29/07/2010
Homem Invisível
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Já contei que o meu sonho de ser jogador de futebol profissional não passou de uma tentativa amadora no juvenil do Casimiro de Abreu, em Montes Claros, sob a direção técnica de Bonga. Nessa ocasião, no auge dos 17/18 anos, era veloz, corria que era uma beleza. Ao ponto de entrar em êxtase.
Sim, em êxtase. Só que eu não identificava a sensação como ‘um estado de êxtase’. Sentia-me bem correndo e melhor ainda depois, como se tivesse comido uma porção de espinafre do ‘Popeye’.
Essa sensação eu sentia antes, muito antes, na época em que brincava de ‘esconder’ na Rua São Francisco e depois na Rua Corrêa Machado, em Montes Claros. Conseguia escapar de vários ‘pegadores’ ao mesmo tempo e ‘salvar’ os companheiros ‘detidos’ ao pé de um poste.
Recentemente, o jornal ‘The New York Times’ publicou matéria informando que um grupo de pesquisadores da Alemanha conseguiu comprovar a hipótese: correr produz ‘uma onda’ ou ‘uma sensação de êxtase’.
São as endorfinas, substâncias químicas do próprio corpo, comparáveis ao ópio. Segundo a publicação, correr não seria a única maneira de ter essa sensação de bem-estar. Exercícios mais intensos ou de resistência também podem levar o cérebro a produzir as tais endorfinas.
Voltando ao tema inicial: era ponta direita veloz e o técnico Bonga me chamava de ‘Homem Invisível’. Mas eu não chegava a ser tão invisível quanto o grande Raphael Reys diz ter sido em épocas que, embora tendo eu e ele vivido quase os mesmos acontecimentos, aí no Arraial, nunca havíamos nos encontrado, cara a cara, a não ser no ‘Almoço Curraleiro’ por ele promovido aqui nesses píncaros, almoço que degusto até hoje na lembrança.
Evidentemente, nos dias atuais, não mais disponho da capacidade de correr para fazer jus à alcunha dada por Bonga. Ando. E muito. Mesmo andando, experimento prazer. Talvez até maior do que quando corria veloz.
Ao contrário de antes, a consciência da importância de andar é maior. Exercitar o espírito, a mente e o corpo. Sentir o vento tocar o rosto e os raios benfazejos do sol na pele. Sentir-se vivo. E agradecer a Deus pela vida.
Andar é exercício completo. Há sem número de exemplos de idéias surgidas numa caminhada. Mas bom mesmo é fazer longas caminhadas. Principalmente em lugares de belas paisagens, quando se pode exercitar a capacidade de contemplar a natureza. Ao ponto de senti-la e dizer: ‘nós e a natureza somos um’.
O nosso planeta é lindo! Há lugares maravilhosos à espera de quem gosta de calçar botinas de ‘trekking’, pôr nas costas uma mochila, identificar no mato um cajado e andar. Fazer, por exemplo, o ‘Caminho da Fé’ – Tambaú (SP) entrar para Minas, subir e descer a Serra da Mantiqueira, até o Santuário de Aparecida, 400 km, a pé – é algo inesquecível!
Assim como é também inesquecível percorrer o ‘Caminho de Santiago’, desde San Jean-de-Pied-Port, no Sul da França, até a cidade de Santiago de Compostela, na Espanha, 800 km, a pé. Para alguns, ‘uma loucura’ para outros, ‘uma façanha’.
O peregrino recomenda a quem se dispuser a fazer esse tipo de caminhada logo na primeira oportunidade. Tudo começa a partir do desejo. Se se tem o desejo de, por exemplo, percorrer o da ‘Fé ’ ou o de ‘Santiago’, a pessoa já pode se considerar a caminho. E que não deixe passar a oportunidade.
Se muitos andassem mais, deixassem em casa os carros, teriam saúde para dar e vender; seriam mais felizes; o trânsito de Montes Claros melhoraria, até mesmo sem a intervenção do urbanista Jaime Lerner. Embora uma coisa não tenha a ver com a outra.
Quem anda faz reflexão, faz oração, contempla, tem mais tempo para observar o que está em volta. Não se estressa tanto quanto quem vive ao volante. Andar não polui o ambiente.
Aqui, neste Curral Del Rey, um dos pontos mais próximos e bonitos para uma caminhada salutar é, de um lado, o Parque das Mangabeiras; e do outro lado, o Parque Paredão da Serra do Curral.
Do alto da Serra do Curral se pode ter a clara visão do Cerrado, o Sertão de Guimarães Rosa; e a Mata Atlântica, do outro lado. O mais incrível é que pequizeiros são encontrados lá em cima. A prova cabal de que a Serra do Curral é de fato um divisor de ecossistemas.
Andem, pois.
De passo em passo se chega ao longe.
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Autor: Alberto Sena |
29/07/2010
III ENCONTRO MONÁRQUICO DAS MINAS GERAIS
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Como sócio e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais, entre os dias 13 e 14 de agosto próximo, a convite do Círculo Monárquico de Belo Horizonte, orizonte
pretendo estar na Capital mineira para o III Encontro Monárquico das Minas Gerais, que se realizará com o patrocínio do Instituto de Defesa da História do Brasil – IDHB.
O Brasil é o único país das Américas que possui uma Casa Monárquica e a história nos atesta que a nossa independência, a nossa unidade territorial e a nossa língua nos foram outorgadas pela Casa Imperial.
Terei oportunidade de conhecer Sua Alteza Imperial Príncipe Dom Gabriel de Orleans e Bragança, trineto da Princesa Isabel, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Dom Gabriel de Orleans e Bragança e outros membros da nossa Casa Imperial brasileira, que todo historiador gostaria de conhecer. É valioso conhecer o pensamento desses ilustres príncipes, descendentes reais de Dom Pedro I, de Dom Pedro II e da Princesa Isabel.
O Príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, é filho do Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança; é neto de D. Luiz de Orleans e Bragança (1878-1921), bisneto da Princesa Isabel e trineto do Imperador Dom Pedro II. Pertence à dinastia de Bragança, a qual teve sua origem na figura heróica e legendária do Santo Condestável de Portugal, São Nuno Álvares Pereira. Por sua Mãe, a Princesa Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, D. Bertrand herdou as tradições da Família de Wittelsbach, a Casa Real da Baviera, uma das mais antigas da Europa. Coube assim a D. Bertrand a chefia da campanha do plebiscito de 1993, que, sob a orientação do Príncipe D. Luiz, visava conduzir ao voto do sentimento monárquico de muitos brasileiros. Marcaram essa fase memoráveis confrontos na TV, nos quais D. Bertrand se sobressaiu ante seus opositores. Em 1990, no contexto da mencionada campanha, D. Bertrand realizou conferências pela Europa: França, Portugal, Espanha, Itália e Áustria, onde se destacou de forma brilhante e obteve consagradora acolhida. A partir de então, multiplicaram-se as viagens para palestras e visitas comemorativas a países -- além dos mencionados -- como Reino Unido, Polônia, Estados Unidos, Argentina, Chile, Uruguai, numa agenda que concorre com múltiplas solicitações do próprio Brasil. No tocante a temas em debate no mundo de hoje, D. Bertrand, posiciona-se no campo da propriedade privada, livre iniciativa e respeito ao princípio de subsidiariedade, o qual limita o Estado ao âmbito que lhe toca por sua natureza. Tendo bem claro que os problemas sociais não são senão reflexo de outros mais profundos, de ordem moral, tem sido um constante defensor da instituição da família, bem como do sagrado direito da vida, sustentando com vigor os ensinamentos da doutrina tradicional da Igreja nessas matérias e opondo-se categoricamente às tendências consumistas e de desagregação.
É do Brasil, e a nós brasileiros cabe o dever-direito de conhecer melhor o que é nosso.
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Autor: Petrônio Braz |
27/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (27.07.2010)

Muita gente vai a Serra Branca em dia de festa (Foto Itamaury Teles)
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Serra Branca é uma festa!
Quem nunca esteve na Festa de Serra Branca, de 18 a 26 de julho, não sabe o que está perdendo!
Serra Branca é um povoado distante exatos 15 quilômetros de Porteirinha, nas faldas da Serra do Espinhaço. Ali, a popular “Serra Geral” mais parece os Alpes suíços com sua neve eterna a pintá-la de branco. O nome do lugar vem daí, da coloração extremamente branca da serra, apenas naquele ponto rasgado pela imponente Cachoeira do Serrado, outra dádiva da natureza.
Serra Branca fascina toda a população da faixa setentrional do Estado há muito tempo. E o que impressiona é que não há razão aparente, já que se trata de um povoado paupérrimo, com pouco menos de uma centena de toscas e desalinhadas casas a abraçar a igreja.
Durante os festejos, o poeirão teima em manter-se o tempo todo em suspensão e o formigueiro humano anda, desordenadamente, da igreja para o cemitério e deste para a casa do festeiro, para tomar café com biscoito fofão e brevidades e beliscar uma crocante pele de leitão assado.
Domingo passado estive lá, para manter a tradição e curtir seus contrastes. Chamou-me a atenção a entrada do cemitério, hoje ladeada por dois botecos e uma sala de projeções, anunciando filmes eróticos, situada ao lado da casa do festeiro e bem próximo da igreja.
Fiquei triste com o desaparecimento do rio Urubu, que secou, e passeei um pouco pelas margens do rio Serra Branca, de gélidas águas no mês de julho, onde revi os antigos pés de jambo e de jenipapo, testemunhas oculares dos banhos nus dos meninos da cidade.
Vista do rio, Serra Branca oferece-nos outro contraste: a presença de antenas parabólicas em casas que nem sequer possuem fogão a gás.
O mais interessante em Serra Branca, e que talvez seja a sua mais forte característica, são os casamentos coletivos. O antigo bispo de Montes Claros, Dom José Alves Trindade, juntamente com o falecido pároco de Porteirinha, Cônego Julião Arroyo Gallo, não davam conta de casar tantos noivos, nos bons tempos e, para simplificar, resolveram fazer uma só cerimônia. Ficavam no meio de um grande círculo e casavam todos de uma só vez. A tradição se mantém até hoje. Depois, os recém-casados seguem em direção a uma casa, acompanhados pelos padrinhos, convidados, tocadores de sanfona, pandeiro e caixa e o soltador de foguetes arremata tudo com “um tiro canhão”, debaixo de muitos “viva os noivos”... É uma apoteose!
Os casamentos coletivos acontecem sempre no último dia da novena em homenagem à padroeira Senhora Sant’Ana, dia 26 de julho.
No penúltimo ano, presenciamos um casamento coletivo e algo novo nos chamou a atenção, precisamente na fala do padre. Dentre as muitas promessas exigidas dos nubentes no ato solene, o cura porteirinhense incluiu uma muito importante, pois é costume na região acionar o padre, em primeiro lugar, sempre que há uma desavença familiar. Por isso, pergunta:
- Altamirando, promete não bater em Fulosina?
- E você, Fulosina, promete não bater em Altamirando?
E os noivos prometem, com olhares apaixonados escondidos pelas lentes escuras do recém-adquirido par de óculos, a não se baterem. Não se sabe se as queixas ao padre reduziram de intensidade...
Embora perdendo aos poucos seu ar bucólico, com a presença dos postes da CEMIG e pelo calçamento em paralelepípedos do adro da igreja, vale a pena conhecer Serra Branca, nesta época, para comer um arroz com pequi na barraca da Dona Jovina, assistir a tudo isso de perto e tentar decifrar o mistério que envolve o lugarejo.
Até hoje, contudo, quem melhor definiu a Festa de Serra Branca foi o suplente de senador Omir Antunes, frequentador do lugar desde menino: “Serra Branca é um trem esquisito: quem está em Porteirinha fica doido para ir pra lá. Quem está lá fica doido pra voltar...”
PS: Crônica publicada em 26/07/1997. Muita coisa mudou de lá pra cá, mas a festa ainda fascina. Ano que vem vou lá...
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
NOVE ESCRITORES da cidade já manifestaram interesse em concorrer às duas vagas hoje existentes na Academia Montes-clarense de Letras. Isso demonstra o bom conceito que a AML desfruta no nosso meio sócio-cultural. A disputa está aberta e outros interessados poderão manifestar seu interesse, por meio de requerimento à presidência da Academia, acompanhado de suas produções literárias, conforme determina o artigo 4º. do Estatuto.
CDL DEBATE SEGURANÇA pública, nesta terça-feira, a partir das 19 horas, em sua sede. O objetivo é reforçar a parceria com a Polícia Militar em busca de uma melhor qualidade na segurança, para atender aos reais interesses da população. Na oportunidade, o Capitão Hansen, comandante da 66ª. Companhia da Polícia Militar, proferirá palestra sobre o tema, mostrando números estatísticos que revelam avanços significativos nos últimos meses, na prestação de serviços à população local.
WALTER BOAVENTURA, presidente da Câmara de Diretores Lojistas – CDL, garante ser a segurança pública preocupação permanente da entidade. Recorda-se do programa Olho Vivo, implantado na área central da cidade, através de parceria da CDL com a administração municipal e o governo do Estado, que apresenta resultados positivos, com queda substancial do índice de violência e de criminalidade em seu raio de abrangência. Lembra que o sistema se tornou um aliado fundamental da PM na luta contra a criminalidade.
POR QUE TANTAS CARRETAS vêm transitando pelas avenidas centrais da cidade? Por que não se utilizam do semi-anel rodoviário? Voltarei ao assunto...
CARTAS & E-MAILS
Cachaça Anísio Santiago para Dilma
Itamaury: Deixei no Café Galo uma garrafa de cachaça Anísio Santiago (Havana) e um exemplar do meu livro, em atendimento à sua solicitação. Se puder, me envie uma foto da Dilma com a garrafa e o livro para postar no meu blog. Um abraço! Roberto Santiago (rcmsantiago@gmail.com – Montes Claros – MG).
Resposta: OK, Roberto. A cachaça foi entregue pelo Jadir. A foto, já lhe encaminhei, conforme pedido.
(PUBLICAÇÀO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS") |
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Autor: Itamaury Teles |
25/07/2010
Matéria de Jornal
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Mais um engano de minha parte. Nascida e criada em Montes Claros , pensava conhecer as pessoas dessa terra, mas não. O meu pai, Alcides Alves da Cruz, contava nas rodas de bar tantos casos. Sabia dos personagens da cidade através dele. Mas não ouvi falar de Haroldo Lívio de Oliveira.
Caiu em minhas mãos o livro Nelson Vianna, o Personagem (Matéria de Jornal), Edições Cuatiara, 1995. São textos publicados no Jornal de Montes Claros de 1950 a 1989. As primeiras crônicas referem-se ao personagem que se tornou folclórico e que dá nome à obra, e então outras pessoas são retratadas pelas letras certeiras de Haroldo Lívio. Encantei-me com a maneira de ele ver o mundo sertanejo, numa forma otimista e poética, deixando a nós bairristas acreditar que o sertanejo, além de forte, constrói a sua história, não se deixando abater pela distância dos grandes centros ou pela sequidão da nossa terra.
Surpreende ver acontecimentos antigos surgirem como casos presentes, feito uma reportagem que está no ar. Pessoas que ouvi falar e outras que conheci, desfilam importantes, quem sabe, maiores do que devem ter sido. Haroldo Lívio narra generosamente sobre gente que andou por essas ruas e depois deu nome a elas, além de curiosidades do interesse de quem ama essa cidade, e quer vê-la melhor.
É tão normal passar e ver um prédio, por exemplo, que não imaginamos a sua saga, como foi e quem o edificou. Haroldo Lívio conta tudo, passando do pitoresco ao histórico, dando brilho a quem merece, e com muita propriedade dá a sua visão dos fatos. Cada personagem tem a sua vez na ribalta, a sua hora de estar no centro da cena, para nossa admiração e aplauso.
O desfile é agradável de ver. Recordo de Dulce Sarmento, a compositora de músicas sacras e professora de piano; Zinho Bolão e seu famoso café; Chico Marinheiro, o eterno Papai Noel e Rei Momo; os pais do escritor que não cito o nome por que ele não os denominou; Toninho Rebello e a luta pela repetidora de TV; Dácio Cabeludo e sua palavra inventada na Câmara de Vereadores; Lazinho Pimenta e as cantorias na Boate da Praça de Esportes; José Amaro Araújo e sua loja de arreios e conselhos a Nelson Vianna; Leonel Beirão de Jesus e a sua boneca; Manuel Bandeira, pernambucano e poeta de Minas que fez poema para Márcia dos Anjos, a filha do seu amigo Cyro dos Anjos; Rubem Braga, que veio a Montes Claros, e do alto dos Morrinhos disse que aqui embaixo era um bonito lugar para se construir uma cidade. Que graça e criatividade demonstra o escritor, quando justifica a imaturidade do futuro cronista consagrado, dizendo que ele estava “apenas se empenujando”.
Acontecimentos históricos de Montes Claros trazem lágrimas, como a demolição do Mercado Municipal na Praça Dr. Carlos, ou da Boate da Praça de Esportes; ou então enchem os olhos, como a chegada da TV, e a construção do Centro Cultural. Este, segundo Haroldo Lívio, deveria se chamar Palácio da Cultura, caso o modesto escritor não fosse apenas um palpiteiro de jornal, e sim, um conselheiro do então Prefeito Municipal Toninho Rebello.
As crônicas vestem a nossa cidade com roupa de gala, e mostram que somos o que somos pela importância do passado. Fala com garbo sobre o eterno historiador Dr. Hermes de Paula, o homem, que segundo o autor, inventou o centenário de Montes Claros, que já tinha sido comemorado alguns anos antes, e trouxe um turbilhão de progresso.
Ensina-nos que a cidade de Grão Mogol, embora traga um nome que nos leva a pensar nos títulos honoríficos da China, nada mais é do que a corruptela de “Grande Amargor” (Gran Margo), um lugar de sofrimentos pela busca de riquezas. Essa parte é poesia pura, na veia de quem lê e nos veios de ouro e diamante dessa cidade tão inspiradora, quanto bela.
A literatura de Haroldo Lívio se torna ainda mais atraente quando fala de seres inanimados como se vivos fossem. Não sei se ele gostaria da comparação, mas me lembrou José Mauro de Vasconcelos em “O Meu Pé de Laranja-Lima”. A crônica de Grão Mogol é o aperitivo para se atingir o cume na parte final do livro, chamada “Soberbo”, que homenageia um Riacho que não se verga ao Rio Itacambiruçu e corre lado a lado com ele. Entrando no Google, deparo no Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros justo com essa crônica deliciosa. Wanderlino Arruda, o organizador do site, deve ser quem a escolheu. Fico feliz em ser endossada por ele, que sabe tudo de cultura, na escolha do melhor texto do livro: inesquecível.
*Mara Narciso é médica endocrinologista, jornalista e autora do livro “Segurando a Hiperatividade” – 24 de julho de 2010 |
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Autor: Mara Narciso* |
24/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (24.07.2010)

Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram isolados por gradil no Café Galo. O povo, também (Foto: Itamaury Teles, por detrás do balcão)
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APARATO ISOLA DILMA DA IMPRENSA E DO POVO
Durante visita da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), ao Café Galo, na última terça-feira, grades de ferro foram dispostas não só ao redor do famoso Café, mas também dentro dele. Além dos ditos obstáculos, havia boa quantidade de parrudos e pouco afáveis homens de segurança.
Na parte externa do Café, havia poucos curiosos. A maioria estava a serviço de candidatos a deputado, portando estandartes e num apitaço tão ruidoso quanto as chatíssimas vuvuzelas sul-africanas.
Na área interna, de reduzidas dimensões, reservaram à imprensa – principalmente a fotógrafos e cinegrafistas – um cercadinho, severamente vigiado por uma nervosa assessora que o tempo todo ameaçava chamar “o segurança” para retirar os profissionais que não respeitassem suas diatribes.
Comparecer a um lugar popular como o Café Galo, com um aparato daqueles, isolando público e imprensa da candidata, é como dar tiro no pé. Ao invés de melhorar a imagem da Dilma como candidata que representa o povão que gosta do Lula, revela sua verdadeira identidade. Se como candidata é assim...
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
JADIR RODRIGUES, proprietário do Café Galo, entregou à candidata Dilma Rousseff duas garrafas de Havana, a famosa cachaça de Salinas. Presente dos fabricantes. A visita durou menos de dez minutos, tempo suficiente para ela tomar um cafezinho e comer um pastel. As garrafas de cachaça ela levou...
A ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRAS reuniu seus membros, na noite da última quinta-feira, no Centro Cultural Hermes de Paula. O acadêmico Petrônio Braz foi eleito e empossado novo Secretário do sodalício, em decorrência da vacância do cargo. A Presidente Yvonne Silveira registrou voto de pesar pelo falecimento da acadêmica Amelinha Prates, e do médico Kennedy Tardieu Campos, irmão da acadêmica Karla Celene Campos.
O CURSO LFG promove Seminário de Direito na cidade, nos dias 9 e 10 de agosto, no Automóvel Clube, a partir das 19 horas. Renomados professores foram convidados e serão palestrantes nas áreas do Direito Administrativo (Fernanda Marinela), Direito Penal (Rogério Sanches), Direito Empresarial (Alexandre Gialluca) e Direito do Trabalho (Otávio Calvet). Informações e inscrições na Av. Cel. Prates, 348 (Fone 32227759).
TESSITURA A TRÊS é livro de poesia que venho degustando em doses homeopáticas. Sou meio econômico em elogios a livro de poesia, mas este, escrito por Mi Pires, Keu Apoema e Lourdinha Fonseca, pela Editora Unimontes, é digno de nota 10, com louvor.
MONTES CLAROS é o sexto colégio eleitoral do Estado. Pela primeira vez, o eleitorado de Uberlândia ultrapassa o de Contagem. Veja a lista dos dez maiores colégios eleitorais do Estado, segundo o TSE: Belo Horizonte: 1.829.678; Uberlândia: 423.475; Contagem: 418.568; Juiz de Fora: 378.320; Betim: 240.962; Montes Claros: 238.405; Uberaba: 209.423; Governador Valadares: 194.113; Ipatinga: 174.638 e Ribeirão Das Neves: 167.437.
O HUMORISTA JOÃO BASÍLIO retorna a Montes Claros com o seu show solo “stand up comedy”, na FranPiz Churrascaria. Houve sessão na última sexta e haverá no domingo, às 21 horas. Na abertura da noite, “estréia mundial como humorista” do Illan Carvalho, também montes-clarense. Couvert a R$ 10,00.
DENART D’ÁVILA revelou-me, esta semana, possuir acervo de 7.500 fotos sobre o futebol de Montes Claros. A mais antiga data de 1917, tendo João Catoni – hoje nome de Praça na cidade – como um dos atletas. Belo trabalho de pesquisa faz o Denart, que promove anualmente o Troféu Bola Cheia, trazendo à cidade vários craques do futebol.
CARTAS & E-MAILS
Agradecimento
Itamaury: Agradeço muito a você por nota incluída no jornal “O Norte”. Principalmente por um grande colunista como você. Isso pra mim foi de grande valia e é sempre bom ver o nosso serviço ser reconhecido. Atenciosamente, Igor Avelar de Almeida (avelar.igor@gmail.com – Montes Claros - MG)
Resposta: Não há de que, Igor. Daqui, sempre que possível, apontaremos os bons profissionais existentes em Montes Claros, cidade que se desponta como pólo na prestação de serviços, em uma vasta região.
(PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS") |
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Autor: Itamaury Teles |
24/07/2010
Há de gemer por ele o gaturamo
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Faleceu sozinho, em um quarto qualquer, de uma casa qualquer, de uma rua qualquer, em Belo Horizonte, o causídico Charles Emerson Bispo. Faleceu sem a assistência de um amigo, de um parente, de uma mulher. Separado da esposa e dos filhos, vivia só.
Nos dias finais de sua vida, desprovido de afetos pessoais, amargurado, não se maldizia do destino, embora vivesse recolhido dentro de uma roldana de magoas e dissabores. Em seu fadário, a melancolia entremeada de amarguras como feridas abertas eram suas companheiras.
A vida não lhe foi amena. No silêncio das noites, no idear da imaginação dos tempos vividos, nos últimos anos de sua vida esteve acorrentado como Prometeu à montanha de suas desilusões.
Faleceu sozinho, absolutamente só. Apenas um amigo distante, residente em Montes Claros, ao ter conhecimento do doloroso desenlace, chorou por ele: Antônio Gonçalves de Oliveira, nosso amigo Lieta. Chorou com emoção, com verdadeiro sentimento de perda.
Em um cemitério qualquer, em Belo Horizonte, dorme ele o sono da eternidade. Piedosas e anônimas beatas haverão de orar por ele, ao pé da cruz abandonada que identifica a presença de seu sepultado corpo. Ele não estará só.
Esta realidade da cruz abandonada fez-me lembrar a poesia de Castro Alves: “Caminheiro que passa pela estrada, / Seguindo pelo rumo do sertão, / Quando vires a cruz abandonada, / Deixa-a em paz dormir na solidão. / Que vale o ramo do alecrim cheiroso / Que lhe atiras nos braços ao passar? / Vais espantar o bando buliçoso / Das borboletas, que lá vão pousar. / (...) Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz. / Deixa-o dormir no leito de verdura, / Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs. / Não precisa de ti. O gaturamo / Geme, por ele, à tarde, no sertão. / E a juriti, do taquaral no ramo. / Povoa, soluçando a solidão. / Dentre os braços da cruz, a parasita, / Num abraço de flores, se prendeu. / Chora orvalhos a grama, que palpita; / Lhe acende o vaga-lume o facho seu. / Quando, à noite, o silêncio habita as matas, / A sepultura fala a sós com Deus. / Prende-se a voz na boca das cascatas, / E as asas de ouro aos astros lá nos céus. (...) Não lhe toques no leito de noivado, / O sono agora mesmo começou!”
O profissional do Direito, Charles Emerson Bispo, teve os seus dias de glória. Brilhou por alguns anos na tribuna da defesa do Tribunal do Júri, em algumas Comarcas do Norte de Minas e em Belo Horizonte. Tendo Décio Fulgêncio na Tribuna de Acusação, ele atuou na Tribuna da Defesa, em júri no Fórum Lafayete, em Belo Horizonte. Orador brilhante, culto e destemido.
Enveredando-se pelo Direito Eleitoral, foi advogado do PDS de Minas Gerais, em Belo Horizonte, nos anos 80, o maior Partido Político do Ocidente naquela época. Advogado com poderes para requisitar avião para conduzi-lo a qualquer cidade de Minas Gerais, onde os interesses do Partido estivessem em jogo. A seu convite, estive com ele em Capelinha, naqueles tempos idos, para suspender a posse de um Prefeito, por decisão do presidente do Tribunal de Justiça do Estado.
Com o testemunho do professor Ivo das Chagas, posso atestar ter sido ele, no seu devido tempo, um dos maiores advogados mineiros.
O bacharel de invejável cultura, leitor assíduo dos clássicos, diplomado pela UFMG, deixou-se suplantar pelo homem. E o homem comum que nele existia foi capaz de destruir o advogado. Coisas da vida.
Os desacertos, os despropósitos de seu final de vida não são tão fortes que possam apagar o seu efetivo valor cultural, que prevalece vivo em nossas mentes. Nesta hora de lembranças, prefiro esquecer-me do homem que jogou pelo ralo sua vida, para recordar-me do profissional, enquanto foi um verdadeiro advogado.
Lembro-me do jovem graduado pela faculdade de Direito da UFMG, que chegou a São Francisco com os arroubos da juventude, e fez carreira. Recordo-me do advogado que brilhou em Pirapora, Januária, Manga, Brasília de Minas, São Romão e Belo Horizonte, esquecendo-me do homem que ele foi e que dele nunca se afastou; que o destruiu, depois.
No silêncio de sua sepultura ele descansa sem a presença de amigos e parentes, dormindo em seu leito de desventuras, que a vida dentre as selvas do asfalto lhe compôs. Ali, há de gemer por ele o passeriforme gaturamo.
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Autor: Petrônio Braz |
22/07/2010
BIGODE DE ARAME
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Nunca soubemos o nome dele. Se alguém soube nunca nos disse. Mesmo porque criança não se dá ao trabalho de imiscuir na vida dos outros, nem para saber nomes. Além do que, ele nos metia medo.
A origem dele era difusa. Diziam: ‘foi cangaceiro do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião’.
Depois daquela refrega sofrida pelo bando, surpreendido pelos ‘milicos’ da época, na Fazenda Angicos, no município sergipano de Poço Redondo, ele teria escapado ileso, e como um foragido da justiça, pulara de cidade em cidade até fixar residência em Montes Claros, como gente pacata, homem casado, sem filhos.
Nós o chamávamos ‘Bigode de Arame’.
O bigode dele era enorme, semelhante ao do genial pintor espanhol, Salvador Dalí, que nem de leve passava por nossa cabeça na ocasião. A comparação vale agora quando recolhemos cacarecos de lembranças nesse exercício de memória.
‘Bigode de Arame’ não é fruto da imaginação. Existiu de verdade. Tinha até endereço: Rua Januária, esquina de Rua Camilo Prates, próximo da antiga Padaria Real, na Rua Bocaiúva, em Montes Claros, importante cidade do sertão norte-mineiro.
Com frequência passávamos na porta da casa dele indo para o centro da cidade, no sentido Praça Coronel Ribeiro (salvemos a praça, se ainda há tempo!), ou quando voltávamos.
Ao nos aproximarmos da casa dele diminuíamos os passos e parávamos na porta para espiarmos lá dentro em busca de algum indício relevante sobre a origem dele.
Claro, um homem como ‘Bigode de Arame’, com toda a fama alimentada sobre ele, no mínimo exercitava o nosso imaginário. Ficávamos pensando nele com chapéu de couro dos cangaceiros, mais os cinturões de balas de carabina cruzados na frente do peito. O rosto suado, de quem só toma banho de vez em quando, enquanto nós crianças tínhamos de tomar banho todos os dias, senão o couro cantava lá em casa.
Ficávamos imaginando a quantidade de soldados mortos por ‘Bigode de Arame’. E nos perguntávamos: ‘quem sabe no cabo da carabina dele tem marcas da quantidade de soldados por ele abatidos, como marcamos o gancho dos nossos estilingues’?
Quase toda vez, ao passarmos na porta da casa dele, lá estava o homem sentado na cadeira de balanço. Movimentava a cadeira devagar, como se fosse proibido balançar com mais força, como fazíamos nos balanços da Praça de Esportes. Enquanto isso, ele cofiava o bigode de modo a torná-lo fino nas pontas.
Pouco se poderá dizer agora sobre o bigode dele, além da dita semelhança com o de Salvador Dalí. Nem mesmo a cor se podia saber direito. Ele era fumante inveterado e a cor amarela do bigode podia ser mera consequência da nicotina, que lhe manchara também os dedos da mão direita.
Quando ele não era visto fumando, picava fumo de rolo com canivete e o enrolava na palha sempre presa entre os lábios. ‘Bigode de Arame’ usava o próprio canivete para acochar o cigarro e em seguida acendia-o com uma binga, espécie de isqueiro rudimentar composto de uma pedra de faísca e pavio umedecido em querosene.
Ele era velhinho. Pelo menos para as crianças, parecia. Assim como velhinha era também a mulher dele. Os cabelos dela esbranquiçados pareciam estar grudados, como ficam os cabelos sujos de quem não os lava com frequência.
Para nós, ela era ‘Maria Bonita’ velhinha. Entretanto, quem nos intrigava era o marido dela, se é que de fato pertencera ao bando de Lampião.
Na sala da casinha simples onde o casal morava – construção antiga, do tipo colonial, de adobe; rebocada e pintada de amarelo; as portas e as janelas verdes – havia um baú aos nossos olhos, enorme.
Nós ficávamos ali na porta vendo o baú. Torcíamos para ele o abrir a fim de nos revelar o que de fato havia lá dentro.
Mas ele não o abria. Pelo menos diante de nós, nunca. Isto, claro, aumentava ainda mais as especulações. Chegamos até a apostar míseros cruzeiros. Havia quem assegurasse que dentro do baú tinha carabinas, balas e chapéus de cangaceiro. Além de roupas de couro cru usadas para enfrentar os espinhos da caatinga nordestina.
Houve até quem apostasse: ‘é baú de ossos; lá dentro há esqueletos de ‘milicos’ abatidos por ‘Bigode de Arame’ e pelo próprio Lampião’. Mas ninguém nunca conseguira tirar isto a limpo.
Tanto tempo depois, se alguém souber informações sobre ‘Bigode de Arame’, seja daqui do Brasil ou do exterior, com base nas características dele descritas, faça o favor de entrar em contato conosco.
Juntos, talvez possamos, enfim, desvendar o mistério da origem do homem que, meio século antes, povoou nossa infância e tanto medo nos meteu. Antecipamos pungentes agradecimentos.
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Autor: Alberto Sena |
21/07/2010
DILMA ROUSSEF VISITA CAFÉ GALO
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A candidata à Presidência da República, Dilma Roussef, do PT, visitou na tarde desta terça-feira, dia 20/7, o famoso Café Galo, em Montes Claros. Ela se fazia acompanhar do candidato ao Governo de Minas, Hélio Costa, do Prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite e de vários candidatos à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa.
Jadir Rodrigues, proprietário do Café Galo, entregou à candidata duas garrafas de Havana, e o livro que conta toda a história dessa famosa aguardente salinense, de autoria de Roberto Carlos Santiago, neto do lendário Anísio Santiago.
A visita durou dez minutos e praticamente paralisou o trânsito na rua lateral do Café Galo, tomada por populares e por moças portando estandartes de candidatos. |
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Autor: Itamaury Teles (texto e fotos) |
20/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (20.07.2010)

Este jornalista com os amigos Reinaldo Oliveira, Ricão e Tom Amorim, em tarde de sábado no Skema (Foto: Áflio Mendes Aguiar Jr.)
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Café Galo: Vem pra cá, João!
Venho observando não ser de bom alvitre anunciar a intenção de escrever uma determinada crônica. O escritor Roberto Drummond, de saudosa memória, comeu o pão que o Diabo amassou ao revelar publicamente estar trabalhando em seu novo livro “O cheiro de Deus”. O livro encruou e não saía nunca. Acometido por uma certa síndrome de “Hilda Furacão” – em função do sucesso deste seu romance transformado em série pela Rede Globo – somente concluiu o livro após 11 anos e 23 versões escritas à mão.
Guardadas as devidas proporções, o problema que me acomete, agora, resulta do anúncio feito em coluna de jornal de que pretendia defender a turma do Café Galo, em virtude do “ataque” desferido pelo cronista João Caetano Canela. Em crônica intitulada “Quedas”, publicada no Jornal de Notícias, ele dissera preferir qualquer modalidade de queda (cair do cavalo, cair do galho, cair na lama, cair da cama) a “cair na boca do povo que frequenta o Café Galo”. Evidentemente que suas palavras, ditas de forma generalizada, não repercutiram bem em meio às várias confrarias sediadas no renomado café montes-clarense...
Alguns frequentadores do Café Galo já se acercaram de mim para cobrar a promessa para defendê-los. O último a reclamar da prontidão na resposta foi o riachense Roque Colares, assíduo leitor dos meus escritos.
Ora, o escritor João Caetano Canela, como bom moço que é, merece de nossa parte o maior respeito. Necessitei, por isso mesmo, refletir bastante sobre o que dizer, para não feri-lo. Um mal não justifica outro. Afinal, devemos mesmo, nessas horas, lembrar dos ensinamentos do Mestre dos mestres, que sabiamente nos recomenda a oferecer a outra face quando somos esbofeteados numa delas.
E a outra face, talvez não conhecida pelo consagrado cronista, é que naquele exíguo espaço do Café Galo pululam pessoas representantes das variadas camadas sociais de Montes Claros. Desde prefeitos – não só o de Montes Claros, mas de outras cidades da região – a magistrados, jornalistas, escritores, radialistas, arquitetos, engenheiros, bancários, administradores, advogados, vendedores de loteria, professores e aposentados de variados ofícios. É um local democrático onde todos os fatos do quotidiano são comentados. Mas, de uma maneira geral, são comentários desprovidos de qualquer malícia ou vitupério.
Jadir Rodrigues, o atual proprietário do Café Galo, disse estar muito sentido com o comentário do João Caetano. “Ele está completamente enganado com esse pensamento. Aqui é um lugar de reunião dos confrades de Montes Claros, dos amigos fraternos. Ele não foi muito feliz com o seu artigo. Se ele frequentasse o Café Galo ele teria outra opinião.”
O escritor Haroldo Lívio, outro frequentador do badalado Café, entende que “quanto mais se falar do Café Galo, mais crescerá a fama do Café Galo. Ele está ocupando o lugar do Café do Zim Bolão, que fechou depois de quase 70 anos de funcionamento. E o Café Galo já tem mais de cinquenta anos. Falem mal, mas falem do Café Galo.”
Já o engenheiro Ítalo Teles achou “muito esquisita esta opinião do João Caetano. Frequento aqui há muitos anos e nunca o vi nem nas imediações do Café Galo. Para emitir opinião tem que conhecer.”
O advogado e cronista Denner Krogger, por sua vez, acha que “João Caetano está coberto de razão. Mas quem não deve não teme. Há sempre uma “boca maldita” nas cidades. Aqui nós temos o “bico maldito”, que é o Café Galo. Aqui é uma convergência de pessoas e é onde tem muitas idéias. Acaba centralizando toda a vida da cidade. Até assuntos particulares. Mas temos aqui alguns linguarudos mesmo. O habeas-corpus aqui sai primeiro que em qualquer outro lugar. Quando ocorre um assassinato na cidade, aqui já se sabe quem matou e até a hora que sai o enterro...”
Após essas manifestações de alguns dos meus confrades, entendo que a grande injustiça com os frequentadores do Café Galo foi o da generalização de algo que pode ser defeito de apenas alguns, em um local democrático onde todos têm vez e voz.
Como o João Caetano – tirante esse pequeno deslize – é gente da melhor qualidade, possuidor dos requisitos para ser admitido em nossa confraria, convido-o para se juntar a nós. Ele vai mudar de opinião, logo, logo.
PS: Como vê, meu caro João, você só caiu na boca do povo que frequenta o Café Galo porque provocou...
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
A CANDIDATA DO PT À PRESIDÊNCIA, Dilma Roussef, estará nesta terça, às 17 horas, visitando o Café Galo. Jadir Rodrigues, o proprietário do conhecido Café, já está de posse de uma garrafa de cachaça Havana, para presentear a candidata.
JOSÉ SERRA, candidato do PSDB, não teve a mesma sorte, no mês passado. Recebeu também uma cachaça de Salinas. Mas não era uma Havana...
RICÃO AMORIM E REINALDO OLIVEIRA se reencontraram no Skema Kente, no último sábado, quando relembravam os seus bons tempos no BANZÉ – a famosa Banda da Zezé, do Conservatório Lorenzo Fernandez. Ricão é hoje advogado em Belo Horizonte e Reinaldo comanda a Emater na região...
O JUIZ ALEXANDER MACEDO compareceu sábado no Café Galo. Envergando uma autêntica camisa do Fluminense, com autógrafos dos seus principais craques, ele comemorava a vitória jurídica contra o jornal “O Globo”, que o indenizou com vultosa soma, por danos morais.
CARTAS & E-MAILS
Sobre a crônica “No rabo do fogão a lenha”
Lindo o seu texto! Me deu saudade da minha infância. Também recordei o fogão de lenha (sic). Estrelas para você. Rosa Cândida (São Paulo – SP)
Resposta: Agradeço-lhe pela mensagem, Rosa. |
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Autor: Itamaury Teles |
17/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (17.07.2010)
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JUIZ MONTES-CLARENSE É INDENIZADO PELO “O GLOBO”
O montes-clarense Alexander Santos Macedo, juiz de direito no Rio de Janeiro, acaba de ser indenizado pelo jornalista Luiz Garcia e pela Infoglobo Comunicações Ltda – que edita o jornal “O Globo” -, por ter sofrido dano à sua honra profissional e pessoal, em matéria intitulada “A boca alheia”, publicada no jornal dos Marinhos.
Alexander Macedo, de tradicional família montes-clarense, foi retratado pelo jornalista Luiz Garcia como juiz indigente com seus deveres constitucionais e igualado a figuras menores da mesma profissão – como os juízes “Lalau” do TRT paulista e Rocha Matos, que montou balcão de venda de sentenças na Justiça Federal, também em São Paulo – apontando-o como juiz “já denunciado”e “sócio (ou funcionário?) de Sérgio Naya, no Rio”.
Os réus Luiz Garcia e Infoglobo foram condenados pelo juiz Rogério de Oliveira Souza, da 20ª. Vara Cível da Comarca da Capital, ao pagamento de indenização por danos morais não só a Alexander Macedo, mas também à sua mulher Yara e às três filhas do casal. O juiz Alexander recebeu a maior indenização, correspondente a 20 vezes o valor de seus vencimentos brutos.
Os réus foram ainda condenados a publicar a sentença na íntegra, nos exatos termos do pedido (localização, diagramação etc), no prazo de 5 dias após o trânsito em julgado da sentença.
A coluna recebeu cópia da publicação da sentença condenatória, no jornal “O Globo”, feita no último dia 22 de junho. Os autores abriram mão do direito de resposta e solicitaram a publicação da sentença, visando, tão-somente, o direito de informação escorreita.
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
FÁBIO CRUZ MOURÃO, filho dos meus compadres Edvaldo e Norma Mourão, é o novo doutorando em Medicina pela UFMG. Colação de grau será no próximo dia 23 de julho, às 20 horas, na Expomontes, em Belo Horizonte. Parabéns, grande Fábio...
“FACÕES” NA AVENIDA provocam quedas em pedestres apressados, na esquina da Avenida José Corrêa Machado com Rua Tupis, no Melo. O defeito no asfalto malfeito revela-se perigo constante aos transeuntes. Precisa ser corrigido...
O CEMITÉRIO DO BONFIM necessita ser iluminado. Enterros feitos no cair da tarde, se precedidos por discursos à beira do túmulo, resultam sempre em pessoas assustadas com a escuridão, em meio a cenário tétrico...
FALANDO EM CEMITÉRIO, foi muito elogiado o discurso de improviso feito pela Professora Yvonne de Oliveira Silveira, presidente da Academia Montes-clarense de Letras, no sepultamento da acadêmica Amelinha Prates Souto, na última segunda-feira. Emocionante, inspirado, profundo, belo. Um retrato fiel da alegre amiga que nos deixa.
A PROPÓSITO DA PRANTEADA Amelinha Prates, o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros fará reunião, na próxima segunda-feira, às 17 horas, estando na pauta homenagem póstuma à acadêmica. Amelinha, cujo nome havia sido aprovado para integrar os quadros do IHGMC, escreveu interessante artigo sobre o centenário do Dr. Hermes de Paula, na última revista do referido Instituto.
IGOR AVELAR é técnico em informática que presta excelentes serviços na Rua São Paulo, 900 , no Bairro Todos os Santos. Micro computadores e notebooks recebem dele tratamento especial. Mérito a quem merece.
A PITA continua abundando nos passeios públicos da cidade. Na Rua Cristóvão Colombo, no Jardim São Luiz, há um intransitável, em virtude do matagal ali existente. O pedestre tem que ir para o meio da rua, correndo o risco de ser atropelado. Mas não é só ali. A secretaria de serviços urbanos poderia iniciar uma capina geral nos passeios da cidade. A população agradecerá, com certeza...
FICOU EXCELENTE a mais recente revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Vale ser adquirida por bibliotecas e particulares. Puro repositório de história. Pode ser encontrada na Distribuidora Thaís, no Quarteirão do Povo.
ATO FALHO foi cometido por mim na entrevista que concedi à Rede Vida, no Rio de Janeiro. Glorinha Mameluque, que a assistiu, chamou-me a atenção. Troquei o nome do ex-prefeito de Brasília de Minas, Cassiano Oliveira pelo do Francisco Simões, meu amigo fraternal. Registro aqui as minhas desculpas ao Chiquinho pela falha involuntária.
MARA NARCISO, competente endocrinologista, mandou-nos convite para as solenidades da sua segunda formatura, agora em Jornalismo, pela Funorte. Colação de grau foi na última quinta-feira, 15/7, às 19 horas, no Max-Min Clube. “Que os meus desejos se concretizem e se multipliquem”, invoca ela. Amém, digo eu...
LUIZ RIBEIRO E CIDA SANTANA também mandaram convite e se formaram na mesma turma de novos jornalistas. Parabéns ao casal amigo.
RECEBO INFORMAÇÃO de que José Pedro de Souza, de 73 anos, com esposa e dez filhos, podem ser despejados da Fazenda Pau D’arco, em Manga. Segundo o mesmo informante, ele é posseiro na fazenda há mais de 30 anos e, nos últimos tempos, tem sofrido pressões dos herdeiros da propriedade. “A área foi desmatada e transformada em carvão, desde a década de 1980. Atualmente, encontra-se em total improdutividade” – finaliza. A justiça certamente resolverá a pendenga...
CARTAS & E-MAILS
Porque raspei meu cavanhaque
Lindo texto, e explicação plausível, pois, sinceramente admirava seu cavanhaque. Não que não tenha ficado bem sem ele. Mas admirava sua bela postura com um certo ar de lorde. Estrelas pela crônica, lamentos pelo fim do dito cujo. Mas a admiração continua. Sniff!! Abraços. Kokrane (São Paulo – SP).
Resposta: Agradeço-lhe pelo comentário, Kokrane. Para falar a verdade, eu andava meio saudoso do meu cavanhaque. Por isso – e apesar das justificativas expostas na crônica – resolvi deixá-lo crescer à vontade, novamente. Abraços.
(PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS") |
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Autor: Itamaury Teles |
16/07/2010
NAS MÃOS DE QUEM NASCI
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Foi o texto de Mara Narciso, intitulado ‘Praça Irmã Beata,’ baseado nos depoimentos de Ruth Tupinambá, Maria de Jesus Felícia Mota e Maria Eunice Leite, sobre Wilhelmina Lauwen, conhecida como Irmã Maria Beatrix, e muito mais como Irmã Beata, que me proporcionou sensação tal e qual, senão a uma regressão ao útero materno, pelo menos, ao dia do meu nascimento. Nas mãos de quem? Dela, Irmã Beata.
Posso dizer, sem exagero: assisti ao meu próprio parto. Assisti claro, modo de dizer. Assisti com os olhos de mãe e os detalhes contados por ela. Não os detalhes do parto em si, mas do pós-parto. Do que aconteceu em seguida.
O resto do que se passou naquele dia ficou por conta da minha imaginação. Até hoje, volta e meia, falo com as pessoas, quando tenho a oportunidade, como a tenho agora: ‘nasci em mãos santas’.
Se Montes Claros tem alguém candidata a ‘santa’, o nome dela é Irmã Beata, holandesa de nascimento. Talvez esse fato somado à religiosidade de mãe me tenha tornado crente em Deus.
A pessoa pode ser considerada a mais sábia do mundo, mas se porventura confessar não crer em Deus, essa pessoa não existe. E não vai aqui nenhum sentimento de menosprezo. Pelo contrário, uma pessoa que nega a existência de quem a criou merece piedade. Se não crê em Deus, o Criador, como crer na criatura sábia, cuja sapiência a cegou?
Mas não basta crer em Deus. É preciso sentir Deus em si (sentir e não se sentir Deus). Ele é Ser tão grande que nenhum vivente tem olhos para enxergá-lo no todo. Deus a gente O vê nos detalhes. Nos montes claros, nas florestas do Cerrado, nos animais quadrúpedes e nos pássaros. Na grandeza do mar e em tudo que o povoa. Ele é visto nos rios. E, principalmente, nos seres humanos.
Como disse parágrafos atrás, ao ler o texto ‘Praça Irmã Beata’ tive uma experiência de regressão ao dia do meu nascimento. Mãe que me contou: quando nasci, a caridosa freira pegou-me nos braços e disse – preciso reforçar: estou sendo fiel ao que mãe me contou: ‘quê menino bonito, dona Elvira; dá ele pra mim’? E ficou comigo nos braços, ninando. Ela foi insistente, contou-me, mãe.
Claro, dona Elvira ficou lisonjeada. Eu mais ainda, embora na ocasião não pudesse manifestar nada neste sentido a não ser aos ‘berros’.
Essa brincadeira de Irmã Beata com mãe pode ter sido demonstração do quanto era ela sensível, e psicologicamente, sabia lidar com as parturientes. Ela devia falar a mesma coisa a todas as mães.
Mas foi importante saber disso e retornar ao dia do meu nascimento. Poder imaginar as mãos da Irmã Beata me segurando, como se abarcasse uma ‘trouxinha’ envolta em panos. Gostoso sentir o calor do colo dela, alma virgem, e tentar ouvir-lhe as batidas do coração.
Um dia perguntei a mãe se ela teria coragem de me dar em adoção à Irmã Beata. Sabem o que mãe disse? ‘Claro que não’! Ainda bem. Pensei. Não ia gostar de viver com ela, ali dentro da Santa Casa, naquele silêncio quase sepulcral, onde não se podia brincar nem fazer barulho.
Bom mesmo era ser filho de dona Elvira e brincar livre no quintal, debaixo dos pés de jabuticaba ou à sombra das mangueiras e praticar pontaria com pedradas de estilingue nos vidrinhos de penicilina.
À medida que as minhas irmãs se casavam e iam tendo filhos – primeiro Elza, casada com o já falecido Raimundo Lopes; depois Terezinha (Tê), casada com Nelson Murça, hoje com 84 anos – era hora de ir à Santa Casa ver a carinha dos sobrinhos recém-nascidos.
Era bom ir à Santa Casa só para subir a rampa até o apartamento onde o sobrinho recém-nascido dormia. Era gostoso ouvir o silêncio dentro do hospital. No apartamento só se podia falar baixo.
Mas embora achasse importante ter nascido nas mãos dela, eu continuava renitente: ‘minha mãe fez o mais certo, não me entregou à Irmã Beata’. Fisicamente, não. Mas espiritualmente, em Deus, na pessoa de Jesus Cristo, sempre estive com ela, dentro ou fora da Santa Casa.
Para mim, hoje, ao volver ao dia do meu nascimento, acredito: Irmã Beata ‘era santa’. Não por mérito dela própria, mas por conta de Jesus Cristo no seu coração. Ninguém é santo se não estiver em Deus.
Vamos refletir: quem é capaz de controlar a fome, a sede, os pensamentos, a respiração, as necessidades fisiológicas, as batidas do coração? Quem sabe o que vai me acontecer, a mim ou a você, no próximo minuto?
Fisicamente somos, em verdade, poeira cósmica. Não há porque nos acharmos uns superiores aos outros. Vamos todos virar pó. Importa, sim, cuidar do espírito.
Enquanto ainda há tempo.
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Autor: Alberto Sena |
13/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (13.07.2010)
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Zé Ferreira e o tatu trepador
Credibilidade não é, certamente, o atributo que mais caracteriza caçadores e pescadores. A fama que eles têm não é lá muito boa, quando se trata de questionar a veracidade dos relatos que fazem de suas incursões pelas matas e rios piscosos, por esse Brasil afora. Isso porque os peixes são sempre tão grandes que só a fotografia pesa “quilo e meio”... Já os caçadores dizem ter matado várias onças pintadas, mortas a muque ou a golpes certeiros de zagaia, entrando o espeto pela boca e saindo pelo buraco traseiro, que é pra não estragar o couro com perfuração. Espingarda só na aflição, se não tiver jeito mesmo!
Em Montes Claros, na década de 70 do século passado, havia até um boteco onde eles se reuniam com freqüência: o bar Guarany, do “seu” Milton, ali na rua Dr. Santos. E, para não fugir à regra, o dono mandou pintar uma placa e a afixou na parede, com os seguintes dizeres: “Aqui se reúnem caçadores, pescadores e outros mentirosos”.
Histórias de caçador, aliás, se tornaram muito raras, ultimamente, em virtude da proibição da caça, para a preservação da fauna brasileira.
O Zé Ferreira, do Rebentão dos Ferros, caçou muito enquanto viveu. Mas vivia do que caçava e em sintonia com a Natureza, respeitando-a. A proibição à caça o pegou já no final da vida. E talvez tenha até morrido de desgosto.
Ele se gabava de saber ficar na espera da caça, normalmente próximo a uma fonte d`água. Segundo me disse, ficar na espera não é pra qualquer um. Tem que se observar o sentido dos ventos, pois os animais têm um faro muito aguçado e ficam velhacos quando percebem cheiro diferente no ar...
Zé Ferreira contou-me, com riqueza de detalhes, algo estranhíssimo acontecido durante uma espera. Foi num encontro que mantive com ele, no Rebentão. Eu já conhecia alguns casos deles, mas gostava de ouvi-lo relatar novamente. E ele não se fazia de rogado e nos atendia prontamente. Assim, já o perguntei de chofre:
- E o dia que você estava na espera e apareceu um tatu estranho?
- Zé Barbosa! Esse homem nunca saiu daí. Ele mora lá. Ele tinha um tatu. Um dia desse ele apareceu aí, em forma de tatu. Apareceu pra Geraldo Sabino, moço muito direito. Ele quase morre de medo. Ele fez uma espera de pasto. Então ele tava esperando. Tinha um pé de coco encostado assim. Aí quando viu foi o tatu chegano e foi subino pra riba no pé de coco. Aí ele falou: - Uai, qui tatu é esse? Nunca vi um bicho desse! Cumpôco o tatu virou de cabeça pra baixo. Quando bateu imbaixo foi fogo, um trembuzada doida, um calor do cão. Ele largou a espingarda, os trem tudo e correu dimais e foi batê na casa dele quase assombrado. Largou os trem tudo pra trás. Correu dimais. E era longe da casa dele! Ele foi criado aí. Foi o Véi Arcebino qui criou ele. Um negro. Ele é um negro: chama Geraldo Sabino. Ele é capataz da fazenda. Ele roda a fazenda inteira. Num trabáia não. Onde tem uma cerca dismanchada, ele vai lá e avisa. Ele já tá véi. É de minha idade, maisomeno. Mas mais forte quieu. Foi preciso no dia seguinte uma minina filha dele ir mais ele pra apanhá a espingarda e os trem. Aí qui ele me contou o caso e contou pra todo mundo aí. E ele num mente não. É um negro certo, um negro direito. Direito mesmo. Diz ele que foi por um trupico... E comigo, não. Eu vi a hora que ele vêi, passou dento d'água, ficou debaixo da espera, rodano. Eu conheci que era Zé Barbosa. Tinha um tempo bom que ele morreu. Depois ele subiu no pau. Ficou, ficou, ficou. Cum poco ele desceu do pau, panhô a espingarda, a garrucha e saiu fumando... - finalizou Zé Ferreira, tirando a palha de milho do bolso traseiro para fazer um pito.Acredite se quiser...
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
AMÉLIA PRATES BARBOSA SOUTO – minha confreira na Academia Montes-clarense de Letras – faleceu no último domingo (11), aos 74 anos, em Barbacena, onde participava da formatura em medicina de um de seus netos. Ela ocupava a cadeira número 5 da nossa Academia, que tem como patrono Camilo Filinto Prates, seu avô.
Em dezembro último, Amelinha – como era conhecida – lançou cinco livros infantis: Aventuras do Pássaro Preto, A chegada de Fernanda, Confidências de Chocolate e Pipoca e Zeca Ventania e Tone Topete.
Era filha de José Barbosa Neto, o primeiro dentista formado da cidade, jornalista, fazendeiro e tabelião do 3º. Ofício de Montes Claros, e de Olga Prates Barbosa, professora de Francês. Casou-se com José Souto, médico montes-clarense, com quem viveu 32 anos e tivera oito filhos: Rogério (falecido), José Souto Júnior (médico), Olga Maria (advogada), Danuza (fonoaudióloga), Luciano (arquiteto), Cláudia (jornalista) e Murilo (estudante). Os amigos prestaram-lhe as últimas homenagens no Velório da Santa Casa e no enterro, na tarde de ontem, segunda-feira, em sua cidade natal.
CARTAS & E-MAILS
O “camerlengo” Murta
Parabéns, Itamaury! Hilário seu texto. Amei. Abraços. Fátima Cangussu (Belo Horizonte – MG)
Resposta: Agradeço-lhe pelos cumprimentos, Fátima. |
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Autor: Itamaury Teles |
13/07/2010
As letras da vida real
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Aos 50 anos e trabalhando como doméstica há três décadas, a vida daquela mulher, que luta contra um câncer, parou. O seu filho foi baleado numa história mal contada e ficou tetraplégico. O rapaz de 22 anos esteve vários dias no CTI, inclusive no respirador, mas voltou para casa respirando por conta própria. A fisioterapia de meses parece inútil, porque os movimentos não voltaram e permanece com os membros muito atrofiados.
A vítima do tiro foi socorrer um amigo injustamente ameaçado e levou a pior. O projétil atingiu a sua quinta vértebra cervical e ele caiu. Como no livro “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva, o passado parece melhor e mais feliz. Depois da lesão, é conviver com a imobilidade, a dependência e a sensação de inutilidade.
A irmã ajuda no tratamento, virando o rapaz a cada três horas, e benção das bênçãos, não tem escaras, as temíveis feridas que se abrem nos pontos de pressão da pele com o colchão. O uso do tipo caixa-de-ovo ajuda a preveni-las, junto com a higiene e a mudança de posição.
O peso é grande, em todos os sentidos, mas não há tempo para fraquezas. É preciso dobrar os turnos no serviço, e arrumar outros trabalhos. A mulher passou a fazer também limpeza numa clínica, além de atender na recepção.
Movendo-se apenas do pescoço para cima, o rapaz quer morrer. Grita, chora, xinga, quer acabar com sua vida de nada. A mãe trabalha fora mais de 18 horas por dia, cuida dele, reveza com a filha, e ainda busca no mais recôndito do seu ser alguma fala que o console. Diz que nem tudo está perdido, que ele está vivo, que ela o ama, que ele vai melhorar. Sabe que não vai, mas precisa mentir, enganar, dissimular seu próprio desalento, achar alguma coisa para dizer, dia após dia.
Depois da tragédia, uma moça passou a frequentar a casa. Ela interessou-se pelo rapaz e começaram a namorar. Conseguem ter relações sexuais e isso minora um pouco a ira e o desespero do filho, que fica mais na cama, de bruços, mas também na poltrona, amarrado, pois não tem controle de tronco.
O rapaz quer uma boa cadeira-de-rodas, um carrinho velho para ir à fisioterapia e um computador. Começaram as aulas de informática. É possível usar um bastão colocado na boca para alcançar o teclado. Isso o distrai, e antes, o tempo era gasto apenas na televisão. A vizinha chega à tarde. Todas estão exaustas e os recursos financeiros na lona, assim, precisam encontrar alguma solução.
A história mal começou. A saúde dele é boa. A comida dada na boca é bem aceita, a pele permanece íntegra, não tem infecção alguma, seja urinária, seja pulmonar, situação que acomete sistematicamente os acamados.
Quando há recursos financeiros, o desespero se esvai no tempo e nos tratamentos paralelos com psiquiatras, fisioterapeutas, acompanhantes, passeios, estadas nos Hospitais Sara Kubitschek, onde os paralíticos aprendem a ser menos dependentes. Mas aqui não há esses recursos.
É preciso esvaziar a bexiga com sonda de alívio quatro vezes ao dia. As três mulheres cumprem essa missão. Após o uso da sonda, a mesma é lavada e reutilizada 24 horas depois.
A vida vai transcorrendo na sua versão terror. A mãe fica reconfortada pelo fato de ele não usar fraldas. Imagina que o filho se sentiria ainda mais inferiorizado. Mas tem a retenção de urina e fezes. A parte intestinal é a pior parte. A cada três dias, a mãe calça dois pares de luvas sobrepostas e extrai as fezes. Os médicos ensinaram como fazer. Esses procedimentos são os piores de toda a semana. A invasão é devastadora, assim, a revolta dele atinge o seu ápice, enquanto uma dor dilacerante rasga o peito dessa mãe.
Na novela televisiva é possível enlevo e romance para um tetraplégico. O cenário de sonho numa lua-de-mel num hotel em Paris, uma cama com dossel alto e fartos lençóis brancos egípcios, uma piscina no quarto, e um café na cama, após uma noite de amor, são possibilidades.
Todos têm o direito de sonhar, e o lado feio fica do lado de cá, na vida real. A arte imita a vida, de longe, podendo chegar à cabeça das letras, mas não aos pés. Eles ainda estão paralisados.
*Mara Narciso é médica e jornalista, autora do Livro Segurando a Hiperatividade – 11 de julho de 2010. |
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Autor: Mara Narciso* |
12/07/2010
CHUMBOS DA MEMÓRIA DE GENIVAL
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O montes-clarense Genival Tourinho, advogado, ex-deputado federal (PTB), político declaradamente de esquerda, aos 77 anos de idade, se dava ao direito de cochilar em paz no sofá da casa dele, no Bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte, em plena quinta-feira, às 14h30m.
Quando a campanhia do interfone soou, ele se levantou, pôs o boné e se sentou com o rosto marcado pela cobertura do sofá. Disse: ‘hoje, nessa idade, trabalho pouco’.
Genival vai lançar, em breve, um livro de memórias. Promete revelações as mais incríveis, homem sobrevivente que é de uma época das mais difíceis do País, quando o Brasil viveu sob a ditadura militar.
__ Você foi cassado na ditadura, Genival?
__ Fui e não fui – ele respondeu.
Contou ter sido cassado pelo Supremo Tribunal Eleitoral, que modificou o ‘Regimento Interno’ para acatar denúncia do general Walter Pires pedindo o seu enquadramento na ‘Lei de Segurança Nacional’, por ter denunciado a ‘Operação Cristal’.
O objetivo dos comandantes da ‘Operação Cristal’ era praticar atentados terroristas e jogar a culpa nas esquerdas brasileiras, para deter o processo de abertura política ‘lenta, gradual e segura’ e o retorno dos militares aos quartéis.
O atentado frustrado do Riocentro, por exemplo – contou Genival – só aconteceu no Rio de Janeiro porque as autoridades daqueles anos de chumbo não apuraram a denúncia dele contra a tal ‘Operação Cristal’.
__ Ao invés de apurarem a minha denúncia, eles preferiram me processar. Eu acusei como sendo os comandantes da ‘Operação Cristal’, o chefe da IV Região Militar, de Minas Gerais, o general Coelho Neto; o general Newton Tavares (‘Caveirinha’), do II Exército, de São Paulo; e Antônio Bandeira, do III Exército, do Rio Grande do Sul.
Naquela ocasião, alguém acusar frontalmente três oficiais generais de atentado a bomba e morte na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ‘era uma temeridade’. Membros do Supremo ao saberem da possibilidade de Genival ser absolvido, mudaram o ‘Regimento Interno’ e transformaram o julgamento dele, que seria aberto, em ‘julgamento secreto’.
Ele foi o único deputado federal julgado pelo Supremo, secretamente. Na ocasião, o também deputado Chico Pinto, baiano de Vitória da Conquista, processado e condenado pelo Supremo, teve todos os atos do processo públicos.
__ O meu foi ‘fechado’ – contou.
Daí porque o relator que votou e o absolveu, Carlos Fulgêncio da Cunha Peixoto, dizer-lhe depois: ‘o julgamento secreto, que você mesmo definiu como sendo ‘segredo de polichinelo’, pois meia hora depois já se podia saber quem havia votado contra, se tivesse sido público ‘teriam votado em você para pousarem de democrata, mas como o seu julgamento foi secreto, votaram contra’.
Genival contou que não houve pena de exílio no período militar. Houve, sim, ‘pena de banimento’. Ninguém foi exilado, mas se auto-exilaram aqueles que se sentiam ameaçados e sem segurança para viver no País. De Minas, os que se auto-exilaram – ‘e eu dou razão porque se tivessem ficado seriam assassinados’ – um deles foi Darcy Ribeiro, por causa de ‘um tapa’ dado no rosto do general Nicolau Filho.
Genival narra tudo em detalhes no livro de memórias, a caminho do prelo. O ex-deputado faz revelações que ‘ninguém nunca fez’. No caso de Darcy, o general foi deblaterar o fato de ele ter mandado distribuir armas aos estudantes da Universidade de Brasília (UNB). E Darcy, no calor dos acontecimentos, além de lhe dar tapa ‘mandou o general a merda’.
Darcy fugiu do País num avião monomotor, com Waldir Pires. Ele só saiu de Brasília três dias depois de a cidade ser ocupada pelas tropas do 10º Batalhão de Polícia de Montes Claros, tendo à frente o coronel Georgino Jorge de Souza.
Depois, Georgino disse a Genival: ‘lamentei muito, a minha preocupação era com a possibilidade de ter de prender Darcy e você’.
O prefácio do livro de memórias de Genival está sendo escrito pelo jornalista Joel Silveira. No livro, ele conta, por exemplo, a história do rompimento de Jango e Brizola, ‘exatamente como aconteceu, ninguém nunca teve peito para contar isto’.
Segundo Genival, nos últimos momentos de Brizola com Jango houve o seguinte diálogo:
Brizola disse a Jango:
__ ‘Tu não és simplesmente um presidente ameaçado de ser deposto, Jango; tu foste ungindo, duas vezes, para presidente da República, chê! Tu derrotaste, inclusive, o teu antagonista na própria terra natal dele e tu foges agora’?
E Jango respondeu:
__ ‘Não adianta, Brizola, tu não sabes o que está acontecendo. Há uma esquadra norte-americana e boa parte dela já está em Santos e outras se aproximam do Espírito Santo. Eu não quero derramamento de sangue’.
Brizola reagiu:
__ ‘Quê derramamento de sangue, isto é problema que resolveremos entre nós mesmos’.
Jango disse:
__ ‘Leonel, boa tarde! Eu já estou saindo. O piloto do avião está me esperando’.
E Brizola, num assomo de raiva, falou:
__ ‘Tu não és nada do que falei. Tu és apenas um ‘rengo corno’.
Genival explicou: ‘rengo’, no jargão gaúcho, é ‘cocho’. Por causa desse diálogo, os dois nunca se reconciliaram. Jango morreu odiando Brizola. Brizola morreu detestando Jango.
Aguardem o livro de memórias de Genival. Vem chumbo, e do grosso.
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Autor: Alberto Sena |
10/07/2010
POR DETRÁS DO MEU RAY BAN (10.07.2010)
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MONTES CLAROS COM 250 MIL ELEITORES
Os cartórios eleitorais de Montes Claros acabam de totalizar o número de eleitores no município. São exatos 249.980 eleitores, porém nem todos estão aptos a votar nesta eleição de 2010.
A chefe do cartório da 325ª. Zona Eleitoral, Lenísia de Fátima Barbosa Amaral, apresentou o quadro total afirmando que apenas 238.405 eleitores estão aptos a votar no município de Montes Claros. Outros 10.329 eleitores tiveram o título cancelado porque deixaram de votar nas três últimas eleições e não justificaram a ausência no prazo legal. Por fim, há 1246 eleitores com títulos suspensos temporariamente, por se enquadrarem nas condições de conscritos (prestando serviço militar obrigatório) ou condenados criminalmente, com trânsito em julgado ou por incapacidade civil absoluta.
Os mineiros, neste ano eleitoral, elegerão 77 deputados estaduais, 53 deputados federais, dois senadores, governador e o novo – ou nova - presidente da República.
DEPÓSITO LEGAL NA BIBLIOTECA NACIONAL
Esta notícia interessa a todos aqueles que editam livros. Como há muitos deles em Montes Claros, fica aqui o alerta para o chamado Depósito Legal. Por força de lei (10.994/2004), todo editor de livros tem de encaminhar um exemplar da publicação à Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.
Estive em contato com a Chefe de Divisão do Depósito Legal, Virgínia Freire da Costa, e ela informou-me que o objetivo principal do Depósito Legal é assegurar a coleta, a guarda e a difusão da produção intelectual brasileira, visando à preservação e formação da Coleção Memória Nacional. Além disso, ressaltou que esse procedimento não se confunde com o registro de obras intelectuais para fins de direitos autorais.
O Depósito Legal deverá ser efetuado até 30 dias após a publicação. O não cumprimento da exigência implica em multa de até 100 vezes o valor da obra e apreensão de exemplares em número suficiente para atender às finalidades do depósito.
SOB A SOMBRA DO MEU PANAMÁ
TODOS OS MEUS LIVROS fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional. Agora mesmo, acabo de receber correspondência de agradecimento pela doação efetuada, nos seguintes termos: “ Sua participação é muito importante e a divulgação de sua produção editorial dar-se-á através da Bibliografia Brasileira, distribuída no Brasil e no Exterior.Esperamos continuar contando com seu interesse e merecendo sua atenção no envio regular de novas e futuras publicações.”
A EXPOSIÇÃO AGRO-PECUÁRIA, que se encerra neste fim-de-semana, bate recordes de negócios. Mas a presença de público não vem repetindo certames anteriores. Neste ano, a maior concentração ocorreu no show da dupla mineira “Vitor e Léo”, quando contabilizaram presença de 20 mil pessoas. Muito longe, como se vê, dos 80 mil pagantes no show de Leandro e Leonardo, há algum tempo atrás...
O LUCRO DO ITAMAURY foi o título dado pelo laureado jornalista Alberto Sena a artigo em que comenta meu livro “Doce prejuízo”, na edição de ontem em “O Norte”. Agradeço ao amigo pela análise feita, principalmente quando diz ter lido e gostado do livro pelo meu “jeito característico de contar histórias, de manter relação telúrica com o lugar onde nasceu e viveu até se transferir para Montes Claros, onde também plantou raízes e delas trata em vários momentos”.
AGRADEÇO AOS AMIGOS DA IMPRENSA pela divulgação, nos jornais de ontem, de matéria a respeito da entrevista que concedi ao jornalista Aristóteles Drummond, no Rio de Janeiro, que iria ao ar ontem, às 20h30, pela Rede Vida. Agradecimento especial à jornalista Márcia Yellow Vieira, pela assessoria na divulgação à mídia local.
SUGERI O NOME DE GENIVAL TOURINHO para falar sobre o potencial das reservas de gás natural, na bacia do Rio São Francisco. Ele, desde os tempos de acadêmico de Direito, vem lutando para que o gás, que brota naturalmente em Remanso do Fogo, seja explorado pela Petrobras.
AS PREVISÕES FEITAS aqui na coluna, na última seção de cartas, não se realizaram. Embora a numerologia indicasse a Alemanha como a nova campeã do mundo neste 2010, perdeu o trem da história para o selecionado da Espanha, que vai para a final neste domingo, contra a Holanda...
FALANDO EM COPA DO MUNDO, finalmente a FIFA dá sinais de que poderá haver mudanças no atual sistema de arbitragem para a Copa de 2014. Uma reformulação geral foi solicitada. O presidente da entidade, Joseph Blatter, que já recusou diversos pedidos para a introdução de tecnologias, acena com a possibilidade de colocar um árbitro atrás de cada gol. Seriam mais dois pares de olhos a auxiliar o árbitro da partida...
LEMBRO-ME DO JOÃO HAVELANGE, ex-presidente da FIFA, batendo pé firme contra a introdução de sistemática capaz de reparar erros da arbitragem – tão escancarados na Copa de 2010. Segundo ele, essas mudanças acabariam por retirar todo o calor das discussões que envolvem o futebol...
CARTAS & E-MAILS
Festa de Senhora Sant'Ana, em Serra Branca 2010!
Queridos amigos! Gostaríamos de contar com a sua ajuda na divulgação da nossa festa! Convide seus amigos e familiares para celebrar com a gente a maior festa popular da nossa região. Senhora Sant'Ana nos proteja e abençôe! Com carinho, Festeiros Nena e Edson, Padre Onofre da Paróquia N. S. Assunção e Associação Cultural de Senhora Sant'Ana.
Resposta:
Com a publicação da carta, colaboro com a divulgação da festa de Serra Branca. Para quem não sabe, Serra Branca é um povoado no município de Porteirinha, às margens da MG-122, em direção a Mato Verde. A festa, em louvor a Senhora Sant’Ana, é realizada há mais de 250 anos e inicia-se com novena que termina no dia 26 de julho.
(PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA COM O JORNAL "O NORTE DE MINAS") |
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Autor: Itamaury Teles |
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Que tal?
- A gente ter um espaço democrático, aberto e sem censura, para a expor nossas idéias, expressar nossos sentimentos?
- A gente emitir e compartilhar opiniões, sem sentimento de culpa, usando essa tribuna livre para criticar, aplaudir, contestar?
- A gente, com a certeza do dever cumprido, contribuir de qualquer forma pela formação das idéias, do caráter e da opinião das pessoas?
- A gente, enfim, viver a generosa dádiva da existência e sorver cada gota com o prazer indescritível de que podemos desfrutar?
Esta é, em síntese,
a Certidão de Nascimento do MINASLIVRE.COM.
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