em rápida pesquisa, encontrei as seguintes pérolas, como se atitude fosse uma panacéia, ou remédio para todos os males: “estilo é ter atitude”, “ter atitude é fazer escolhas”, “empreender é ter atitude”, “segurança é ter atitude”, “o segredo é ter atitude”, “falta atitude para ter atitude” (este filosofou na maionese, com uma definição círcular...), “ter etiqueta é ter atitude” (boa dica para os novos ricos de plantão).

E, para não ser muito enfadonho, veja, finalmente, o balaio de gatos que aprontaram para demonstrar o significado da palavra:  “ser emo é ter atitude” (que é isso?), “ser gótico é ter atitude”, “ser forte é ter atitude”, “ser mulher é ter atitude”, “ser bonita é ter atitude”, “ser competente é ter atitude”, “ser punk é ter atitude”, “ser cool é ter atitude”, “ser grunge é ter atitude” (isso é de comer ou de passar no cabelo?), “ser fashion é ter atitude”.  Entendeu, leitor?

Finalmente, uma frase lapidar, que tinha a pretensão de substituir cursos e mais cursos, era a que afirmava, de forma simplista, que  “todos são capazes de ser líder: basta ter atitude e querer ser um”.

Atualmente, o que abunda, aqui e alhures, é o adjetivo diferenciado. Como o espaço é pequeno  e a paciência do leitor vai-se esgotar – tenho absoluta certeza -, veja apenas alguns exemplos que garimpei em anúncios na mídia impressa: cardápio diferenciado, estudo diferenciado, conteúdo diferenciado, reajuste diferenciado, tratamento diferenciado, corpo diferenciado, apartamento diferenciado, jornal de preço diferenciado, banheiro diferenciado, efeito diferenciado, design diferenciado, brindes  diferenciados, churrasco diferenciado, horário diferenciado, anti-estresse diferenciado, atendimento diferenciado, tratamento diferenciado, formatos diferenciados, cartão diferenciado, anúncio diferenciado, casa diferenciada, proposta diferenciada, plantel diferenciado, estilo diferenciado, reajuste diferenciado,  linha diferenciada, estofamento diferenciado,  arquitetura diferenciada, calçados diferenciados, brechó diferenciado, comportamento diferenciado, visual diferenciado, sucesso diferenciado, produto diferenciado, mostrador diferenciado.

Fico estressado – embora haja antídoto diferenciado para tal, como vimos – com o abuso que se comete com essa palavra, denotando, a meu ver, preguiça mental dos profissionais que a utilizam para vender de anzol a aviões a jato.

Nesse diapasão, diria ser “atitude” “altamente” “diferenciada” usar do meu  “know-how”  para manter o “desenvolvimento sustentável” dessas crônicas hebdomadárias.

Falácia pura...            


 Autor: Itamaury Teles
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19/12/2009
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (19.2.2009)





 

MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO HIPERCENTRO

A Prefeitura de Montes Claros acaba de anunciar a primeira etapa do projeto de urbanização, apresentada pelo escritório do arquiteto e urbanista Jaime Lerner.

Nesta fase, estão inseridas propostas para significativas intervenções no denominado hipercentro da cidade, com destaque para o sistema viário, que já se mostra degradado, basicamente em função da estreiteza das vias centrais e do elevado número de veículos que por elas transita. Neste particular, há sugestão de retirada dos ônibus do centro, criando para tal um anel em avenidas mais periféricas, aonde viriam a circular.

As sugestões permeiam o aspecto urbanístico, com soluções capazes de padronizar os equipamentos públicos – tais como postes, bancos, passeios – e tornar o visual da área mais “clean”, com a redução do excesso de placas publicitárias. Embora se tratem de sugestões preliminares, já sinalizam serem medidas bem pensadas e que poderão resolver, em curto e médio prazos, os problema que já atormentam a todos.

Evidentemente que muitos interesses particulares estarão em jogo, mas em primeiro lugar deve prevalecer o interesse público.  A tomada de decisão, em casos dessa natureza, demonstra bem a diferença entre o administrador eficaz e o medíocre. Este, acuado pelas pressões, sempre cede. Aquele, ao contrário, decide sob o pálio do bem comum, e será sempre lembrado, pelas decisões necessárias e oportunas em favor da cidade.

Como há sugestões de retirada do “gargalo” na Rua Cel. Joaquim Costa, por que não se estudar a desobstrução da Av. Cel. Prates, ligando-a com a Avenida Esteves Rodrigues, nas proximidades do Mercado? Por ali poderia ser criada linha de ônibus circular-avenida, que iria até o Bairro Morada do Parque, com vários micro-ônibus, com tarifa reduzida. Uma linha com essa característica retiraria muitos veículos pequenos do centro da cidade.

Uma coisa é certa: as obras para tornar a cidade mais humana precisam ser feitas agora. O caos já reina e o tempo urge...

IVA CONTESTA SENTENÇA JUDICIAL

O comentário que fizemos aqui sobre a decisão de uma juíza da Paraíba, que liberou a briga de galo naquele Estado, sob a alegação de inexistência de norma legal impeditiva, mexeu com os brios dos montes-clarenses defensores da vida animal.

A assessora jurídica do IVA - Instituto Vida Animal, Lenísia de Fátima Barbosa do Amaral, encaminhou e-mail para a coluna contestando a magistrada.

PROIBIÇÃO IMPLÍCITA

Para Lenísia, “a proibição está implícita na interpretação das normas que punem as condutas nela tipificadas, como assim se infere do artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais 9605/98: Praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa, podendo ser aumentada em caso de morte do animal.

Ademais, tal decisão judicial fere frontalmente o artigo 225, parágrafo primeiro, inciso VII, da Constituição Federal, que diz incumbir ao Poder Público ”proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de  espécies ou submetam os animais à crueldade”. 

Aliás, outras entidades de defesa da vida animal vêm se manifestando com igual indignação, com fundamento no mesmo dispositivo legal. Vai dar pano pra manga...

SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ

A ORQUESTRA SINFÔNICA DE MONTES CLAROS apresenta-se neste domingo, às 20 horas, no Ginásio do SESC, sob a regência da maestrina Maria Lúcia Avelar, em mais um concerto de Natal, com a participação  dos cantores líricos Christiane Franco e Rodrigo Mourão e da cantora Thaysa Mariane. Imperdível.

NESTE SÁBADO, a partir das 19 horas, no Ginásio Presidente Tancredo Neves, o Montes Claros Funadem enfrenta o Brasil Vôlei Clube/São Bernardo. Partida é válida pela sexta rodada do turno da Superliga Masculina de Vôlei. Precisamos continuar prestigiando nossos atletas.

LOTE VAGO, na Rua Cristóvão Colombo, no Jardim São Luis,  vem sendo utilizado como bota-fora de lixo e entulho. Pior: em frente a uma escola estadual. O mau cheiro é insuportável, chamando a atenção de animais, das espécies mais variadas, que nele chafurdam...

 

HORA DO RECREIO

POR QUE EVA COMEU A MAÇÃ?
Não foi assim "facinho" não! No início, Eva não queria comer a maçã.
- Come! - disse a serpente astuta - e serás como os anjos!
- Não - respondeu Eva. Virando a cara para o lado!
- Terás o conhecimento do Bem e do Mal - insistiu a víbora.
 Cruzou os braços, olhou bem na cara da serpente e respondeu firme: - Não!
- Serás imortal.
- Não! Já disse!
- Serás como Deus!
- NÃO e NÃO! Já disse que NÃO!
Irritadíssima, quase enfiando a maçã goela abaixo da Eva, a serpente já estava desesperada e não sabia mais o que fazer para que aquela mulher, de princípios tão rígidos e personalidade tão forte comesse a maçã. Até que teve uma idéia, já que nenhum dos argumentos havia funcionado. Ofereceu novamente a fruta e disse com um sorriso maroto: - Come boba!  EMAGRECE!


CARTAS & E-MAILS

BRAGADÁ FOREVER...

Olá Itamaury. Tudo bem? Sou filha mais nova do Bragadá e hoje por curiosidade resolvi procurar no google o nome do meu pai. Curiosamente, achei essa reportagem no site do jornal NORTE DE MINAS! Onde você dava informações sobre ele. Sei que se passou um ano mas vi essa mensagem hoje, pelo jeito que se expressou parece conhecido do meu pai e sabe o quanto ele dava valor nas amizades. Obrigada por informar os amigos que não entenderam bem no dia, pois não conseguimos avisar todas as pessoas conhecidas dele. Por ele ser muito comunicativo fazia amigos facilmente.
Bjus. Tudo de bom para você!
Ca Lacerda (Montes Claros - MG)

*Pra você também, Ca Cá

(PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS")


 Autor: Itamaury Teles
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14/12/2009
CONFRARIAS REÚNEM-SE EM CLIMA DE NATAL


Turma do Balcão do Kentura





O grupo é dos mais animados = Turma do Balcão do Kentura



O movimento atingiu até a mesa da calçada

No Skema, as mesas 1 e 2 se confraternizam com a turma do balcão





















Confraria dos Amigos do Peré



Confraria do Brejo

Confraria do Brejo das Almas


Fim de ano é época de encontro especial para diversas confrarias. Umas, aproveitam a proximidade do Natal e promovem amigo-oculto. Outras, apenas aproveitam para reforçar a integração dos confrades e de suas respectivas famílias.Isso já se tornou tradição em Montes Claros, cidade sabidamente festiva.

 Uma das mais antigas confrarias em Montes Claros é a do Skema, que reúne os integrantes das mesas 1 e 2 da "diretoria", além dos integrantes da "Turma do Balcão".

Neste ano, nova turma se reuniu para festejar.  São os integrantes da Turma do Balcão do Kentura Kent, que seguiu os passos de sua co-irmã do Skema, que se reuniu pelo segundo ano consecutivo.

Um grupo de ex-funcionários do Banco do Brasil em Francisco Sá (antigo Brejo das Almas), deu início, este ano, à mais nova irmandade: Confraria do Brejo das Almas...

A reportagem do Minas Livre esteve presente a vários desses encontros e mostra fotos desses encontros. Deleite-se...


 Autor: Itamaury TELES (texto e fotos)
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14/12/2009
O empresário, o escritor e o poeta



          Leio em Manoel Hygino dos Santos (Hoje Em Dia, edição de 14/12/2009) que “à medida que o tempo escorre pelo mostrador do relógio, esmaecem as imagens das pessoas com as quais convivemos. Sempre há, porém, uma réstia de pretérito que não se apaga, a ausência física é substituída pela presença imaterial, que não se apaga enquanto persistirem os bons sentimentos”.

            Em sua vida, que já é extensa, Luiz de Paula Ferreira marcou presença em todos os ramos da atividade humana. Conheci-o em 1963 como proprietário da Algodoeira “Luiz de Paula”, presidente da Fundação Educacional “Luiz de Paula” e político atuante. Um homem de ação.

            No último dia 12 de dezembro em curso, em companhia de Dário Cotrim, estive em Várzea da Palma, terra natal de Luiz de Paula Ferreira, para uma reunião solene da Academia de Letras, Ciências e Artes de Várzea da Palma, comemorativa do primeiro ano de sua existência e também do centenário de fundação do povoado, do 56° aniversário de Emancipação Político-Administrativa e do dia da Padroeira Nossa Senhora Imaculada Conceição. Uma importante e festiva solenidade que se realizou no auditório do Colégio Cenecista - CNEC de Várzea da Palma. A reunião, como é tradição e até mesmo obrigação patriótica, teve início com o Hino Nacional brasileiro, seguido do Hino de Várzea da Palma, letra e música de Luiz de Paula Ferreira.

            O processo inicial de transformação de Várzea da Palma em uma cidade industrial teve o apoio, a participação direta e o incentivo de Luiz de Paula Ferreira. Por telefone ele disse-me, ontem: “Da terra natal a gente nunca se esquece”.

            O poeta Luiz de Paula, repentista e trovador, eu conhecia desde os nossos primeiros encontros. No correr dos anos, o contador Luiz de Paulo Ferreira fez-se advogado.

Acompanhei, em parte, o desenvolvimento de suas atividades empresariais e estava presente, com ele, em Ubá/MG, quando ele iniciou os entendimentos com José Alencar para a fundação da COTEMINAS, que ele havia idealizado e cujo projeto estava já concluído.

Apoiei a sua candidatura a deputado federal em 1966, tendo ele sido majoritário em São Francisco, com o meu apoio e, principalmente, de meu pai Brasiliano Braz.

Assessorei a Fundação Educacional “Luiz de Paula” e estava presente quando da instalação do primeiro curso de ensino superior em Montes Claros, por ela instalado e cheguei a matricular-me como integrante da primeira turma do Curso de Pedagogia. Ao encerrar suas atividades, a Fundação Educacional “Luiz de Paula” outorgou-me o diploma de “Benemérito do Ensino”.

Durante a sua permanência em Brasília/DF, como deputado federal, estive presente, em Montes Claros, como diretor da Algodoeira “Luiz de Paula”.

O escritor, historiador e poeta Luiz de Paula Ferreira, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, presidente de Honra do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, membro efetivo da Academia Montesclarense de Letras, da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco e da Academia de Letras, Ciências e Artes de Várzea da Palma, que todos conhecem e admiram, fez-me doação de todos os livros por ele editados.

À medida que o tempo escorre pelo mostrador do relógio, como lembra Manoel Hygino, esmaecem as imagens das pessoas com as quais convivemos, mas a imagem permanente de Luiz de Paula Ferreira está sempre viva e presente em nossos sentimentos e em nosso reconhecimento, como uma marca indelével do passado e do presente, com projeção de futuro. Sua ausência física, forçada pelas circunstâncias, é sempre substituída pela indelével marca de sua personalidade. Não se apaga.

 

           


 Autor: Petrônio Braz
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Que tal?

- A gente ter um espaço democrático, aberto e sem censura, para a expor nossas idéias, expressar nossos sentimentos?
- A gente emitir e compartilhar opiniões, sem sentimento de culpa, usando essa tribuna livre para criticar, aplaudir, contestar?
- A gente, com a certeza do dever cumprido, contribuir de qualquer forma pela formação das idéias, do caráter e da opinião das pessoas?
- A gente, enfim, viver a generosa dádiva da existência e sorver cada gota com o prazer indescritível de que podemos desfrutar?

Esta é, em síntese, a Certidão de Nascimento do MINASLIVRE.COM.

 
 
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