17/11/2008
O futuro do Acre



                                                                                                             

            O nosso Estado do Acre, que em tempos anteriores já havia decretado a sua independência, incorporado ao território brasileiro graças à atuação diplomática do Barão do Rio Branco, ainda se inscreve como um contencioso entre o Brasil, a Bolívia e o Peru.

            A Bolívia, na atualidade, em regime ditatorial, de aparente democracia, já nos fez ver que pode intervir, com os aplausos do governo brasileiro. Perdemos há pouco tempo, todo o patrimônio da PETROBRAS ali edificado. Há menos de uma semana executivos da empresa Queirós Galvão, que está executando obras valiosas para o próprio governo boliviano, mediante contrato, saíram do país sob proteção diplomática, pela fronteira do Peru, em carro da Embaixada brasileira, entre eles meu próprio filho engenheiro Petrônio Braz Júnior.

            Leio em Manoel Hygino – Dinheiro à bessa – na edição do dia 16.11.2008, do Hoje Em Dia, comentários sobre o problema acreano, envolvendo discussões acaloradas entre Rui Barbosa e Gumercindo Bessa, sergipano, eleito deputado federal pelo Amazonas (1909).

            Não está muito distante a luta armada entre Brasil e Bolívia pela posse do território do Acre. Menos de um século. O Estado do Acre faz fronteira com o Peru e a Bolívia, e não nos causará espécie se o atual governante da Bolívia vier a decretar, com omissão do governo brasileiro, a anexação do Acre ao território boliviano.

            A omissão governamental brasileira em relação ao Estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela de Hugo Chaves, já é notória.

           


 Autor: Petrônio Braz
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13/11/2008
PETRÔNIO BRAZ: NOVO IMORTAL DA AML



Tomou posse, ontem à noite, dia 12/11, o mais novo imortal da Academia Montes-clarense de Letras. Trata-se do escritor e jurista Petrônio Braz, autor de inúmeras obras jurídicas e de elogiados romances, como Jandaia em tempo de seca e Serrano de Pilão Arcado: A saga de Antônio Dó.

O neo-acadêmico foi saudado pelo vice-presidente do sodalício montes-clarense, Wanderlino Arruda, e recebeu homenagens de membros de outras academias de que já fazia parte.

Petrônio ocupou a cadeira 25, que tem como patrono o Padre Augusto Prudêncio da Silva e como primeiro ocupante o Coronel Geraldo Tito Silveira, falecido há alguns meses.

O seu discurso de posse, bastante elogiado pelos presentes, vai publicado abaixo, para o deleite dos leitores do Minas Livre.

 

 

 

""O estreito caminho de uma Academia

 

Petrônio Braz

 

Não foi sem ausência de obstáculos, que necessariamente existem, que a convite da escritora Amelina Chaves apresentei-me como candidato a uma Cadeira na Academia Montesclarense de Letras. O voto aprovador dos acadêmicos, amigos uns, conhecidos outros, todos grandes no campo das letras, permitiu-me transpor os umbrais da Casa de Yvonne Silveira.

Observa Fábio Lucas, da Academia Mineira de Letras, que “a Academia não é mais o caminho necessário de quem deseje cumprir a vocação e o destino de escritor. Minha formação espiritual, ideológica, consolidou em mim a convicção de que o homem das letras deve participar. Ninguém é o senhor de um destino quando procura as comodidades ilusórias do isolamento”.

Não desejo o isolamento, mas a participação, daí porque resolvi, como devem fazer todos os amantes das letras em nossa região, passar pelo estreito e disputado caminho da Academia Montesclarense de Letras.

            Sabe-se que o nome Academia teve origem na escola fundada por Platão, na Grécia clássica, que funcionava nos jardins da residência, que havia pertencido a Academus. Sabe-se, também, que ao contrário da Escola de Isócrates, onde o conhecimento se reduzia ao repassar do saber, na Escola de Platão, em presença da dialética socrática, os seus freqüentadores iam ao encontro do conhecimento pelo questionamento, pela busca do esclarecimento, criando novos saberes, que geravam novas discussões. Dentro desse posicionamento, quando o Ocidente se debruçou sobre a cultura grega, teve origem na França, em 1620, a Académie de France, fundada por iniciativa do Cardeal Richelieu. Em 1897 é criada, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras e, na sua esteira, inúmeras Academias foram sendo criadas pelo interior do País, nascendo, em 1909, a Academia Mineira de Letras.

Em 13 de setembro de 1966, uma plêiade de personalidades ilustres, intelectuais iluminados, que navegavam pelas águas claras e transparentes da literatura, entre eles Alfredo Vianna de Góes, Antônio Augusto Veloso, José Raimundo Neto, Padre Joaquim Cesário, Geraldo Avelar, João Valle Maurício, Hermes de Paula, Maria Ribeiro Pires, Orlando Ferreira Lima, Heloisa Neto Castro, Francisco José Pereira, Avay Miranda, fundaram e instalaram em Montes Claros a Academia Montesclarense de Letras, importante sodalício Norte mineiro, que conta com quarenta membros, a exemplo da Academia francesa.

            Os fundadores da Academia Montesclarense de Letras, em um ato de fé, firmaram disposições iniciais vinculadas ao propósito de fixar neste Norte um espaço voltado para a intelectualidade. Por esta razão, senhoras e senhores Acadêmicos, preocupa-me a aculturada visão do ser humano civilizado de nossos tempos com os bens materiais, em detrimento da busca racional do conhecimento de tudo que se encontra ao seu redor.

Eça de Queirós em “Prefácio dos «Azulejos» do Conde de Arnoso” sentenciou: "A arte é tudo - todo o resto é nada. Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo. Leónidas ou Péricles não bastariam para que a velha Grécia ainda vivesse, nova e radiosa, nos nossos espíritos: foi-lhe preciso ter Aristófanes e Ésquilo. Tudo é efémero e oco nas sociedades - sobretudo o que nelas mais nos deslumbra. Podes-me tu dizer quem foram, no tempo de Shakespeare, os grandes banqueiros e as formosas mulheres? Onde estão os sacos de ouro deles e o rolar do seu luxo? Onde estão os olhos claros delas? Onde estão as rosas de York que floriram então? Mas Shakespeare está realmente tão vivo como quando, no estreito tablado do Globe, ele dependurava a lanterna que devia ser a Lua, triste e amorosamente invocada, alumiando o jardim dos Capuletos. Está vivo de uma vida melhor, porque o seu espírito fulge com um sereno e contínuo esplendor, sem que o perturbem mais as humilhantes misérias da carne!"

Sócrates, na defesa apresentada em seu julgamento, afirmou que “enquanto tiver um sopro de vida, enquanto me restar um pouco de energia, não deixarei de filosofar e de vos advertir e aconselhar, a qualquer de vós que eu encontre. Dir-vos-ei, segundo o meu costume: Meu caro amigo, és ateniense, natural de uma cidade que é a maior e a mais afamada pela sabedoria e pelo poder, e não te envergonhas de só cuidares de riquezas e dos meios de as aumentares o mais que puderes, de só pensares em glória e honras, sem a mínima preocupação com o que há em ti de racional? E, se algum de vós me replicar que com tudo isso se preocupa, não o largarei imediatamente, não irei logo embora, mas interrogá-lo-ei, analisarei e refutarei as suas opiniões e, se chegar à conclusão de que não possui a virtude, embora o afirme, censurá-lo-ei de ter em tão pouca conta as coisas mais preciosas e prezar tanto as mais desprezíveis”.           

            Porque buscava a razão, a verdade de todas as coisas, a Academia de Platão foi fechada, novecentos anos depois de sua fundação, pelo imperador bizantino Justiniano I, por considerar que ela administrava ensinamentos pagãos.

Nos tempos atuais, as nossas escolas, as nossas faculdades, as nossas universidades, como ocorria com a Escola de Isócrates, reduzem os ensinamentos ao simples repassar do saber conhecido. Nelas não ocorre a perquirição, a busca de novos conhecimentos. Nossas escolas não chegam sequer a transmitir os conhecimentos existentes, pecam pela omissão construtiva de uma nova sociedade de homens. Não ensinam a pensar.

            Na Era da Globalização, via Internet, as informações deixaram de ser um privilégio de poucos para se transformar em um direito de todos. Informar é hoje um direito universalizado e a comunicação está se individualizando através dos blogs e das redes sociais como Orkut, MySpace e Facebook. O computador transformou-se em uma importante ferramenta para estudantes e profissionais de todas as áreas. O e-mail está substituindo as cartas e o site está levando o estudante a desprezar os livros. Mas o computador não ensina a pensar.

            É importante ser lembrado e ressaltado que a Academia de Platão não era apenas um grupo de membros de intelectualidade avançada. Ali ele não era o chefe, o sábio dos sábios, ao contrário, a Escola, como assim era chamada a Academia, era uma comunidade de iguais, de estudiosos, mesmo quando se tinha o grande mestre como o “primeiro entre iguais”. Nela os membros eram unidos pela amizade, por um forte vínculo afetivo e é isto o que ocorre, para felicidade nossa, com a Academia Montesclarense de Letras, onde a amizade une a todos pelo espírito, pelas virtudes e pelas idéias. Aqui, pelo que se observa, a igualdade leva à unidade, um corpo organizado que congrega os conhecimentos maiores da terra dos Figueiras.

            Não preciso dizer, por desnecessário, da grande satisfação de que me encontro possuído, de ingressar no Quadro seleto de membro efetivo desta Casa do Conhecimento. Pesa sobre meus ombros o compromisso de ocupar a Cadeira nº 25, como sucessor de Geraldo Tito Silveira.

            Curvo-me reverente ao falar de Geraldo Tito Silveira, não apenas do coronel, mas principalmente do literato. O coronel honrou a Polícia Militar mineira; o literato dignificou a aldeia montes-clarense com suas obras de repercussão nacional.

            Declara o coronel Antônio de Pádua Falcão, em 1966, então Comandante Geral da Polícia Militar do Estado, que os ledores ocasionais dos livros de Geraldo Tito Silveira “com ele ficam impressionados ao primeiro contato, como no meio daqueles que se dedicam às pesquisas históricas da terra mineira”.

            Lendo “Tocaia de Bugres” nos identificamos com os fatos ocorridos em 6 de fevereiro de 1930, na Praça Dr. João Alves, envolvendo a caravana do Dr. Fernando de Melo Viana e verificamos não serem verídicas as informações do envolvimento de D. Tiburtina como mandante do episódio.

            Em “Memórias de Cláudia Prócula” o historiador montes-clarense alça vôos nos campos da história universal para ir buscar as memórias da mulher de Pôncio Pilatos.

            Nas páginas de “O Quarto Mosqueteiro”, que eu deveria ter lido antes de concluir o meu livro “Serrano de Pilão Arcado – A saga de Antônio Dó”, ele traça o perfil do coronel Otávio Campos do Amaral, que comandou uma das patrulhas que combateram Antônio Do, nas duas primeiras décadas do Século passado.

            Sem sombra de dúvidas o historiador Geraldo Tito da Silveira, através de um trabalho sério de pesquisas, nos legou valiosa contribuição à história. A Cadeira nº 25, que ele dignificou e que tenho a honra de ocupar agora, tem como patrono o cônego Augusto Prudêncio da Silva, montes-clarense de nascimento. O cônego Augusto Prudêncio da Silva ingressou no Seminário de Diamantina aos 12 anos, tendo sido ordenado aos 25 anos, regressando a Montes Claros para substituir o vigário Antônio Augusto Alkimim. O mesmo prelado que tempos antes havia sido pároco na freguesia de São José das Pedras dos Angicos, hoje cidade de São Francisco.

            Com a proclamação da República e a separação da Igreja do Estado, os padres passaram a atuar de forma ativa nas lides políticas e o padre Augusto Prudêncio da Silva não fugiu à regra, tanto que se elegeu presidente da Câmara Municipal da terra dos Figueiras, cargo que exerceu de 1901 a 1904. Ele ocupou por algum tempo a diretoria da Escola Normal de Montes Claros, mas já em 1904 era transferido para São Gonçalo do Brejo das Almas, então distrito de Montes Claros. Foi vigário de Coração de Jesus, mas retornou ao Brejo e ali exerceu atividades políticas. Foi amigo inseparável do coronel Jacinto Silveira.

            Augusto Prudêncio da Silva e Geraldo Tito Silveira são imortais.

José Luís Lira em “Imortalidade Literária”, artigo publicado no jornal “O Povo”, lembra que a palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer "que não morre; eterno, imorredouro". Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Afirma José Lira que “pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem. Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados”.

Senhoras e Senhores Acadêmicos.

Senhoras e Senhores Convidados.

Mesmo sem explicações, eu quero enumerar sete razões para justificar a minha posse, hoje, na Academia Montesclarense de Letras: a amizade de Amelina Chaves, o respeito à cultura montes-clarense, a consideração pela presidente Yvonne Silveira, o respeito aos acadêmicos Wanderlino Arruda e Dário Cotrim, a submissão à vontade manifesta da maioria dos ilustrados membros da Academia, a necessidade de aprender com os mestres que compõe o corpo efetivo desta Casa e minha vinculação afetiva à terra dos montes claros.

            Por que sete razões? Não posso negar que tenho uma vocação mística pelo número sete. Mística por mera contemplação espiritual, sem me afastar dos objetivos maiores da razão. Sete é o número da preferência Divina.

Sete são os Pecados Capitais; sete são os dias da Semana; sete são as Maravilhas do Mundo Antigo; sete também são as Maravilhas do Mundo Moderno; sete eram os sábios da Grécia; sete foram os dias da criação do Mundo; sete foram as quedas de Jesus em seu caminhar para o Gólgota; foram sete as últimas palavras que Jesus proferiu na cruz do Calvário; são sete as notas musicais; sete são as cabeças da Hidra de Lerna; sete são as Trombetas do Apocalipse; eram sete as vacas e sete as espigas de milho do sonho do Faraó, desvendado por José do Egito; sete são os anões de Branca de Neve; sete são as cores do espectro solar; sete pessoas foram as únicas que se salvaram juntamente com Noé, das águas do Dilúvio; sete foram os pães que Jesus multiplicou; sete foram os anos, como nos lembra Camões, que Jacó teve que serviu a Labão pai de Raquel; sete são os palmos com que se mede a profundidade de nossas sepulturas e, por derradeiro, sete foram as pessoas salvas pelo transplante de órgãos da menina Eloá.

A Metafísica, quando procura definir o que é real, o que é natural, o que é sobrenatural; a Parapsicologia, quando analisa os fenômenos que há séculos intrigam a humanidade e a Metapsíquica, quando observa os fenômenos psicológicos, devido a forças que parecem inteligentes, ou a poderes desconhecidos, latentes na inteligência humana, analisam o que existe de subjetividade em nosso mundo objetivo. Alguma coisa existe de concreto na Numerologia, que nos foi trazida do Egito por Pitágoras.

Não temos sido capazes, desde o Iluminismo, de esclarecer a subjetividade presente na objetividade da razão e de explicar as relações existentes entre os números e a vida humana. Isto serve para que possamos reconhecer que o ser humano ainda é incapaz de conhecer a si mesmo. Com todos os conhecimentos científicos que julgamos possuir, ainda não conhecemos cinco por cento do Universo, assim como desconhecemos o nosso próprio cérebro. Todavia nos qualificamos como seres pensantes.

E, porque pensamos, somos seres humanos evoluídos ou criados, presentes nesta hora em que, na minha individualidade, sinto-me integrado ao esse conjunto homogêneo de cultura, que é a Academia Montesclarense de Letras.

Prezadas amigas.

Prezados amigos.

Passo os olhos pelos presentes e orgulho-me dos amigos que aqui se encontram. Mas a minha satisfação se completa quando vislumbro entre os amigos meus filhos, netos e bisnetos. Eles, os filhos, os netos e os bisnetos, para me servir de um poema de Olyntho da Silveira, são o Universo em mim, na pouca vida que me resta ainda”.

Muito obrigado.""

 


 Autor: Itamaury Teles
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13/11/2008
REVISITA A DIAMANTINA



Atualizo história

que inda me fascina:

diamante farto,

forte memória

de Chica da Silva...

Diamantina!

 

Quando estive aqui,

na vez primeira,

era menino

e não havia

este hotel moderno

e aquela estátua

do filho eterno,

Juscelino.

 

Revisito igrejas,

a estaçãozinha ferroviária,

um colégio,

um museu,

as faculdades,

o mercado antigo,

um bar amigo...

Desta casa restaurada,

reinava,

inigualada,

a negra Chica,

a que mandava.

 

Tapeçaria de arraiolo,

subo-desço ladeiras

de vetustas casas

inda faceiras.

À noite, vou querer festa:

hábeis violões,

violinos ternos,

vozes afinadas,

doce seresta

de velhas sacadas.

Vesperata,

canções nostálgicas,

Bach e Beethoven,

em serenata.


 Autor: Antônio Augusto Souto
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9/11/2008
EQUÍVOCO NA ORELHA



A Orelha do livro de Ronaldo José de Almeida - Mademoiselleque acaba de ser lançado, por sinal um grande livro, deveria ter saído como mandei, e está no anexo [reproduzido abaixo], mas o revisor ou o diagramador, por absoluta irresponsabilidade ou por razões outras, que ignoro, retirou a referência necessária e obrigatória do autor da citação, no caso Luiz de Paula Ferreira, e saiu sem essa referência. Vou publicar a necessária correção por todos os meios disponíveis.
 
Petrônio

 

 

 

Para a orelha de seu novo romance

_______________

 

Ronaldo José de Almeida estreou nas letras com o romance “Data Vênia, Excelência”, com Prefácio de Amelina Chaves, que teve boa aceitação nos meios literários.

            Preparado para a advocacia, ele veio para a carreira das letras com os requisitos indispensáveis: conhecimento da língua pátria e a capacidade de figurar as idéias através da palavra.

Desprendido de ambições menores, decidiu ele aventurar-se pelo caminho das belas letras, buscando, por esta via, não um bem material, que se ganha ou se perde sem glória, mas o caminho da imortalidade, que se fixará através de sua obra presente e futura, pois, como afirmou Schiller, “quando o corpo já é pó, o nome ilustre vive ainda”.

             Observa Luiz de Paula Ferreira que “a importância dos homens de pensamento, daqueles que explicam e iluminam o mundo, com a força de seu gênio, e conferem dignidade e grandeza à aventura humana, só poderá ser avaliada pelo estalão com que se mede a grandeza das estrelas”.

            Ronaldo, como Combettes, no uso estéticos da linguagem, escreve com um diamante sobre uma folha de aço temperada, deixando que a nossa mente, como limalhas de ferro, adira ao contexto da escrita, colocando em evidência a magia de seu conteúdo. Amelina Chaves, nessa mesma linha de análise, informa que ele revelou, em seu primeiro romance, “ser um exímio artesão, costurando o destino dos personagens com admirável maestria, arrebatando a atenção do leitor”.

            Conheci Ronaldo advogado, já voltado para a encantadora arte de escrever, e foi esse seu devotamento à literatura que, de certa forma, fixou as raízes de nosso relacionamento pessoal.

 


 Autor: Petrônio Braz
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7/11/2008
A melancolia em Cyro dos Anjos



 

                                                                                                           

            No último final de semana, depois que a Fátima, minha esposa, pingou duas gotas de colírio em meus olhas já cansados, reiniciei a leitura de “O Amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos, leitura esta destinada a identificar a melancolia buscada por Karla Celene Campos.

            Em conversa com Karla Celene Campos disse-me ela que o seu projeto de mestrado versaria sobre “A melancolia em Cyro dos Anjos”. Posteriormente, por e-mail, declarou-em ela que seu trabalho não mais seria tese de mestrado, transmudado em realização pessoal.

            De uma forma ou de outra, o assunto é palpitante. Cyro dos Anjos, com sua capacidade apaixonada e poética de sentir e transmitir, é, antes de tudo, sentimento. Observa Antônio Carlos Vilaça: que “Cyro dos Anjos está impregnado de lirismo, mas de um lirismo comedido, de ironia. O estilo é muito depurado, sóbrio, de uma discrição machadiana”.

            Os autores do livro “Doutor Machado” procurando as expressões jurídicas na obra machadiana, além dos romances, tiveram que rebuscar os contos, as crônicas e a dramaturgia. Para encontra a melancolia ou o lirismo em Cyro dos Anjos não há necessidade de ir além d’O Amanuense Belmiro. Não que ele seja autor de um livro só – até que se poderá considerar – mas porque é o seu livro de referência. Quando se fala em Euclides da Cunha vem à mente “Os Sertões”, e não precisa mais.

            Se existe uma semelhança acentuada entre Cyro dos Anjos e Machado de Assis, no sentido dissertativo, eles se distanciam porque, como observa Antônio Cândido, Cyro dos Anjos possui “um maravilhoso sentido poético das coisas e dos homens”.

            Podemos dizer que Euclides da Cunha e Machado de Assis são clássicos e que Cyro dos Anjos é célebre. Murilo Badaró, presidente da Academia Mineira de Letras, em entrevista à nossa Márcia (Yellow) Vieira, reconheceu ser Cyro dos Anjos o maior de nosso Estado. Declarou ele: “O Antônio Cândido acha que é o Cyro dos Anjos, seu conterrâneo. Eu também acho que ele é o maior de todos, mais até do que os mais famosos. Mas de qualquer maneira, você pode dar a Guimarães Rosa uma posição de realce, pela literatura nova que ele criou. Mas de toda essa classe, eu acho que o Cyro dos Anjos é o maior”.

            O lirismo, mais próprio da poesia, ou melhor, da poesia trovadoresca, desponta na obra de Cyro dos Anjos, presente na vida de Belmiro, cuja existência medeia entre a realidade e o sonho. Não seria esse lirismo uma melancolia?

            A melancolia, presente na poesia de Manoel Bandeira, e na obra de Cyro dos Anjos, e em outros escritores e poetas, é um estado psíquico de depressão sem causa específica.

            A melancolia é um doença, assim reconhecida desde os tempos de Hipócrates. Na Renascença e no Romantismo a melancolia, presente em alguns escritores dos dois períodos, era considerada como uma doença bem-vinda, uma experiência que enriquecia a alma. A melancolia, explicada por Freud, seria um estado de luto de si mesmo, em presença do narcisismo; um estado de desânimo, de desinteresse pelas coisas do mundo.

            Vamos aguarda, com expectativa, o trabalho cultural que está sendo desenvolvido por Karla Celene Campos. Ela, embora não seja especificamente uma psicóloga, é professora e todo professor traz, no conjunto de seus conhecimentos profissionais, uma parcela considerável de psicologia.

 

 

 


 Autor: Petrônio Braz
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3/11/2008
MARIA DE QUASE CEM



Reacende teu sorriso, Maria,

que a vida não é finda:

o sol brilha, a brisa sopra

e nascem flores,

ainda.

 

Entoa tua canção antiga,

faze de conta que és liberta,

aperta

esta mão que é tua amiga

e estará contigo,

nos instantes doces

ou na hora incerta...

 

Põe na cabeça branquinha,

minha querida,

teu véu surrado;

pega o velho terço de contas,

vai à tua igrejinha

e reza por tua vida

e pelos teus que já se foram.

 

Aos pés da outra santa,

pede pela tua saúde,

pela tua alegria,

pela tua lucidez,

por coisa afim...

 

Mas, por favor,

Maria linda

negra de quase cem,

não chores assim,

não me agradeças,

não rezes por mim.


 Autor: Antônio Augusto Souto
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1/11/2008
O HOMEM DOS PASSARINHOS



 

 

Reivaldo Canela, o meu companheiro de página no caderno Mulher, do Jornal de Notícias, encantou-se semana passada, aos 74 anos, causando consternação em parentes, amigos e admiradores de seus escritos.

Ele era meu confrade na Academia Montes-clarense de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, mas andava, ultimamente, meio arredio, participando pouco das reuniões, em virtude de uma deliberada reclusão domiciliar noturna, em seu paraíso verde, ali  na Praça da Santa Casa.

Volta e meia, Reivaldo premiava-me com alguma crônica, vendo em mim qualidades que certamente não as tenho, mas, generoso como era, gostava de agradar as pessoas de sua benquerença. 

Sempre fui grato a ele pelos encômios imerecidos. Dediquei a ele, recentemente, uma crônica em que falava do Rebentão dos Ferros, fazenda que pertencera ao meu tio-avô Manoel Alves de Oliveiraconhecido por Manezim Viriato – em casa de quem o Reivaldo passava as férias escolares, com seu irmão Reinini, caçando e pescando naquele recanto maravilhoso, que o inspirou em muitas crônicas ligadas à fauna e à flora.

Por esses dias, sem saber que o Reivaldo encontrava-se adoentado, comentei com o Haroldo Lívio, nosso amigo comum e também membro da Academia e do Instituto Histórico, que pretendia solicitar a ele que fizesse o prefácio do meu terceiro livro de crônicas. Foi que o Haroldo informou-me que Reivaldo se encontrava internado na UTI, havia uma semana, sem diagnóstico preciso de sua enfermidade, suspeitando-se  que fora acometido por alguma doença adquirida dos seus amados passarinhos, talvez dos do-mi-rés, que enchiam de canto seu quintal ecológico.

Embora esteja em recesso das letraspara descanso pessoal e para que os leitores possam também descansar um pouco de mim -, não pude deixar de atender ao pedido da editora do caderno, Angelina Antunes, que queria texto meu sobre essa figura singular que fora Reivaldo Canela, das poucas unanimidades no meio literário local.

Confesso que sempre tive uma ponta de inveja do Reivaldo, pois, mesmo tendo nascido em Porteirinha e com grande contato com a natureza, diante dele eu era um analfabeto em matéria de canto de passarinho e da identificação das espécies, assim como da rica flora que cobre o nosso querido sertão norte-mineiro. O Reivaldo, neste particular, fazia escola, deitava experiência e conhecimento, enriquecendo, semanalmente, a nossa cultura catrumana.

Reivaldo vai nos fazer muita falta. Felizmente, ele está imortalizado em seus textos cheios de poesia e de amor pelas coisas e acontecências da nossa região. Mas precisamos – sua  família e os amigos -, fazer algumas edições de sua grande produção literária, desde o tempo em que escrevia “aos amiguinhos”, no caderno Domingo, de O Jornal de Montes Claros. É texto para vários livros de qualidade, como fora seu primeirorebento”, intitulado “Menino Pescador”, lançado no início deste ano, sem estardalhaço, como era do feitio do gênio criativo do Reivado.

Até mais ver, admirável amigo...


 Autor: Itamaury Teles
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1/11/2008
Café Galo - A Primeira Vez


Imagens do Café Galo


 

Café Galo - A Primeira Vez

 

Por Márcia Vieira

 

Minha primeira vez foi normal, como de tantos, acredito. Misto de entusiasmo com receio, de curiosidade com incerteza, de ansiedade com calmaria. Um pouco indecisa, mas querendo experimentar. Foi tudo tão natural que nem sei se aceitei o convite ou se convidei. Era terça-feira, manhã ainda. A primeira terça depois das eleições, que significa ter saído de uma reunião da Câmara Municipal onde os ocupantes da casa ainda procuravam se adequar à nova situação, a de ex-vereadores, com exceção de seis, que praticarão mais um mandato a partir do ano que vem. Reunião encerrada, sorrateiro, aparece na minha frente o Peré. Nem adianta chamá-lo pelo nome de batismo, Luís Carlos Novaes. Desconfio que nem ele mesmo saiba que este é o seu nome. Como sempre, mais ouve do que fala. Sábio Peré! Pra que falar quando se pode ouvir? Deve ter tomado essa lição com outro dos grandes, o Narciso – Paulinho (que como já disseram, de narciso só tem o sobrenome) – espelho dos mais recentes no ofício, entre os quais me incluo. E depois de muito ouvir e pouco falar, o Peré faz menção de ir embora. Peço uma carona. Pensei em aproveitar o horário de almoço que se aproximava pra rever uns amigos e resolver uma e outra coisa no centro da cidade. De pronto, o Peré faz a sugestão: "hoje você vai tomar um cafezinho no Café Galo!". Assustada e achando graça, respondo: "não, Peré! Nunca entrei ali". Ah isso foi o bastante pra que ele derrubasse os meus argumentos, entre eles, aquele que aparece quando dou asas a minha veia machista, o de que "mulher não freqüenta o Café Galo". Ele me convenceu de que estando repórter, torna-se imprescindível conhecer o reduto dos formadores de opinião. Como levo muito a sério o meu trabalho, encarei como um desafio. Parafraseando um amigo, balbuciei: "não me desacata não, que eu encaro!" Mas juro, nem era necessário o tal desacato, pois o friozinho na barriga, aquela sensação de finalmente encarar o desconhecido, já me dominava. O carro ficou estacionado ali pelos arredores da Praça Dr. Chaves (Matriz). Lá mesmo juntou-se a nós o (Edvaldo) Porretinha. O bom de caminhar pelas ruas de Montes Claros, é isso: você não consegue andar um só quarteirão, sem encontrar ao menos um conhecido. Subimos pela Simeão Ribeiro e logo no comecinho da rua, vem surgindo a Maria do Carmo, esposa do historiador Haroldo Lívio. Adiante, com passos mais apressados, a fim de alcançar e resguardar a esposa, vem o historiador, adornado com seu inseparável chapéu, adquirido na tradicional "A Preferida". Depois de uma prosa rápida e sempre agradável, o casal segue seu destino, a Do Carmo sempre alguns passos à frente. Prosseguimos, eu, o Peré e o Porretinha, em linha reta no quarteirão e chegamos finalmente ao Café. "Peré, estou sem graça", falo baixinho. "Não tem problema, todos irão te respeitar", garante o meu amigo. Como toda primeira vez, o momento é mágico, engraçado. O lugar é pequeno, mas nem tanto como imaginava ao passar defronte. Mas e quem era eu, para ousar espichar os olhos por ali? Quase sempre passava do outro lado da rua. O que primeiro chama a atenção dentro do estabelecimento, é a quantidade de fotos espalhadas pela parede, pelo balcão e afins. Em todo canto se vê fotografias. Quase sempre de políticos, afinal, qual deles seria louco a ponto de visitar Montes Claros e não passar pelo café?   Seria algo como cometer um crime inafiançável ou até mesmo ver decretado o seu fim de carreira política. Se for um político, daqui ou de alhures, já passou, está passando ou vai passar pelo Café Galo, tão certo como quatro é a soma de dois mais dois e como eu sou torcedora do Galo. Aliás, como o próprio nome já diz, o time das Minas Gerais, com ou sem Ziza, em boa ou má fase, está cravado nas paredes do estabelecimento. Mas a democracia parece ser palavra-chave entre os freqüentadores. Palavra não, atitude-chave! Tem cores e credos diferenciados, incluindo-se aí cabos eleitorais de todas as tribos, além de torcedores de vários times. É um lugar de respeito, onde se discute os mais variados temas, tomam-se decisões ou simplesmente um café. E saboreando um café, recostado na parede, estava o Jorge Silveira, jornalista, escrevinhador e observador, que logo entabulou um papo com o Peré. No momento era o único a quem eu já conhecia. Também pedi um cafezinho e nele me concentrei, a fim de evitar o constrangimento. O ambiente é predominantemente masculino, e naquela hora, unicamente. Do lado de fora, mais algumas pessoas trocavam idéias, ou vendiam, sei lá! Uma mulher chegou a parar defronte o Galo, para ler uma lista afixada na parede externa. Provavelmente, o resultado das eleições. Sorri por dentro e me senti mais à vontade. Ainda que ela estivesse do lado de fora, era uma mulher, e dividia as atenções. Tomei o café sob os protestos do Porretinha, que me acusou de não cumprir o ritual, já que dispensei o pastelzinho. Café forte, delicioso, com gosto e aroma de café, diga-se de passagem. Depois de simultaneamente cumprimentar e me despedir do pessoal que lançava olhares curiosos pela presença de uma figura feminina no local, coisa rara, acredito eu, fui até a porta onde tive ainda a grata surpresa de descobrir um ouvinte, o Eliezer Cruz. Demorou, mas me convenceu de que ele não era outro Eliezer, o da Casa Ely. Parecidos, apenas, e com o mesmo nome. Despedi-me do Peré e do Porretinha, agradecendo a sugestão e a companhia para conhecer o local e rumei ao meu compromisso. Olhar o mundo de dentro do Café Galo, é diferente de olhar do mundo em direção ao Café Galo. O campo de visão é privilegiado. O proprietário, Jadir, é uma lenda viva. Sinto não tê-lo encontrado na minha primeira, e por ora,  única visita ao lendário e enigmático Café Galo. Jadir, quem sabe eu volte para comer um pastelzinho e cumprir à risca o ritual, não é? E finalmente poder dizer: sim, eu conheço o Café Galo!


 Autor: Márcia Vieira
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27/10/2008
PASSEIO EM DIAMANTINA


Foto: Itamaury Teles


Estrella Polar

Redacção – Officinas

 

A placa do jornal do arcebispo de Diamantina já passou, invicta, por mais de uma reforma ortográfica. E ninguém providenciou a atualização de sua grafia .

A placa parou no tempo, mumificou-se, petrificou-se.  

 

Poesia,  este deveria ser o outro nome do Arraial do Tijuco.

 

Cena trivial do dia-a-dia diamantinense:

o visitante  passa pela porta do jornal e vira à esquerda, na Rua do Contrato;

passa pela casa de Chica da Silva e entra na Rua do Jogo da Bola;

vira novamente à esquerda e sai na Avenida da Saudade.

É possível itinerário mais poético?

 

Diamantina canta e reza nos nomes de suas ruas, largos e becos.

A rua atrás da Sé Metropolitana se trifurca:

Macau de Cima, Macau do Meio e Macau de Baixo.

(Herança dos navegantes lusos que fundaram a colônia de Macau, na China).

Os nomes de suas ruas nos embriagam de tanta beleza: Rua do Rosário, Rua da Glória, Rua das Mercês, Rua do Carmo, Rua do Amparo, cada qual com sua igreja e sua invocação de Nossa Senhora. Seguem  Rua da Quitanda, Beco da Tecla, Rua Direita, Rua do Fogo, Beco de Zé de Lota, Beco do Alecrim, Arraial dos Forros, Rua do Peixe Vivo, Rua do Caminho de Carro.

Mais o Burgalhau, onde tudo começou com o achado dos primeiros diamantes.   

Para falar dos encantos da geografia tijucana não é preciso ser  nenhum Manuel Bandeira, não!

Basta pegar o catálogo telefônico, como fiz, e ir pinçando aqui, ali e acolá, endereços que reluzem como versos lapidados nas joalherias da cidade de JK, dos Matta Machado, dos Felício dos Santos, de Aureliano Lessa, Theodomiro Alves Pereira, Helena Morley, Marina Hygino, Lobo de Mesquita, José Márcio de Aguiar, João Walter Godoy e muita gente de tutano.

Para louvar as bênçãos e graças de Diamantina não é preciso ser, necessariamente, menestrel.

 

21/09/2008                                                                         


 Autor: HAROLDO LÍVIO
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22/10/2008
Os sermões



                                                                                               

Para quem viveu a vida religiosa (cristã) antes dos anos sessenta, os sermões eram a forma mais perfeita de evangelização. Os templos católicos, em sua grande maioria, possuíam púlpitos, geralmente nas laterais na nave principal e o pároco, no momento preciso, deslocava-se do altar-mor e dirigia-se para o púlpito. Momento aguardado com certa ansiedade pelos fieis, já que a missa, celebrada em latim, nada transmitia de cristianidade à grande maioria dos que a assistiam.

A missa, como a reconstituição do sacrifício de Cristo pela humanidade, era um ato solene e místico, e deveria ter continuado a ser. Um ato respeitoso de contrição, de elevação espiritual e não de alegrias humanas de natureza terrestre.

O contato do pároco com os fieis circunscrevia-se ao sermão. Nele a palavra do Evangelho era mostrada de forma viva, pela eloqüência do pregador.

Foram-se os tempos de um Padre Vieira (o maior pregador católico de todos os tempos, em língua portuguesa), mas ainda podemos encontrar sacerdotes capazes de transmitir a fé através da palavra, não da imposição desta através de dogmas. Entre eles, na atualidade, o padre Fábio de Melo. Um grande pregador. Entre os evangélicos destacam-se também alguns excelentes pregadores.

Quando leio os “Sermões” do Padre Vieira, vejo renascer em meu espírito, hoje agnóstico, a procura do entendimento da realidade incognoscível da minha condição de ser humano, de minha origem evolutiva ou criativa.

O padre Antônio Vieira, da Companhia de Jesus, natural de Portugal, veio para o Brasil com sete anos de idade. É considerado um dos homens mais extraordinários do século XVII. Teve atuação de vulto na política e grande influência religiosa tanto no Brasil com em Portugal, e na vida cultural e literária em outros países.

Os sermões daqueles tempos eram persuasivos e claros, centrados no Evangelho, e tinham como paradigma o Sermão da Montanha, provindo da palavra do próprio Cristo.

Ouvi alguns bons sermões, com igreja cheia de fieis silenciosos, com os olhos e a mente presos à palavra do orador sacro. Não se batia palmas nem antes, nem durante, nem depois. Rezava-se, com as últimas palavras do sermão ainda presentes a nos infundir a certeza da fé. Eram sempre palavras que deixavam a mais forte impressão emocional. O orador sacro não buscava aplausos; ele se realizava através do estado reflexivo, da elevada contrição dos fieis.

De Vieira, além de inúmeros outros, são imperdíveis: Sermão de Santo Antônio, Sermão da Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel e o Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda.

Os sermões, quando objetivamente conduzidos a tempo e modo, ainda exercem influências benéficas na manutenção da fé, conduzindo ao arrependimento, renovando a devoção e orientando a conduta humana dentro dos preceitos da fé de cada um.

O convencimento, pela força da palavra qualifica o orador sacro. Existe um poder imenso nas palavras. Um sermão pode libertar o que de bom existe dentro de nós mesmos, exorcizando o mal.

 

 

                                                                                                                          


 Autor: Petrônio Braz
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20/10/2008
ESTRESSE & REFLEXÕES



 

 

Após oito anos, sem uma parada para descanso sequer, estou entrando em ritmo de férias,. Podem achar que estou brincando, por estar aposentado desde janeiro de 2001, mas é a pura verdade. Desde então, não mais parei, concentrado que fiquei na conclusão do meu mestrado em administração, ministrando cursos de pós-graduação; escrevendo, publicando e lançando dois livros de crônicas, estando um terceiro no prelo; ministrando palestras, participando em conselhos de administração e fiscal de grandes empresas; editando livro sobre a memória histórica de Porteirinha; advogando, embora em poucas ações; publicando colunas em jornais e revistas, além de haver participado, sem sucesso, de duas campanhas políticasdeputado federal e vereador...

Confesso que estou estressado e necessitando bastante de um descanso, longe de computadores e celulares, curtindo a “dulce far niente”, circulando aqui, alhures e, provavelmente, até “abroad”...

Assim, solicito permissão ao leitor para ausentar-me  por uns dias, e curtir o meu período sabático, quando farei reflexões diversas sobre as minhas atividades e se tem valido a pena todo esse lufa-lufa...

Levarei em conta, evidentemente, estar fazendo algo de que gosto muitoescrever crônicas e comentários -, mas necessito fazer um balanço, ponderar prós e contras dessa minha vida atribulada.

Espero a compreensão de todos os que me honram com a leitura dessas mal traçadas linhas...

 


 Autor: Itamaury Teles
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19/10/2008
Festas de Agosto - O que eu vi


Imagens das Festas de Agosto


Festas de Agosto - O que eu vi

 

Por Márcia Vieira

 

 

Domingo chega e com ele, o fim das “Festas de Agosto”, que encheram nossos olhos e nossa alma por cinco dias. Cinco dias de beleza, de encantamento, de emoção. Todas as cores presentes, desde o branco puro e imaculado dos catopês até o preto, que surgia nos lacinhos colocados nas roupas dos caboclinhos, que ainda choram a morte do seu chefe Joaquim Poló. É apaixonante ver desfilar pelas ruas as crianças (uma delas inclusive usando um andador), os jovens, meninos e meninas, e senhores de cabelos brancos que em nenhum momento dão sinal de cansaço; a pureza do mestre João Faria, que foge das entrevistas e o Mestre Zanza, que de bravo só tem a aparência e perguntado sobre a origem do seu apelido responde a uma criança “é porque eu só fico zanzando!”. Tem ainda o semblante terno e acolhedor de dona Fina de Paula, viúva de Dr. Hermes, acomodada numa cadeira de rodas, mas presente todos os dias na avenida; o dinamismo de Raquel Chaves, empenhada e sempre solícita com os participantes da festa, finalizado com um sorriso e a pergunta: “foi lindo, não foi?”. Tem o menino Paulo Estevão explicando que há 13 anos participa da festa e dando uma aula sobre a florescência dos ipês; o seu Zezinho do Sesc, que aos 99 anos aparece todo alegre e afoito, assoviando para as moças que passam pelo caminho; tem o Tonhão (ou Tonão), que Paulinho Narciso aponta como uma das grandes figuras dos catopés; tem crianças que passeiam segurando suas fitas à cata de padrinhos e oferecendo ainda três desejos mediante o batismo, como o gênio da lâmpada; tem Gabriel Guedes, neto de Godofredo, que vem especialmente para homenagear o avô e participar com os filhos da maior festa de sua terra natal; tem o Carlyle, que há 25 anos toca o sino da igrejinha anunciando a chegada dos Catopês, Marujos e Caboclinhos; tem a filha de Joaquim Poló que vem à frente dos caboclinhos, empunhando uma bandeira e dançando com um entusiasmo sem igual, bonito de se ver; tem gente pequena no corpo e grande no coração; tem filho da terra e tem estrangeiro apreciando a festa; tem gente que ri e tem gente que chora. Ao longo do percurso, aparecem também os fotógrafos, os escritores, os cinegrafistas, os estudantes que fazem pesquisas sobre a festa, os historiadores, os curiosos. Durante o desfile matutino o comércio pára, pois patrões e funcionários correm à porta de suas lojas para respeitosamente assistir à passagem dos grupos. A Igrejinha do Rosário, ponto final do desfile  -e inicial de uma bela cerimônia-, é pequena para conter a multidão que se espalha por toda a Avenida Coronel Prates, onde agora acontece a festa. O colorido toma conta daquela parte da cidade. Existem problemas, sabemos nós. Nem tudo são flores, mas é válida a luta dessas pessoas que não deixam a festa morrer. Espero apreciá-la ainda, por muitos e muitos anos. Agosto já deixa saudade. Deus te salve, festa santa!


 Autor: Márcia Vieira
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18/10/2008
Jubileu de Ouro à vista



 

                                                     

 

 

       Sei muito bem que a coluna social de Theodomiro Paulino está completando 43 anos de publicação ininterrupta e não 50, como faz parecer o título acima. Porém, seu entusiasmo com a comemoração do evento é tão grande que já dá para anunciar o Jubileu de Ouro, no ano de 2015, de hoje a apenas 7 anos. Se agora, nos 43, que nem chega a ser uma data redonda, ele se empolga a ponto de até publicar esta revista, imagine bem o que deverá ser a festa de arromba do meio século de jornalismo.

      Supõe-se que a futura celebração da efeméride de meio centenário poderá, dada sua importância histórica, ser oficializada pelos poderes públicos. E há motivo para isto. No momento, Theodomiro  já se coloca entre os colunistas sociais mais antigos da imprensa brasileira. Tenho a impressão de que pode integrar uma lista dos 10 colunistas do país que há mais tempo mantêm suas colunas funcionando. E também deve estar entre os mais lidos, por assinar colunas diárias em Montes Claros e Belo Horizonte e ainda apresentar um programa de variedades, na televisão.

        Dessa dedicação exclusiva e em tempo integral resultou a profissionalização do jornalista, que se tornou personalidade bastante conhecida nos meios em que circula. Dá para entender a alegria que está vivendo. Ora, corre tudo bem em sua carreira e em sua família. Suas promoções, em razão de sua experiência e domínio da matéria, fazem sucesso. Todos sabem que suas festas são sempre de casa cheia e muita animação. Além de todas essas recompensas pelo esforço para crescer cada vez mais, não tem do que se queixar.

É notório que mora bem,veste bem, come bem, está sempre na moda. Principalmente é muito viajado; faz pião em Paris, de onde parte para países distantes e exóticos. Pouca gente já voou tanto quanto ele. Pelo tipo de vida que leva, buscando desfrutar da carreira que soube organizar e dignificar, pode ser considerado a pessoa mais rica de nossa cidade e que mais sabe gozar a doce vida.

       Se perguntarem a ele quantas condecorações ele recebeu até agora, certamente que terá dificuldade para informar o número exato. Agora mesmo, há poucos dias, foi homenageado com a Medalha JK, que faltava em sua coleção de troféus. Em sua prestigiosa coluna diária, de vez em quando ele manda o recado para a galera de que ”está apenas começando”. Deve vir chumbo grosso por aí... De qualquer forma, Théo está de parabéns pelos 43, que devem ser a ponta do iceberg dos 50.

   

 


 Autor: HAROLDO LÍVIO
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11/10/2008
BARBAS DE MOLHO



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